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Revolut aparece como 8.º banco mais sólido no exercício da EBA
Exercício da Autoridade Bancária Europeia (EBA) exclui do Top 10, em termos de solvência, os grandes grupos financeiros. Em Portugal apenas a Caixa Geral de Depósitos apresenta um rácio CET1 superior à média europeia.
12 Dez 2025 - 07:15
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Foto: Revolut
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Foto: Revolut
O último exercício de Avaliação de Riscos realizado este ano pela Autoridade Bancária Europeia (EBA) revelou resultados curiosos em termos de solidez financeira das várias instituições europeias. Os exercícios de transparência da EBA foram publicados em conjunto com o exercício de transparência a nível da UE de 2025, que colocou 119 entidades de 25 países — entre elas três bancos portugueses (Caixa Geral de Depósitos, Millennium bcp e Novo Banco) — sob escrutínio, abrangendo diversas métricas, como posições de capital, qualidade dos ativos, eficiência e endividamento, entre outras.
A entidade confirmou que os bancos da União Europeia (UE) e do Espaço Económico Europeu (EEE) mantêm uma situação financeira sólida em termos de capital, liquidez, rentabilidade e qualidade dos ativos. No entanto, a EBA apelou à necessidade de vigilância contínua, uma vez que persistem a incerteza geopolítica, a volatilidade dos mercados e o aumento dos riscos operacionais.
No Top 10 dos bancos mais sólidos — tomando como referência a principal medida de solidez financeira de um banco segundo Basileia III, o rácio Common Equity Tier 1 (CET1) — não surge nenhum dos grandes grupos financeiros europeus.
No caso português, e considerando a média europeia do CET1 (16,33%), apenas a Caixa Geral de Depósitos apresenta um indicador superior: 20,26%, surgindo abaixo do 30.º lugar. O Millennium bcp, com um rácio CET1 de 16,31%, fica marginalmente abaixo da média europeia e abaixo da 50.ª posição, enquanto o Novo Banco apresenta um rácio de 16,10%.
Ainda assim, os bancos portugueses mostram uma solidez financeira bastante superior à dos seus congéneres espanhóis, como o CaixaBank, com um CET1 de 12,25%. O francês BNP Paribas — um dos maiores bancos europeus em ativos e capitalização bolsista — surge no penúltimo lugar. Santander, Sabadell, Bankinter e Intesa Sanpaolo encontram-se entre as últimas 10 posições das 119 instituições analisadas.
O banco mais bem capitalizado no exercício da EBA é o sueco Kommuninvest, o maior financiador da administração pública sueca, com mais de 52 mil milhões de euros em empréstimos sob gestão. Segundo os dados de final de junho, o seu rácio CET1 ultrapassou os 352%, quase quatro vezes mais do que o segundo classificado, o finlandês Kuntarahoitus Oyj, especializado em financiamento do setor público, que apresenta um CET1 de 89,37%. A fechar o pódio está o BNY Mellon, o quinto maior banco da Bélgica, com um rácio CET1 de 74%.
O único banco alemão entre os 10 mais sólidos da Europa é o State Street Europe Holdings Germany, com um CET1 de 40,65%.
A grande surpresa, porém, é a presença da Revolut no oitavo lugar. O único neobanco que participa há três anos nos exercícios da EBA integra agora o grupo das 10 entidades mais solventes. Com um rácio CET1 de 31,32%, posiciona-se como o oitavo banco mais capitalizado, muito à frente dos gigantes financeiros europeus.
A esta forte posição de solvabilidade, a Revolut acrescenta uma morosidade mínima: a sua carteira — mais pequena do que a da maioria dos seus concorrentes — regista apenas 0,27% de créditos problemáticos.
A Revolut destaca-se também no endividamento, com 4,88% face a uma média europeia de 5,90%, e na qualidade dos ativos. No ranking da EBA, fecha o Top 10 das entidades com menor taxa de incumprimento, empatando com o banco neerlandês BNG Bank, excluindo a dúzia de instituições para as quais o regulador não divulga dados de crédito problemático.
A EBA considera que a “sólida posição de capital dos bancos é impulsionada por uma rentabilidade robusta. Apesar da queda na receita líquida de juros, os bancos mantiveram lucros elevados graças à resiliência das receitas de tarifas e comissões e ao controlo de custos”, acrescentando que “com a eficiência de custos agora como prioridade estratégica, a automação e a digitalização desempenham um papel cada vez mais importante”.
“Os índices de liquidez permanecem bem acima dos requisitos regulatórios, mas as reservas migraram para ativos soberanos, aumentando a sensibilidade à volatilidade do mercado”, refere a autoridade europeia, acrescentando que “alguns bancos podem enfrentar riscos de financiamento e liquidez em moeda estrangeira, especialmente em dólares americanos. O crescente interesse nas stablecoins pode afetar a gestão do risco de financiamento e liquidez dos bancos no longo prazo”.
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