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Teresa Cardoso de Menezes: “O mais difícil de construir e replicar não é o algoritmo, mas a qualidade, profundidade e governação dos dados que o alimentam”
12 Out 2026 - 07:20
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Teresa Cardoso de Menezes diretora geral da Informa DB
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Teresa Cardoso de Menezes diretora geral da Informa DB
Esta semana, o Jornal PT50 organiza a conferência “AI e Data Summit – a qualidade dos dados na Banca e Seguros, do risco à confiança”. É neste contexto que Teresa Cardoso de Menezes, Diretora-geral da Informa D&B, patrocinadora do evento, explica ao Jornal PT50 porque é que os dados e a sua qualidade ganham ainda mais relevância na era da inteligência artificial.
Uma conversa que antecipa o que vai estar em debate na próxima Quinta-feira, em Lisboa, no Hotel Palácio da Anunciada, com a participação de representantes das principais instituições financeiras portuguesas.
Numa altura em que se discutem os perigos da IA, de que forma a qualidade dos dados é uma vantagem competitiva nomeadamente no setor bancário e segurador?
A qualidade dos dados sempre foi uma vantagem competitiva para as empresas. A Inteligência Artificial (IA) vem mostrá-lo claramente, na medida em que se alimenta desses dados, utilizando-os de forma mais profunda e sofisticada. No setor bancário e segurador, os modelos de IA tendem a tornar-se uma commodity. O recurso à IA por parte das empresas deste setor permite executar funções fundamentais para a sua atividade, como avaliação do risco de crédito, identificação mais rápida de fraudes, deteção de sinais precoces de incumprimento ou sinistralidade, ou definição de preços mais ajustados ao risco real.
No entanto, o mais difícil de construir e replicar não é o algoritmo, mas a qualidade, profundidade e governação dos dados que o alimentam. A eficácia da IA depende diretamente da qualidade dos dados e da existência de mecanismos robustos de governação, controlo e compliance. Se os dados forem incompletos ou incorretos, a IA apenas automatiza esses erros, repercutindo-os nas decisões das empresas.
A qualidade da informação já é uma preocupação estratégica na governance da banca e dos seguros em Portugal?
Sem dúvida, mas é importante explicar porquê. Há muito tempo que a qualidade da informação é uma preocupação do setor financeiro. O que mudou realmente é a utilização ‘estratégica’ dessa informação, que hoje é um instrumento para a competitividade dessas empresas.
Historicamente, esta preocupação surgiu devido a exigências regulatórias de autoridades como o Banco de Portugal, Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões, Autoridade Bancária Europeia ou Banco Central Europeu. Os bancos e as seguradoras procuravam dados de qualidade porque tinham de cumprir regras de compliance.
Mas a IA introduziu novas potencialidades na utilização desta informação. Já não se trata apenas de compliance. Atualmente, essa informação é essencial para competir, dando um novo relevo à sua função estratégica.
A Informa D&B comemora este ano 120 anos. Com tem evoluído o setor da informação empresarial nos últimos anos?
Os 120 anos da Informa D&B são uma história de transformação, que acompanhou sempre a forma de fazer negócios. A nossa missão é essencialmente a mesma desde o início – produzir inteligência que apoia os empresários e gestores a tomar as melhores decisões. E a confiança nos dados que oferecemos mantém-se como um dos nossos principais ativos.
O que mudou dramaticamente desde o início do século XXI foram os processos para produzir essa inteligência e para a incorporar nos processos de decisão das empresas. Compreendemos desde sempre que a mudança é a única constante no mundo dos negócios.
Ao longo deste percurso, assumimos os desafios enfrentados pelos empresários e gestores como os nossos próprios desafios, liderando a inteligência empresarial com métodos e serviços inovadores. O desenvolvimento tecnológico que introduzimos nas nossas operações oferece soluções de conhecimento empresarial mais eficientes – uma evolução conduzida pelo talento das pessoas que, na Informa D&B, procuram continuamente explorar estas capacidades.
Com a IA, a confiança que a nossa informação merece tornou-se ainda mais valiosa. Quando os algoritmos processam milhões de dados em frações de segundo, a origem confiável deixa de ser um luxo e passa a ser uma infraestrutura crítica.
Quais são, na sua perspectiva, os grandes desafios colocados por este sector na próxima década?
A próxima década vai ser extraordinariamente interessante e antevejo o papel fundamental que a Informa D&B vai desempenhar, capacitando as empresas a usar a tecnologia com visão, confiança e conhecimento, oferecendo maior sofisticação analítica e maior capacidade preditiva.
São anos que vão trazer muitos e novos desafios, relacionados com a complexidade e a privacidade dos dados, com a utilização responsável da IA e com a rápida evolução da sua regulação, ou com a sustentabilidade nas empresas e o seu escrutínio. Mas sei que a nossa genética já mostrou muitas vezes, que sabe transformar desafios em oportunidades para aprender e evoluir.
Vamos enfrentar o desafio da complexidade dos dados, pois perante dados com origem em fontes diferentes, em tempo real e com níveis de estruturação diferentes, é preciso experiência para dar ordem à complexidade, transformando-a em informação confiável.
Vai crescer uma tensão que já existe, entre as restrições na utilização dos dados, à semelhança do RGPD, e a necessidade de alimentar a IA com mais informação, se quisermos melhorar a sua precisão. Mas vejo isto como uma oportunidade para liderarmos uma ‘IA responsável’, que seja eficaz ao mesmo tempo que respeita a privacidade. Em geral, a velocidade da regulação vai acompanhar a velocidade da tecnologia. E será fundamental compreendermos e anteciparmos mudanças, sendo co-criador de standards de atuação.
Vamos enfrentar o desafio da educação, pois não estamos apenas a falar de tecnologia. É fácil ter acesso a uma IA sofisticada, mas é mais difícil saber utilizá-la bem e, para isso, as equipas precisam de conhecimento, de maior literacia em dados, de capacidade de questionar outputs e isto é uma questão de educação.
Na próxima década, as empresas vão também enfrentar o desafio da sustentabilidade e vão ter de mostrar as suas práticas ESG através de relatórios em que a capacidade de verificação e escrutínio confiável vai fazer uma enorme diferença na sua legitimidade e capacidade de atuação e crescimento.
Porém, estes desafios que vamos enfrentar na próxima década, que vão ser em maior número, mais complexos e mais rápidos, são também uma fonte de entusiasmo, como foram sempre no passado. Aquilo que construiu a nossa liderança na inteligência empresarial – o rigor, a aprendizagem, experiência e inovação, a profundidade e o compromisso genuíno com o sucesso dos nossos clientes – continua presente todos os dias na Informa D&B e é ainda mais importante quando tudo o resto muda.
Para saber mais sobre o “AI & Data Summit – A Qualidade dos dados na Banca e Seguros, do Risco à Confiança” vai aqui.
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