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Lagarde olha para 2022 para decidir o que fazer com os juros em 2026

Dados recolhidos pelo BCE para fundamentar a decisão do Conselho de Governadores sobre política monetária são anteriores ao início da guerra no Médio Oriente.

19 Mar 2026 - 07:30

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Foto: LinkedIn de Christine Lagarde

Foto: LinkedIn de Christine Lagarde

Com a inflação a subir na zona euro — foi de 1,9% em fevereiro de 2026, contra 1,7% em janeiro, segundo os números revelados esta semana pelo Eurostat (um ano antes, a taxa era de 2,3%) —, a reunião de hoje do Conselho de Governadores do Banco Central Europeu (BCE), destinada a definir o futuro da política monetária, está condicionada por um conflito armado que eclodiu depois de terem sido recolhidos os dados económicos que habitualmente sustentam as decisões da instituição liderada por Christine Lagarde.

A maioria dos analistas considera que o BCE deixará as taxas de juro inalteradas na reunião desta tarde, devendo Lagarde adotar um discurso mais duro quanto à evolução futura da política monetária.

“As novas projeções da equipa do BCE vão parecer desatualizadas, já que o prazo final para a recolha de dados é anterior ao conflito. Prevê-se que o crescimento permaneça resiliente nas projeções, mas estas não captam o novo impulso inflacionista. Assim, esperamos que o BCE publique cenários adicionais que ilustrem os riscos de subida da inflação e de um crescimento mais fraco, medida já sinalizada pelo governador do banco central neerlandês, Olaf Sleijpen”, refere Michael Krautzberger, diretor de investimento global (CIO) de Mercados Públicos da Allianz Global Investors.

Para este analista, “tendo trazido a inflação de volta ao objetivo no ano passado, o BCE está bem posicionado para avaliar as implicações da guerra com o Irão ou até para as ignorar. No entanto, esse sucesso anterior também poderá levar o Conselho de Governadores a adotar uma estratégia mais agressiva, semelhante à de 2022, e a aumentar as taxas de juro antecipadamente, de forma a reduzir eventuais pressões e ancorar as expectativas de inflação. Vários membros mais conservadores do Conselho de Governadores (Schnabel, Nagel, Müller e o vice-presidente cessante, de Guindos) já alertaram explicitamente para os riscos associados às expectativas de inflação, sugerindo uma mensagem de ‘vigilância’”.

“É pouco provável que o BCE reduza as taxas em 2026; o risco inclina-se agora para um aumento, potencialmente antecipado. As yields de curto prazo deverão manter-se estáveis, com riscos de subida caso os preços da energia permaneçam elevados”, acrescenta Krautzberger.

Assim, a maioria dos analistas dá como certa a subida das taxas de juro ao longo de 2026, a um ritmo de 25 pontos base em junho e mais 25 pontos base em setembro.

A ideia é aprender com as lições do passado, nomeadamente com o que aconteceu em 2022, quando a inflação disparou para cerca de 10% na zona euro, obrigando o BCE a reagir de forma firme (e, segundo alguns, tardia), através de subidas sucessivas das taxas.

A política restritiva do BCE levou a instituição a subir as taxas de juro quatro vezes nesse ano, com aumentos entre 50 e 75 pontos base, passando de uma taxa de juro nula para cerca de 2% no final de dezembro.

“A combinação entre crescimento mais lento e inflação mais persistente não é a ideal, e um BCE agressivo pode agravar a situação. Desde que o BCE mantenha uma postura gradual e dependente dos dados, as condições financeiras mais amplas deverão manter-se estáveis”, conclui Michael Krautzberger.

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