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Verena Ross: “Os mercados de capitais europeus estão a render abaixo do seu potencial”

Presidente da autoridade europeia de supervisão dos mercados de capitais elenca “os suspeitos do costume” em termos de riscos a acompanhar em 2026

01 Fev 2026 - 10:30

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Verena Ross, presidente da ESMA | Foto: linkedIn

Verena Ross, presidente da ESMA | Foto: linkedIn

A presidente da Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados (ESMA) considera que os mercados de capitais europeus estão a render abaixo do seu potencial. Numa intervenção realizada esta semana no European Banking Summit, que decorreu em Bruxelas, Verena Ross sublinhou a necessidade absoluta de avançar com o “Pacote de Integração dos Mercados”, proposto pela Comissão Europeia e pela comissária Maria Luís Albuquerque.

“Os mercados de capitais são a ponte entre aforradores e investidores. Ligam famílias à procura de rendimentos a empresas que procuram financiamento para inovar, expandir-se e criar emprego. Naturalmente, os mercados de capitais não substituem os bancos; complementam-nos, fornecendo capital de longo prazo e absorção de risco que o crédito bancário, por si só, nem sempre consegue assegurar”, afirmou Ross.

A responsável considerou que “atualmente, os mercados de capitais europeus estão a render abaixo do seu potencial. O desfasamento entre a abundância de poupança, por um lado, e a lacuna de financiamento, por outro, indica a existência de elos em falta e de barreiras à circulação de capital”. Acrescentou ainda que “as consequências já se fazem sentir no quotidiano: as empresas enfrentam custos mais elevados; empresas ambiciosas têm dificuldade em crescer e algumas optam por sair; os investidores dispõem de um leque mais limitado de opções para obter retornos significativos. Tudo isto trava a produtividade, a inovação e o crescimento a longo prazo”.

A presidente da ESMA afirmou que a iniciativa da União da Poupança e do Investimento, protagonizada pela comissária dos Serviços Financeiros, “tornou-se estrategicamente crucial. Está no centro do crescimento, da competitividade e da resiliência da Europa — algo que foi reconhecido ao mais alto nível político”.

Quanto aos riscos que os mercados poderão enfrentar em 2026, Verena Ross apontou “os suspeitos do costume”: o aumento das ameaças cibernéticas e híbridas que podem afetar infraestruturas críticas; as avaliações elevadas dos ativos, em parte impulsionadas pelo entusiasmo em torno da inteligência artificial, e a exposição concentrada dos investidores de retalho a um número reduzido de ações norte-americanas; bem como a crescente interligação entre diferentes segmentos do setor financeiro, incluindo bancos e os chamados bancos sombra, ativos tradicionais e criptoativos, e o aumento da negociação de produtos complexos ou criptoativos por investidores de retalho, reforçado por enviesamentos digitais e pelas redes sociais.

Neste contexto, referiu ainda, “a materialização de conflitos geopolíticos e comerciais globais — hoje mais real do que nunca — poderá desencadear uma cascata de disrupções que nenhum de nós deseja imaginar. Uma maior fragmentação e uma volatilidade persistente dos preços estariam entre as consequências prováveis”.

“O Pacote de Integração dos Mercados (MIP ou MISP — a terminologia ainda não parece totalmente estabilizada) é um dos primeiros grandes testes à ambição política da União Europeia para concretizar a visão da União da Poupança e do Investimento. No seu núcleo, o pacote visa fazer com que os mercados de capitais europeus funcionem menos como 27 mercados adjacentes e mais como um ecossistema verdadeiramente integrado”, concluiu Verena Ross.

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