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Lagarde: “Se a IA roubar o meu dinheiro, quem é o responsável?”
Uma conversa entre Aaron Chatterji, economista-chefe da OpenAI, e Philip Lane, membro do Conselho Executivo do Banco Central Europeu, tornou-se no painel mais interessante do segundo dia do Fórum do BCE, em Sintra
30 Jun 2026 - 16:37
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Christine Lagarde, presidente do BCE e Kevin Warsh, presidente da FED/Foto: BCE
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Christine Lagarde, presidente do BCE e Kevin Warsh, presidente da FED/Foto: BCE
O tema era desafiante: “Uma conversa sobre inteligência artificial”, e os protagonistas tornaram-no ainda mais interessante. Aaron Chatterji, economista-chefe da OpenAI e professor na Duke University, foi confrontado nesta terça-feira com uma série de questões dos banqueiros centrais sobre os receios e os desafios de uma nova tecnologia cujos efeitos nas sociedades e nos comportamentos humanos ainda são desconhecidos.
Até a própria presidente do BCE, Christine Lagarde, não resistiu a entrar na ronda de perguntas a Chatterji: “Vou fazer-lhe uma pergunta de advogado e não de economista”, começou por dizer a líder do BCE. “Se você roubar o meu dinheiro, você é responsável e eu vou processá-lo. Se um agente de IA desenvolvido pela OpenAI fizer a mesma coisa, quem é que é responsável?”
Em resposta, Aaron Chatterji, que, ao contrário de utilizar um computador ou um tablet, tinha consigo papel e caneta, afirmou: “Acho que essa não vai ser uma decisão que dependa de companhia para companhia. Tem de se construir um enquadramento legal para responder a essas situações”.
“Se pensarmos na forma como evoluíram as responsabilidades ao nível das inovações introduzidas no sistema financeiro, como, por exemplo, nos cartões de crédito: quando existe alguém que rouba os nossos códigos ou os cartões e faz levantamentos, geralmente as instituições financeiras devolvem o dinheiro. Mas isso nem sempre foi assim. Foi necessário o desenvolvimento de uma série de políticas regulatórias, a par de um conjunto de decisões empresariais, para enquadrar esta situação”, referiu o economista-chefe da OpenAI.
“Acho que vamos construir algo semelhante para os agentes de IA. Duvido que existam decisões discricionárias empresa a empresa; tem de existir uma decisão institucional”, afirmou Aaron Chatterji.
Outra das questões colocadas teve que ver com o receio do impacto da IA na sociedade e com as prioridades que a nova tecnologia deve abraçar. Andrew Bailey, governador do Banco de Inglaterra, referiu a propósito que “no futuro não teremos capacidade para construir todos os data centers necessários para suportar a atividade que a IA será capaz de desenvolver”.
“Por isso, vão existir escolhas importantes a fazer: vamos colocar a IA ao serviço das ciências médicas? Ao serviço do entretenimento? Vivemos num mundo em que estamos habituados a que seja o mercado a fazer estas escolhas”, acrescentou aquele responsável.
Bailey questionou Chatterji, perguntando se “na OpenAI já se confrontaram com estas questões? Não apenas escolhas empresariais, mas também escolhas que têm de ter em conta o interesse público”.

Aaron Chatterji, economista-chefe, OpenAI e Philip Lane, membro do Conselho Executivo do Banco Central Europeu/Foto: BCE
Outra pergunta debruçou-se sobre o que acontecerá ao desenvolvimento da IA quando começarem a surgir barreiras em termos de criação de novas estruturas de apoio ou questões relacionadas com o ambiente. “Será de esperar que os modelos de desenvolvimento de IA abrandem consideravelmente?”
Para o economista-chefe da OpenAI, a principal preocupação “é a forma como vamos introduzir a IA nas escolas”.
“Todos os dias, no caminho para o trabalho, tenho conversas com o ChatGPT. E muitas delas são sobre temas que já discutimos hoje. Pergunto-lhe, por exemplo, como devo responder se me questionarem sobre os efeitos da IA na inflação? E aquilo que ele me responde é incrível. É como estar a viver no futuro. A IA é um complemento importante dos conhecimentos que já possuo como economista, mas a minha filha, que tem 13 anos, não sabe nada de Economia e, por isso, utiliza a IA de uma forma diferente da minha”, acrescentou Chatterji.
“Nunca copiei uma fórmula matemática durante o curso de Economia porque queria saber a razão que estava na base dos resultados… mas o que vai acontecer no futuro quando a IA fizer tudo isso automaticamente?”, questionou Aaron Chatterji.
“A magia que retiro da IA é o facto de já gostar de aprender… mas e os outros?”, concluiu o economista.
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