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Paulo Macedo: “Prefiro financiar habitação do que ter gente acampada”

CEO do banco público diz que faltam 300 mil casas no mercado e que é necessário “reconstruir a capacidade produtiva do setor da construção”

05 Nov 2026 - 18:28

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Paulo Macedo CEO da CGD | Foto

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Paulo Macedo CEO da CGD | Foto

“O problema da habitação vai durar anos. Não se vai resolver numa legislatura”, disse, nesta quinta-feira, Paulo Macedo, durante a apresentação dos resultados do terceiro trimestre da Caixa Geral de Depósitos (CGD). O CEO do banco público defendeu que “não se pode só contar metade da história”, a propósito da garantia pública, acrescentando: “Prefiro financiar habitação do que ter gente acampada”.

Para aquele responsável, “a evolução do preço imobiliário em Portugal não é normal”. No entanto, acrescentou que, “quando faltam 300 mil casas e existe uma procura significativa, o preço das casas não vai baixar tão depressa”.

Paulo Macedo acrescentou ainda que “uma variável pouco falada na questão da crise da habitação é o facto de termos mais um milhão de pessoas em Portugal”.

“A Caixa tem obrigação de financiar todo o tipo de casas, incluindo as casas de luxo. Temos o propósito de financiar todo o tipo de casas”, afirmou o responsável.

Paulo Macedo deu exemplos do financiamento à habitação, referindo que “na CGD os valores médios do crédito à habitação são de 162 mil euros. Nos jovens com menos de 35 anos, esse valor médio é de 195 mil euros e as casas compradas com garantia do Estado têm um valor médio [na CGD] de 225 mil euros”. A taxa de incumprimento no crédito à habitação é de 0,5%.

“Estou mais preocupado com o risco de cibersegurança do que com o risco do crédito à habitação”, disse o CEO da CGD, revelando que o rácio loan-to-value no segmento da habitação é de 61%. “As casas poderiam desvalorizar significativamente”, referiu.

Para aquele responsável, “temos um financiamento muito significativo para a construção; o que precisamos é que haja projetos”, acrescentando que a taxa de aprovação de projetos na CGD “é de 90%”.

Em relação à dimensão social do problema da habitação, Paulo Macedo defendeu a celebração de acordos com as autarquias, “como aconteceu no Porto ou em Matosinhos”, acrescentando que “é preciso materializar as medidas que já foram aprovadas, por exemplo, ao nível das facilidades de licenciamento. As pessoas querem perceber como se materializa esta facilidade de licenciamento”.

“Depois, existe a questão de como é que se vai conseguir reconstruir a capacidade produtiva do setor da construção”, referiu, acrescentando que a “industrialização da construção é uma opção, já que é preciso tornar as casas mais baratas e fazem-se casas com componentes industriais de grande qualidade”.

Em relação aos benefícios fiscais para a habitação, Paulo Macedo considera que “temos de ser muito seletivos”, referindo ainda que tem de “haver um mercado de arrendamento muito mais dinâmico. Também aqui é necessária previsibilidade no mercado de arrendamento”.

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