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Maria Luís Albuquerque e Clara Raposo na corrida aos lugares do BCE

Dois terços do Conselho Executivo do Banco Central Europeu serão renovados nos próximos dois anos

10 Out 2025 - 12:14

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Maria Luís Albuquerque e a Clara Raposo

Maria Luís Albuquerque e a Clara Raposo

Vai iniciar-se o processo de renovação do Conselho Executivo do Banco Central Europeu (BCE). Entre maio de 2026 e dezembro de 2027, quatro dos seis membros daquele organismo serão substituídos. Vários nomes já começaram a circular e, entre eles, figuram duas portuguesas: Maria Luís Albuquerque, atual comissária europeia para os Serviços Financeiros e a União da Poupança, e Clara Raposo, vice-governadora do Banco de Portugal. Ambas são mencionadas em diversos órgãos de comunicação especializados que acompanham as questões europeias.

Era expectável que, na reunião de quinta-feira do Eurogrupo — que juntou os ministros das Finanças da zona euro no Luxemburgo — o tema dos lugares no BCE fosse já abordado, mas, segundo fontes contactadas pelo Jornal PT50, o “tema não foi discutido”.

O primeiro a ser substituído será o vice-presidente do BCE, o espanhol Luis de Guindos, cujo mandato termina em maio de 2026. Seguem-se o irlandês Philip Lane, economista-chefe do BCE, que concluirá o mandato em maio de 2027, e a influente membro do Conselho Executivo, a alemã Isabel Schnabel, em dezembro de 2027.

Está, portanto, a chegar o momento de os Estados-membros começarem a manobrar as suas influências e alianças estratégicas para colocarem os seus representantes em lugares de destaque. Recorde-se, a este respeito, que Portugal e Espanha mantinham um acordo de apoio mútuo na eleição de cidadãos portugueses e espanhóis para altos cargos na União Europeia.

Espanha apoiou a candidatura de Mário Centeno à presidência do Eurogrupo em 2017, e Portugal apoiou a candidatura de Luis de Guindos à vice-presidência do BCE em 2018, em substituição de Vítor Constâncio. Este pacto informal foi quebrado este ano por Portugal, na última eleição para presidente do Eurogrupo, quando o nosso país apoiou o ministro irlandês das Finanças, Paschal Donohoe, na sua recandidatura, apesar de estar também na corrida o ministro espanhol da Economia, Comércio e Empresas, Carlos Cuerpo.

Alemanha e França, as duas maiores economias da zona euro, farão todos os esforços para colocar os seus candidatos em boa posição. No entanto, as economias de Leste também deverão tentar garantir representação no Conselho Executivo do BCE, e os países do Sul procurarão reforçar a sua presença, apresentando-se como as economias que melhor conseguiram recuperar da crise provocada pela Covid-19.

Recorde-se que os membros do Conselho Executivo do BCE são nomeados por um período de oito anos, não renovável, de entre os nacionais dos Estados-membros da zona euro — que será alargada à Bulgária em janeiro de 2026 —, e devem possuir reconhecida autoridade nas áreas monetária ou bancária, comprovada pela sua experiência profissional.

De acordo com o artigo 283.º do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia (TFUE), o Eurogrupo analisa as candidaturas antes de o Conselho Europeu, sob recomendação do Conselho da UE, consultar o Parlamento Europeu e o Conselho do BCE, decidindo depois, por maioria qualificada, sobre a nomeação.

É neste intrincado xadrez político que começam a surgir os potenciais candidatos. Para substituir Luis de Guindos como vice-presidente, encontra-se, nomeadamente, o governador finlandês Olli Rehn, um decisor moderado, com reconhecida experiência no banco central e na política (foi comissário europeu, ministro da Economia e deputado nacional e europeu).

Mas é também neste contexto que surge o nome da portuguesa Clara Raposo, vice-governadora do Banco de Portugal, assim como o de Christina Papaconstantinou, vice-governadora do Banco da Grécia.

Em posição igualmente relevante para suceder a De Guindos estão Yannis Stournaras, atual governador do Banco da Grécia, Nadia Calviño, presidente espanhola do Banco Europeu de Investimento (BEI), e Maria Luís Albuquerque, comissária portuguesa para os Serviços Financeiros. Também o governador croata Boris Vujčić é apontado como candidato ao cargo de economista-chefe do BCE, atualmente ocupado por Philip Lane, depois de não ter conseguido ser nomeado vice-presidente em 2019.

Quanto à futura substituição de Christine Lagarde na presidência do BCE — o seu mandato termina a 31 de outubro de 2027 —, destacam-se os nomes do espanhol Pablo Hernández de Cos, presidente do Banco de Espanha entre 2018 e 2024, que conta com o apoio de Mario Draghi, embora veja as suas hipóteses reduzidas pela recente nomeação para a liderança do Banco de Compensações Internacionais (BIS).

O nome favorito é o do holandês Klaas Knot. A própria Lagarde afirmou publicamente, numa intervenção recente no podcast College Leaders in Finance, que Klaas Knot seria um sucessor ideal: “Conheço-o há pelo menos seis anos. Tem a inteligência, a resistência e a capacidade de mobilizar os outros”, afirmou a presidente do BCE.

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