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Mais de metade da riqueza das famílias portuguesas está investida em imobiliário
Património líquido das famílias portuguesas ascendia, no final de 2025, a 1.196 mil milhões de euros, o equivalente a 390% do Produto Interno Bruto
20 Out 2026 - 11:21
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A riqueza líquida das famílias portuguesas ascendia, no final de 2025, a 1.196 mil milhões de euros, o equivalente a 390% da riqueza produzida no país durante um ano, medida pelo Produto Interno Bruto (PIB). Os números foram divulgados nesta terça-feira pelo Banco de Portugal, numa análise sobre a evolução, a composição e a distribuição da riqueza das famílias em Portugal entre 2010 e 2025, baseada em estatísticas experimentais.
“Os imóveis, sobretudo os destinados a habitação, são a principal componente dos ativos das famílias portuguesas, representando cerca de metade do seu valor. Entre 2010 e 2025, o valor dos imóveis aumentou quase 50%, passando de 473 para 708 mil milhões de euros, em linha com a evolução apurada nas contas nacionais, que servem de referência às estatísticas de distribuição da riqueza. Este aumento refletiu sobretudo a valorização dos imóveis”, adianta o Banco de Portugal.
No final de 2025, os imóveis representavam 52% do total dos ativos das famílias, uma proporção inferior aos 54% registados no início de 2010, à medida que os portugueses foram diversificando o seu património.
A seguir aos imóveis, destacam-se as participações em capital, incluindo em empresas familiares, e os depósitos. Em 2025, cada uma destas componentes representava 19% do total dos ativos das famílias, face a 14% e 16%, respetivamente, em 2010.
De acordo com a análise publicada pelo Banco de Portugal, os depósitos continuavam a ser a principal aplicação financeira das famílias, embora a composição dos seus ativos financeiros se tenha tornado mais diversificada.
Os restantes ativos tinham um peso mais reduzido. Nesta categoria incluem-se títulos de dívida, unidades de participação em fundos de investimento, direitos associados a seguros de vida e anuidades, bem como outros ativos não financeiros, como maquinaria, equipamentos e imóveis não residenciais ou utilizados na atividade empresarial.
Em conjunto, estes ativos representavam 10% do total dos ativos das famílias em 2025, uma proporção inferior aos 16% registados em 2010.
Do lado do passivo, a dívida das famílias continuava a estar sobretudo associada ao crédito à habitação. Em 2025, estes empréstimos representavam 77% do total dos passivos das famílias, face a 82% em 2010. Já os empréstimos destinados a outras finalidades aumentaram o seu peso de 18% para 23% do total dos passivos no mesmo período.
De acordo com o Banco de Portugal, liderado por Álvaro Santos Pereira, “em Portugal, a riqueza líquida mediana aumentou de 77 mil euros, em 2010, para 104 mil euros, em 2025. No conjunto da área do euro, passou de 106 mil euros para 151 mil euros no mesmo período. Apesar deste crescimento, a diferença face à área do euro manteve-se praticamente inalterada. Em 2010, a riqueza líquida mediana das famílias portuguesas correspondia a cerca de 72% da observada na área do euro; em 2025, situava-se em 69%”.
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