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Margem contrai, mas lucro não cede: resultados dos maiores bancos nacionais sobe para 5,22 mil milhões em 2025
Analisando os resultados dos cinco maiores bancos em 2025, é possível observar que houve um aumento da rentabilidade, ao mesmo tempo que a solvabilidade teve uma quebra.
06 Mar 2026 - 13:04
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Caixa Geral de Depósitos (CGD), Banco Comercial Português (BCP), Novo Banco, S.A., Banco BPI e Banco Santander Totta
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Caixa Geral de Depósitos (CGD), Banco Comercial Português (BCP), Novo Banco, S.A., Banco BPI e Banco Santander Totta
Os bancos portugueses continuam a ver as suas margens financeiras contrair, devido à descida das taxas de juro pelo Banco Central Europeu, ao longo de 2024 e 2025. Os resultados financeiros apresentados no início de 2026 demonstram isso mesmo, com o Millennium BCP a ser o único banco a escapar a este derrape da margem.
Contudo, a rentabilidade dos maiores bancos nacionais continua a crescer, bem como o lucro. Em 2025, as cinco maiores instituições bancárias a operar no país – Caixa Geral de Depósitos (CGD), Millennium BCP, Santander Portugal, Novo Banco e BPI – tiveram um resultado líquido de 5,22 mil milhões de euros, mais 5,78% do que no ano anterior.
Quase todos viram as margens financeiras baixar no ano transato, com o Santander Portugal a liderar a queda, em 12,6%, para 1,37 mil milhões. Também o BPI reportou uma queda a dois dígitos, de 10%, ficando com uma margem financeira de 879,4 milhões. Semelhante foi a descida da CGD, de 9,93%, para 2,5 mil milhões. Já o Novo Banco alcançou uma margem de 1,1 mil milhões, equivalente a uma quebra de 7%.
O BCP foi a exceção, com uma evolução de 2,4%, ascendendo a 2,89 mil milhões. Segundo os dados divulgados pelo banco, este aumento deveu-se à atividade internacional, onde a margem financeira subiu 4,3%, enquanto a nacional teve um ligeiro incremento de 0,2%.
No sentido contrário, quase todos reportaram uma subida na receita de comissões. Neste campo, o BPI foi o único a apresentar uma receita mais baixa do que no ano anterior, de 307 milhões, menos 6%. Quem cresceu mais foi o Novo Banco, em 9,5%, totalizando 353,6 milhões.
O Millennium BCP é a instituição que regista a maior receita de comissões, com 847,4 milhões, mais 4,3% do que em 2024. Seguem-se a CGD e o Santander, com 587 milhões e 484,3 milhões, respetivamente. Estes dois bancos apresentaram subidas de 1,03% e 7,1%, respetivamente.
Olhando para as receitas como um todo, verifica-se uma evolução mista. De um lado, o BPI tem a maior queda, de 10%, para 1,27 mil milhões. Segue-se o Santander Portugal, caindo 7,5% para 1,89 mil milhões. A CGD registou uma quebra de 0,45%, com as receitas a fixarem-se em 3,49 mil milhões.
Por sua vez, o Novo Banco – comprado no ano passado pelo grupo francês BPCE – teve uma evolução precisamente oposta à Caixa, avançando 0,5% para 1,56 mil milhões. O BCP teve um crescimento de 6,8%, ascendendo a 3,82 mil milhões.
Deterioração da eficiência
No lado das despesas, os bancos tiveram também diferenças variadas. O Santander Portugal foi o mais contido. A sucursal do gigante espanhol apresentou despesas operacionais de 530,7 milhões, mais 0,6% do que no ano anterior. Também contidos foram o Novo Banco e a CGD, cujos custos subiram 1,5% e 2,07%, respetivamente, para 506,6 milhões e 1,09 mil milhões.
O BPI reportou despesas operacionais de 508,4 milhões, um incremento de 4%, enquanto o Millennium BCP registou um aumento de 8,3%, ascendendo a 1,42 mil milhões.
Analisando os rácios de eficiência, é possível averiguar que a banca portuguesa continua, como faz questão de sublinhar com orgulho, abaixo dos valores médios europeus. O pior rácio é pertence ao BPI, de 40%, mas que, por outro lado, se manteve precisamente igual ao ano anterior. No sentido contrário, a maior subida pertence ao Santander Portugal, em 2,3 pontos percentuais, mantendo, ainda assim, o melhor rácio, com 28%.
Já o BCP viu o seu rácio de eficiência subir 0,6 pp para 37,1%. O Novo Banco reportou uma deterioração de 1,7 pp, fixando-se em 34,9%, enquanto o da Caixa se situou em 30%, o que corresponde a um aumento de 2,1 pp.
Rentabilidade sobe, solvabilidade sofre
Entre os cinco bancos analisados, apenas um apresentou uma diminuição significativa da rentabilidade. O BPI teve um RoTE de 12,6%, equivalente a um decréscimo de 2,1 pp. Menos significativo, o ROE da CGD, de 17,4%, caiu 0,1 pp.
O campeão neste indicador é, destacadamente, o Santander Portugal, com 31,8%. A instituição foi, também, a que teve a maior evolução desta métrica, em 5,9 pp. O Novo Banco conseguiu alcançar um RoTE de 21,6%, um crescimento de 4,2 pp. Por fim, o BCP reportou um reforço de 0,3 pp, tendo o RoTE se fixado em 14,7%.
Numa ótica não tão positiva, os bancos nacionais declararam uma solvabilidade, no final de dezembro, inferior, em geral, à do ano anterior, no domínio do rácio de capital mais relevante, o CET1. Apenas a CGD foge a esta tendência, com o seu rácio CET1 a subir 0,9 pp para 21,2%.
A maior queda pertence ao Novo Banco, que desceu 3,4 pp para 17,4%. O Santander Portugal apresentou uma quebra quase idêntica, de 3,3 pp, apresentando um rácio CET1 de 13,5%. Também com descidas parecidas entre si surgem o BCP e o BPI, de 0,4 pp e 0,3 pp, respetivamente. Estes bancos reportaram rácios CET1 de 15,9% e 14%, respetivamente.
Recorde-se que, apesar das quebras registadas, os bancos portugueses continuam a estar entre os mais capitalizados da Zona Euro. Em dezembro, os dados do BCE sobre os bancos supervisionados diretamente por si indicavam que as instituições nacionais tinham um rácio CET1 médio de 17,89%, superior à média de 16,12% dos parceiros do euro. Note-se, contudo, que Santander Portugal e BPI não entram nestas contas, pois o BCE supervisiona estes bancos através da empresa-mãe de cada um: os espanhóis Santander e o CaixaBank, respetivamente.
Crédito malparado continua em queda
Os bancos portugueses continuam na sua demanda de limpeza da folha de balanço. O Millennium BCP registou a maior descida do rácio NPE. Caiu 0,7 pp para 2,4%. Tanto o Santander Portugal como o BPI apresentaram decréscimos de 0,2 pp, para 1,4% e 1,2%, respetivamente.
O Novo Banco, por sua vez, não divulgou o rácio NPE, mas informou que o rácio NPL se fixou em 2,9%, menos 0,4 pp. Já a CGD reportou um rácio NPL de 1,78%, menos 0,26 pp, e um rácio NPE de 1,31%, uma subida de 0,06 pp, o único incremento registado.
Por outro lado, no rácio de cobertura por liquidez (LCR), a Caixa é o único banco a apresentar um reforço deste indicador. O banco registou um LCR de 327,8%, mais 4,9 pp do que em 2024.
O BPI teve a maior quebra, de 36 pp, caindo para 184%. O Santander Portugal baixou de 142,5% para 132,5%, enquanto o BCP observou uma descida de 8 pp para 334%. O Novo Banco reportou a queda mais pequena, de 4pp, fixando-se em 160%.
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