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Portugal sai bem na análise do BCE às consequências da fragmentação geoeconómica
O supervisor analisou as consequências dos choques geopolíticos nos sistemas financeiros europeus, partindo do exemplo da invasão russa da Ucrânia.
26 Jan 2026 - 07:15
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Christine Lagarde, presidente do BCE em Davos: "a Europa precisa de unidade mais do que nunca!"/Foto: Fórum Económico Mundial
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Christine Lagarde, presidente do BCE em Davos: "a Europa precisa de unidade mais do que nunca!"/Foto: Fórum Económico Mundial
O Banco Central Europeu (BCE) e o Conselho Europeu do Risco Sistémico (CERS) publicaram um relatório conjunto intitulado “Riscos para a estabilidade financeira decorrentes da fragmentação geoeconómica”, no qual analisam de que forma o aumento dos riscos geopolíticos e da incerteza pode afetar a estabilidade financeira na área do euro e em toda a União Europeia.
O documento identifica os principais canais de transmissão através dos quais os choques geopolíticos se podem propagar ao sistema financeiro. As principais conclusões apontam para o facto de o impacto destes choques ser heterogéneo entre os Estados-Membros da União Europeia, sendo que as economias mais abertas e aquelas com rácios de dívida pública mais elevados tendem a ser mais vulneráveis aos efeitos de amplificação.
Em resposta aos choques geopolíticos, os bancos e as instituições financeiras não bancárias ajustam os seus balanços, reduzindo a concessão de crédito, em especial as exposições transfronteiriças. Embora esta reação diminua a exposição do sistema financeiro a choques externos, limita também a diversificação internacional.
Num contexto de crescente fragmentação geoeconómica e de persistente incerteza geopolítica, o BCE e o CERS sublinham a importância de conjuntos de dados mais completos e harmonizados, bem como de análises de cenários complementares, para preservar a estabilidade financeira e reforçar a resiliência económica.
A análise das consequências do primeiro grande choque geopolítico — a invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022 — revela uma considerável heterogeneidade entre países no impacto estimado. A magnitude e a persistência desses efeitos variaram significativamente. Ainda assim, uma classificação consistente com o modelo baseia-se nas respostas da confiança (do lado da procura) e dos custos de financiamento (do lado da oferta).
Os países que registaram fortes quebras na confiança e aumentos acentuados dos custos de financiamento apresentaram uma contração do crédito mais pronunciada (Bélgica, Itália, Países Baixos, Grécia e Áustria), o que poderá estar relacionado com o canal de reprecificação do risco ou com o canal das expectativas, que conduz ao aperto das condições financeiras.
Em contraste, os países com movimentos mais moderados da confiança e com um impacto mais limitado dos custos de financiamento registaram apenas quedas modestas do crédito (em média ponderada pelo PIB), como foi o caso da Alemanha, França, Portugal, Eslovénia e Eslováquia. Ainda assim, a heterogeneidade manteve-se.
Algumas pequenas economias abertas — geralmente aquelas com mercados financeiros mais profundos e integrados, como a Bélgica, os Países Baixos e a Áustria — revelaram-se particularmente vulneráveis a estes choques. Por outro lado, economias maiores, como a Alemanha e a França, bem como vários países de menor dimensão, incluindo Portugal, a Eslováquia e a Eslovénia, pareceram ser menos afetados.
Outro país de grande dimensão, a Espanha, bem como vários países mais pequenos, como Malta, a Letónia e a Finlândia, situaram-se numa posição intermédia quanto às consequências dos choques geopolíticos.
Tal como a presidente do BCE escreveu na sua rede social LinkedIn, após o encerramento do Fórum Económico Mundial em Davos, na Suíça: “a principal conclusão que se destaca para mim é a seguinte: a Europa precisa de unidade mais do que nunca.”
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