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Vítor Gaspar foi um dos economistas que calculou a dívida mundial

Ex-ministro das Finanças de Passos Coelho é diretor do Departamento de Assuntos Fiscais do FMI desde 2014

18 Set 2025 - 17:05

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Foto: Vítor Gaspar | FMI

Foto: Vítor Gaspar | FMI

A dívida mundial estabilizou. Os governos gastaram mais e as famílias foram mais contidas. Segundo as contas do Fundo Monetário Internacional (FMI) — trabalho divulgado nesta semana e em que participou o ex-ministro das Finanças português, Vítor Gaspar — a dívida total pouco se alterou no ano passado, fixando-se ligeiramente acima de 235% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial.

A dívida privada recuou para menos de 143% do PIB, o nível mais baixo desde 2015, refletindo uma redução no passivo das famílias e pouca variação na dívida das empresas não financeiras. Em contraste, a dívida pública aumentou para quase 93%, de acordo com a base de dados do FMI, que resulta de um inquérito anual sobre o valor e a composição da dívida detida por governos, empresas e famílias.

Em dólares americanos, a dívida total aumentou ligeiramente para 251 biliões, com a dívida pública a subir para 99,2 biliões e a dívida privada a descer para 151,8 biliões.

Estas médias globais escondem, contudo, diferenças significativas entre países e faixas de rendimento. Embora os Estados Unidos e a China continuem a desempenhar um papel dominante na dinâmica da dívida global, os níveis de dívida e de défice em muitos países permanecem elevados e preocupantes face aos padrões históricos, tanto em economias avançadas como em economias emergentes.

Nos EUA, a dívida do governo geral subiu para 121% do PIB no ano passado (face a 119% em 2023), enquanto a China registou um aumento para 88% (de 82% em 2023). Excluindo os EUA, a dívida pública nas economias avançadas caiu mais de 2,5 pontos percentuais, para 110% do PIB. As subidas em algumas grandes economias, como França e Reino Unido, foram compensadas por descidas no Japão e em economias mais pequenas, como Grécia e Portugal.

No caso português, a dívida pública fixou-se em 270,7 mil milhões de euros, equivalente a 95,3% do PIB, o valor mais baixo desde 2010.

Excluindo a China, a dívida pública nos mercados emergentes e economias em desenvolvimento desceu para menos de 56%, em média.

Segundo o FMI, “o défice orçamental global persistentemente elevado, em média em torno de 5% do PIB, é o principal motor do aumento da dívida pública. Esse défice continua a refletir os custos herdados da Covid-19 — como subsídios e benefícios sociais — combinados com o aumento dos custos líquidos dos juros”.

Para a instituição, “os governos devem ajudar a gerir estas tendências, priorizando ajustamentos orçamentais graduais no âmbito de um plano de médio prazo credível para reduzir a dívida pública, ao mesmo tempo que evitam a exclusão do endividamento e do investimento privados. Em simultâneo, promover um ambiente que impulsione o crescimento económico e reduza a incerteza ajudará a aliviar a dívida pública e a incentivar o investimento do setor privado”.

Recorde-se que Vítor Gaspar é diretor do Departamento de Assuntos Fiscais do FMI desde 2014.

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