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Negócio do BPCE com a Generali depende do governo italiano

O Grupo BPCE, que adquiriu o Novo Banco, enfrenta desafios na fusão da Natixis IM com a Generali Investments Holding devido a preocupações do governo italiano. O CEO Nicolas Namias quer que o BPCE se torne um importante financiador na Europa.

04 Ago 2025 - 12:21

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Nicolas Namias, CEO do BPCE | Foto: BPCE

Nicolas Namias, CEO do BPCE | Foto: BPCE

O Grupo BPCE, que recentemente chegou a acordo para adquirir o Novo Banco, tem um outro negócio internacional em ‘stand by’. Em janeiro, o grupo chegou a acordo com a maior seguradora italiana, a Generali, para juntarem as suas gestoras de ativos – a Natixis Investment Managers, do lado do BPCE, e a Generali Investments Holding, da Generali – e criarem o maior ator neste campo em receitas geradas. Contudo, a operação não foi bem acolhida do lado italiano, nomeadamente ao nível governamental.

Este é apenas um dos vários negócios em que o Grupo BPCE embarcou no último ano. Além da compra do Novo Banco, também adquiriu o negócio de aluguer de equipamento do Société Générale na Alemanha. O CEO do grupo francês, Nicolas Namias, já reiterou que quer tornar o BPCE um novo ‘player’ europeu com um papel de destaque no financiamento da economia europeia. O líder bancário, citado pelo Financial Times (FT), acredita que são precisos financiadores para apoiar aquelas que são as iniciativas sublinhadas pelo Relatório Draghi ou o Relatório Letta.

Mais ainda, refere que, além dos ditos ‘players’, é necessário apoio por parte dos governos para que o financiamento exista. No entanto, o Governo de Giorgia Meloni tem-se oposto ao avanço desta operação. Segundo fontes conhecedoras do processo citadas pelo periódico britânico, preocupações do executivo italiano e movimentações no setor bancário – setor no qual a Generali está bastante envolvida e que tem tido muita atividade em termos de fusões e aquisições – colocam o negócio em vias de cair por terra.

A transação, esperava o BPCE, devia estar concluída no final deste verão, mas o CEO já indicou que este prazo pode derrapar devido a fatores que não estão sob o controlo da instituição. Acrescentou que a fusão das empresas está “dependente do atual ambiente em Itália” e que os prazos “não estão nas mãos” do BPCE.

Um dos argumentos apresentados, revela o FT, para a insegurança sobre esta operação prende-se com o facto de a Generali ser a maior adquirente de dívida pública italiana, levando a críticas de que esta fusão pode colocar em causa a soberania da dívida pública. Isto já foi contestado por Namias, que afirma compreender a preocupação, mas acredita que o” projeto reforça a soberania financeira de Itália, França e da Europa”. O CEO do BPCE não quis fazer mais comentários sobre discussões com o executivo italiano, adianta o FT.

Questionado sobre o acordo da União Europeia com os EUA, Namias considera que “a soberania regional está a ganhar mais importância do que tinha antes”, reforçando o argumento anterior sobre a questão da soberania dos países e da Europa.

Sobre a possibilidade de o negócio não seguir em frente, Nicolas Namias recusou comentar, frisando que “falar sobre um plano B significa desistir do plano A”.

O BPCE é o segundo maior banco de França e surgiu em 2009, após a fusão do Banque Populaire com o Caisse d’Epargne. 80% das suas receitas têm origem em França. Ainda que a aquisição do Novo Banco vá ter pouco impacto nas receitas vindas de Portugal, a operação permite diversificar o negócio do BPCE.

Recorde-se que o Governo de Itália condicionou fortemente a Oferta Pública de Aquisição do UniCredit sobre o rival Banco BPM. O banco acabou por retirar a oferta após uma luta judicial que estava a obrigar o executivo a retirar parte das suas restrições ao negócio, impostas ao abrigo dos ‘golden powers’.

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