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Warsh prepara mercados para uma subida dos juros: “Devemos ter certeza de que a inflação caminha em direção à meta, de forma clara e com velocidade”

Discurso do presidente da Reserva Federal norte-americana no simpósio de Jackson Hole deixa antever uma subida dos juros em setembro

28 Ago 2026 - 15:42

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Kevin Warsh, presidente da FED, discursa em Jackson Hole

Kevin Warsh, presidente da FED, discursa em Jackson Hole

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Era um dos discursos mais esperados da semana. Tratou-se da primeira intervenção de Kevin Warsh como presidente da Reserva Federal norte-americana no simpósio de Jackson Hole, que decorre até sábado nas Montanhas Rochosas do Wyoming, nos Estados Unidos, patrocinado pelo Federal Reserve Bank of Kansas City.

A grande questão que se colocava era saber o que Warsh diria em relação à inflação, que se encontra nos 3,4%, muito acima dos 2% que constituem a referência da Fed, embora tenha descido ligeiramente face a junho (3,5%).

Muitos presidentes dos vários bancos da Reserva Federal que compõem a Fed já se manifestaram publicamente sobre a necessidade de subir os juros.

Kevin Warsh não desiludiu. Mas a sua intervenção pode não ter agradado ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que nomeou Warsh para a presidência da Fed e sempre exigiu que a Reserva Federal baixasse os juros para estimular o crescimento da economia norte-americana.

O presidente da FED desconfia dos números da inflação. “No que diz respeito à estabilidade de preços, dentro do nosso mandato, os números são mais preocupantes. A medida de inflação preferida da Fed, a variação em 12 meses do índice de preços PCE, está em 3,7%, enquanto a variação em seis meses é de 4,1%. As medidas comparáveis do índice de preços no consumidor (IPC) também estão elevadas, assim como os núcleos da inflação, tanto do PCE como do IPC”, disse Warsh, acrescentando: “Nenhuma destas medidas é perfeita, mas todas contam uma história semelhante: a inflação está acima da nossa meta de 2%. Portanto, o foco principal da Fed neste momento deve ser o controlo dos preços.”

Segundo aquele responsável, “embora os índices de PCE e IPC deste verão tenham sido melhores do que o esperado, eles não me dizem que as tendências subjacentes tenham melhorado significativamente”.

Para Warsh, “há um sinal que ninguém pode ignorar: a responsabilidade por 65 meses de inflação elevada e sustentada recai inteiramente sobre o banco central. E é lá que ela deve estar”.

“Eis o meu padrão: devemos ter certeza de que a inflação subjacente está a caminhar em direção à nossa meta, de forma clara e com velocidade suficiente. Caso contrário, temos trabalho a fazer. Essa é a nossa tarefa… o nosso mandato… e a nossa responsabilidade de cumpri-lo”, referiu o presidente da Fed.

Em conclusão, Warsh afirmou: “Estou aqui hoje comprometido com uma disciplina, não com uma decisão.”

“Levamos a nossa responsabilidade a sério, com humildade e determinação. Muito depende das escolhas que fazemos. Uma política monetária sólida ajuda famílias e empresas a prosperarem. Quando implementada de forma eficaz, ela amplia e fortalece o dinamismo da nossa economia… e ajuda a garantir a liderança dos Estados Unidos no mundo. E eu sei que o nosso país precisa de que pensemos com cuidado e ajamos com sabedoria.”

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