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3 min leitura

Vivam as mulheres

Por Cristina Dias Neves, Diretora do Jornal PT50

07 Mar 2026 - 08:20

3 min leitura

A propósito do Dia da Mulher, que se comemora no próximo domingo, desafiaram-me a abordar este tema. É um assunto pelo qual, apesar de ser mulher e profissional, não me apaixono particularmente. Já participei em grupos de mulheres profissionais e confesso que não adorei. Desconfio sempre de quem se envolve ativamente em causas públicas que são também as suas causas privadas. Bem sei que é humano e elementar que isso aconteça, mas não me sinto confortável nesse duplo papel.

E porque o tema da liderança feminina continua a ser tão discutido — como foi, por exemplo, a ênfase dada ao facto de Isabel Guerreiro ser a primeira mulher presidente de um grande banco em Portugal — tomo como ponto de partida o seu depoimento na audição junto da Comissão de Orçamento, a propósito do tema do “cartel da banca”, que aqui referi na semana passada.

E devo dizer o seguinte:

-A presidente do Santander fez mais pelo fomento da liderança feminina ao depor naquela comissão do que cem congressos e palestras que são organizados anualmente sobre o tema.

O exemplo que deu de assertividade, de preparação e de argumentação no espaço público é mais forte do que todas as declarações de vontade e intenções como, por exemplo, a celebração do dia da mulher.

Bem sei que, para Isabel Guerreiro estar lá, foi preciso abrir esta discussão — e provavelmente esta foi impulsionada nestes tais congressos e palestras. E também sei que o Santander tem promovido, nos últimos anos, uma política de incentivo à liderança feminina que não será certamente alheia a esta escolha. Mas isto não diminui o seu mérito, pelo contrário, apenas sublinha a importância de facilitar e valorizar o acesso de  mulheres a cargos de liderança.

Apesar de termos exemplos no sistema financeiro como Isabel Guerreiro, Maria Cândida Rocha e Silva — a primeira mulher corretora oficial da Bolsa portuguesa e atual presidente do Banco Carregosa —, Christine Lagarde ou mesmo Maria Luís Albuquerque, chamo a atenção para o facto de que o tema do acesso das mulheres a cargos de chefia está longe de estar fechado. Atualmente, registamos um retrocesso, com a falta de apoio por parte da nova administração americana, que o trata como um subproduto da agenda woke e restringe as grandes companhias americanas de serem ativas neste domínio.

Uma pena. Vivemos tempos muito voláteis. Se há algo em que claramente temos evoluído nos últimos cem anos, é na inclusão das mulheres na vida pública. Não deveríamos nunca permitir que esse processo entre em estagnação. Não estamos em condições de desperdiçar talento.

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