4 min leitura
90% dos portugueses não teve uma boa educação financeira na escola
Estudo da Intrum mostra que apenas metade dos adultos recebeu dos pais noções básicas de gestão do dinheiro
23 Jan 2026 - 16:25
4 min leitura
Manuais de Literacia Financeira para o ensino básico
Mais recentes
- 90% dos portugueses não teve uma boa educação financeira na escola
- Christine Lagarde: «É importante falar a verdade!»
- Membro do Bundesbank critica excesso de dívida pública detida pelos bancos europeus
- Crédito Agrícola emite 500 milhões de euros de dívida sénior preferencial social
- Trump processa JPMorgan por encerramento de contas
- Banco do Japão mantém taxa de juro em 0,75% e melhora previsões económicas
Manuais de Literacia Financeira para o ensino básico
De acordo com o European Consumer Payment Report 2025 (ECPR 2025), realizado pela Intrum e divulgado nesta sexta-feira, apenas 10% dos consumidores portugueses afirmam ter tido uma boa educação financeira na escola, abaixo da média europeia de 20%. Os dados relativos a Portugal indicam que a ausência de educação financeira durante a infância está na origem de muitos comportamentos que, mais tarde, conduzem à fragilidade económica, ao sobre-endividamento e à incapacidade de poupança.
O estudo revela que os comportamentos financeiros dos adultos portugueses estão profundamente marcados pelo ambiente em que cresceram. Segundo o ECPR 2025, apenas cerca de metade (51%) dos inquiridos recebeu dos pais noções básicas de gestão do dinheiro e menos de um terço (29%) referiu sentir abertura para discutir temas financeiros em família, valores significativamente inferiores às médias europeias de 46% e 35%, respetivamente.
Por outro lado, 25% dos consumidores recordam o dinheiro como uma fonte frequente de tensão familiar, um valor em linha com a média europeia (26%). A conjugação destes fatores ajuda a explicar porque é que muitos consumidores enfrentam hoje dificuldades na gestão do orçamento, no pagamento das suas contas ou no planeamento financeiro de longo prazo.
Segundo o diretor-geral da Intrum, Luís Salvaterra, «o acesso à educação financeira deve ser universal, obrigatório e estruturado desde cedo. Só assim conseguiremos quebrar o ciclo de fragilidade e garantir que todos têm uma oportunidade real de construir uma vida financeira estável». O responsável acrescenta que «a escola continua a falhar na preparação financeira dos cidadãos. O resultado é um ciclo de fragilidade que começa na infância e se prolonga até à idade adulta. Sem literacia financeira, não há verdadeira igualdade de oportunidades».
Com base no novo Índice de Gestão do Dinheiro, desenvolvido para o ECPR a partir de um inquérito a 20.000 consumidores em 20 países europeus — dos quais 1.000 em Portugal —, a Intrum segmenta os consumidores em três perfis: “Frágeis” (consumidores em risco de vulnerabilidade financeira e com dificuldades em cumprir as suas obrigações), “Adaptados” (consumidores que conseguem equilibrar o dia a dia, mas têm pouca capacidade para lidar com imprevistos) e “Resilientes” (consumidores financeiramente estáveis e confiantes). As diferenças entre estes grupos são visíveis desde o ambiente familiar.
Entre os consumidores considerados “Frágeis” (26% do total de inquiridos), apenas 5% teve formação financeira na escola e mais de um terço (39%) cresceu num ambiente de stress constante relacionado com o dinheiro. Em contraste, entre os “Resilientes” (12% do total), 62% aprendeu com os pais a gerir as finanças, 36% discutia o tema abertamente em casa e 19% recebeu educação financeira formal na escola — quase o dobro da média nacional.
Atualmente, cerca de um quarto dos consumidores “Frágeis” (23%) considera a terminologia financeira confusa e geradora de ansiedade, uma percentagem em linha com a média europeia (24%). Este grupo é também o mais propenso a afirmar que lhe falta tempo para aprender mais sobre finanças (39%), em comparação com apenas 7% entre os consumidores “Resilientes”, o que os torna particularmente vulneráveis a problemas financeiros mais profundos.
O relatório demonstra que a presença de educação financeira na infância está diretamente associada a uma maior estabilidade económica na vida adulta. Os dados sugerem ainda um efeito intergeracional: os filhos de famílias onde se falava de dinheiro com abertura e segurança estão hoje mais preparados para lidar com decisões financeiras complexas.
A geração Z, que cresceu num contexto altamente digital e exposta a estímulos de consumo constantes, é também a menos preparada financeiramente. Apenas 46% refere ter aprendido com os pais e só 13% teve contacto com educação financeira na escola. De acordo com o estudo, esta é a geração que mais sente o impacto do aumento do custo de vida no seu bem-estar financeiro, a que revela maior impacto emocional nas suas finanças e a que apresenta mais dificuldades em pagar as contas dentro dos prazos por falta de recursos.
O estudo da Intrum conclui que a fragilidade financeira não resulta de comportamentos irresponsáveis, mas da ausência de ferramentas adequadas para tomar melhores decisões. A escola desempenha um papel determinante neste domínio e continua, em grande medida, ausente dessa missão.
Mais recentes
- 90% dos portugueses não teve uma boa educação financeira na escola
- Christine Lagarde: «É importante falar a verdade!»
- Membro do Bundesbank critica excesso de dívida pública detida pelos bancos europeus
- Crédito Agrícola emite 500 milhões de euros de dívida sénior preferencial social
- Trump processa JPMorgan por encerramento de contas
- Banco do Japão mantém taxa de juro em 0,75% e melhora previsões económicas