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Sistema europeu único de pagamentos está prestes a nascer
As duas maiores plataformas privadas vão unir-se numa empresa-mãe que irá desenvolver uma solução única a lançar no primeiro semestre de 2026, destinada a competir com a Mastercard e a Visa.
09 Dez 2025 - 12:30
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Aquilo que há décadas vem sendo discutido nos corredores de Bruxelas poderá finalmente ver a luz do dia nos primeiros meses de 2026. Todos os agentes de mercado — empresas, supervisores, legisladores e consumidores — estão alinhados numa ideia comum: a criação de um sistema europeu de pagamentos instantâneos, totalmente autónomo, capaz de concorrer com os gigantes norte-americanos Visa e Mastercard, num mercado com 380 milhões de consumidores. Trata-se de um primeiro, mas decisivo, passo para a construção de um verdadeiro mercado único de serviços financeiros.
A aliança EuroPA, que integra o espanhol Bizum (operante em Espanha e Andorra), bem como as soluções gémeas de Itália (Bancomat Pay), Portugal (Sociedade Interbancária de Serviços — SIBS) e Noruega, Dinamarca e Finlândia (Vipps MobilePay), está já a trabalhar com a EPI Company (European Payments Initiative) — promotora da solução franco-alemã Wero — para constituir uma empresa comum que funcionará como entidade-mãe, com o objetivo de impulsionar o desenvolvimento do colosso paneuropeu, adianta nesta terça-feira o jornal digital espanhol El Economista.
O lançamento está previsto para o início do próximo ano, com uma gestão independente por parte dos participantes e a missão de facilitar a entrada de novos países, incluindo fora da zona euro, segundo fontes bem informadas citadas pelo mesmo jornal.
A ideia orientadora é criar uma estrutura capaz de resistir ao passar do tempo, que se torne a voz central de todas as entidades aderentes, incluindo perante autoridades, supervisores e reguladores, estabelecendo também um modelo de negócio com tarifas aplicáveis às soluções participantes, de forma a assegurar o seu financiamento.
A nova entidade será igualmente dotada de um hub que funcionará como solução técnica central, permitindo tornar a infraestrutura escalável a mais países. No arranque, a aliança reunirá já 15 países, havendo ainda mais meia dúzia de mercados interessados em aderir ao projeto.
Com a iniciativa European Payments Alliance (EuroPA), entram Espanha e Andorra graças à operação do Bizum em ambos os mercados, juntamente com Itália e Portugal. Em maio, juntaram-se ainda o esquema Blik, que opera na Polónia e na Eslováquia, e a plataforma Vipps MobilePay, ativa na Noruega, Dinamarca, Finlândia, Suécia, Gronelândia e Ilhas Faroé — embora nem todos estes países tenham ingressado na primeira fase de associação.
O esquema Wero, da EPI, arrancou com a banca da Alemanha, França e Bélgica, e no próximo ano integrará também o sistema financeiro do Luxemburgo e dos Países Baixos. Algumas entidades da Áustria deram igualmente passos nesse sentido.
No conjunto, estas iniciativas cobrem uma geografia com mais de 380 milhões de habitantes, dos quais mais de 120 milhões são utilizadores dos sistemas de pagamento envolvidos, com o Bizum a liderar o ranking, somando mais de 30 milhões de clientes.
A ambição de completar o mapa europeu e construir um gigante continental dos pagamentos instantâneos passa por trabalhar em duas frentes: agilizar a adesão de mercados onde já existam soluções semelhantes e propor alternativas em jurisdições onde estas ferramentas não estejam disponíveis, quer para as implementar, quer para as desenvolver.
Países como Bulgária, Eslovénia e Finlândia enquadram-se no primeiro caso, por disporem de serviços de pagamentos instantâneos designados, respetivamente, Blink, Flik e Siirto; bem como a Hungria, que conta com o qvik, e a Roménia, com o Transfond. Na zona euro, Malta, os países bálticos, Chipre e Croácia não possuem ferramentas comparáveis, pelo que, caso decidam avançar, terão de adotar alguma das soluções já existentes ou desenvolver esquemas próprios.
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