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10% das famílias mais ricas concentram 59% da riqueza líquida total em Portugal
Os 50% de agregados familiares mais pobres detêm apenas 6% da riqueza líquida total do País
20 Out 2026 - 11:00
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Poupanças continuam a ir para depósitosFotoFreepick
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A distribuição da riqueza líquida em Portugal é muito desigual. Segundo os últimos dados divulgados pelo Banco de Portugal nesta terça-feira, “entre 2010 e 2025, os 10% de famílias com maior riqueza concentravam 59% da riqueza líquida total, enquanto os 50% com menor riqueza líquida detinham 6%. Estes resultados evidenciam uma distribuição da riqueza que se manteve desigual e relativamente estável ao longo do período em análise”.
Numa análise sobre a evolução, a composição e a distribuição da riqueza das famílias em Portugal entre 2010 e 2025, baseada em estatísticas experimentais, a entidade liderada por Álvaro Santos Pereira ordena as famílias pelo valor da sua riqueza líquida e divide-as em três grupos: os 50% de famílias com menor riqueza líquida (abaixo da mediana), os 40% seguintes (entre a mediana e os 10% de famílias com maior riqueza líquida, designados por “top 10%”) e os próprios 10% mais ricos.
A mediana corresponde ao valor da riqueza líquida que divide a população em duas metades com igual número de famílias: uma com riqueza inferior à mediana e outra com riqueza superior.
O Jornal PT50 perguntou ao Banco de Portugal qual o critério utilizado para classificar uma família como “rica”, mas o supervisor invocou razões de confidencialidade para não divulgar um valor de referência para as famílias consideradas ricas.
Assim, recorremos aos dados da Autoridade Tributária (AT) relativos a 2024, que mostram que 12.573 agregados familiares declararam rendimentos anuais superiores a 250 mil euros, o escalão mais elevado de rendimentos considerado no Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRS).
“A composição do património das famílias varia consoante o seu nível de riqueza. Do lado dos ativos, os imóveis predominam em todos os grupos, mas o seu peso é menor nos grupos com maior riqueza. Em 2025, representavam cerca de 74% dos ativos das famílias com riqueza líquida abaixo da mediana e menos de 40% dos ativos dos 10% de famílias com maior riqueza líquida”, refere o Banco de Portugal.
O supervisor acrescenta que, neste último grupo, “as participações em capital representavam 28% do total dos seus ativos. Os depósitos mantinham igualmente uma importância relevante em todos os grupos, representando entre 17% e 21% dos ativos das famílias em 2025”.
Ainda assim, segundo o Banco de Portugal, “entre os 10% de famílias com maior riqueza líquida, as participações em capital tinham um peso superior ao dos depósitos, refletindo uma maior diversificação do seu património financeiro. Este grupo concentrava também a maior parte dos outros ativos detidos pelas famílias. As diferenças na composição dos passivos eram menos acentuadas. No período em análise, os empréstimos à habitação constituíam a principal componente da dívida em todos os grupos”.
Na comparação com a área do euro, o supervisor conclui que “a parcela da riqueza detida pelas famílias com menor riqueza líquida era maior em Portugal. Entre 2010 e 2025, as famílias abaixo da mediana detinham, em média, 6,1% da riqueza total em Portugal, em comparação com 4,5% na área do euro. Esta diferença está associada ao peso elevado dos imóveis no património das famílias portuguesas com menor riqueza”.
Índice de Gini revela níveis de desigualdade semelhantes aos da área do euro
O índice de Gini é um indicador que mede a desigualdade na distribuição da riqueza entre as famílias e varia entre 0 e 100. Quanto maior for o seu valor, maior é a desigualdade. Um índice de 0 corresponde a uma distribuição perfeitamente igualitária, em que todas as famílias possuem a mesma riqueza.
Entre 2010 e 2025, Portugal e a área do euro registaram evoluções semelhantes da desigualdade na distribuição da riqueza. Em ambos os casos, a desigualdade aumentou ao longo da década de 2010, diminuiu no final desse período e voltou a aumentar nos anos seguintes. Em 2025, o índice situava-se em 72,6 em Portugal e em 73,1 na área do euro, revelando níveis de desigualdade próximos.
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