6 min leitura
A confiança como alicerce do marketing na era da IA
Por Miguel Maya, CEO do Millennium bcp
08 Out 2026 - 07:30
6 min leitura
Miguel Maya CEO do Millennium bcp
Mais recentes
- Universidade de Coimbra atribui Honoris Causa a Artur Santos Silva
- Presidente da República recebeu governador do Banco de Portugal em Belém
- Mário Centeno no ABANCA
- Abel Ferreira: “A Conta-Poupança deve ajudar realmente a poupança a converter-se em investimento de longo prazo”
- Millennium BCP faz provisões de 40,6 milhões para créditos na Polónia
- Banca europeia sofre trambolhão nas bolsas e DBRS lança aviso sobre exposição às dívidas soberanas
Miguel Maya CEO do Millennium bcp
Para um banco a adoção adequada da IA no marketing e na comunicação com os Clientes não é, fundamentalmente, um desafio tecnológico. É um desafio ao nível da confiança.
A IA produz melhores resultados, ou seja, cria mais valor, quando ajuda os bancos a compreender melhor os Clientes, a comunicar com maior clareza e a prestar um serviço mais relevante, oportuno e humano. Quando bem utilizada, pode transformar comunicações genéricas em interações significativas, simplificar decisões financeiras complexas, antecipar a resposta a necessidades e tornar cada contacto mais útil e personalizado.
A IA eleva o nível de confiança exigido
Mas no setor bancário a personalização por si só não é suficiente. Os Clientes também esperam transparência, equidade, privacidade e responsabilidade humana. Querem saber e estar seguros sobre como os seus dados são utilizados quando a IA está envolvida e confiar que as decisões se mantenham alinhadas com princípios éticos claros. A confiança não se constrói nem se destrói pelo simples facto de um banco utilizar IA. A confiança constrói-se se o banco utilizar a IA de forma rigorosa e responsável.
Os riscos de uma má implementação vão muito além da eficácia do marketing. A IA mal aplicada pode gerar perceções de manipulação, parcialidade, opacidade ou automatização não supervisionada. Uma comunicação intrusiva, imprecisa ou inautêntica pode destruir, em segundos, uma relação construída ao longo de anos.
Enquanto banco de referência nos nossos principais mercados, o Millennium bcp ocupa uma posição de relevo na sociedade. Não gerimos apenas dinheiro, o nosso principal ativo é a confiança que em nós depositam. Os vencedores na era da IA não serão as instituições que mais a implementam, mas as que o fizerem de modo a reforçar a confiança e preferência dos Clientes. A IA irá recompensar quem a abraçar de forma responsável e penalizar quem a temer ou a utilizar sem respeitar os genuínos interesses dos Clientes.
A confiança como ativo decisivo da banca
A confiança sempre foi a pedra angular da nossa estratégia de comunicação no setor bancário. Na era da IA, em que a desinformação prolifera, saber utilizar a IA para selecionar factos e informações para suportar as decisões de uma forma mais rigorosa e alinhada com os interesses dos Clientes torna-se um trunfo decisivo. Em cada interação está em jogo a confiança que em nós depositam.
As pessoas têm acesso a mais informação do que alguma vez tiveram, mas é também cada vez mais difícil distinguir o que é verdadeiro, fiável e relevante. A desinformação está a minar a confiança nas relações entre agentes económicos e frequentemente a prejudicar qualidade das decisões das famílias e das empresas. Os Clientes procuram cada vez mais instituições que funcionem como referências de confiança, capazes de os ajudar a navegar a complexidade com segurança.
Para o Millennium bcp, a confiança não é um conceito abstrato: é a pedra angular de todas as relações. Os clientes confiam-nos as suas poupanças, investimentos, negócios e algumas das decisões mais importantes das suas vidas. Sem confiança, não existem relações significativas, nem lealdade, nem criação de valor de forma sustentável.
Essa realidade molda a comunicação do Millennium bcp. O nosso objetivo não é chamar a atenção, mas proporcionar clareza, conferir certeza em tempos de imprevisibilidade. Comunicamos com transparência e responsabilidade. Os mesmos princípios aplicam-se em qualquer canal, humano ou digital: rigor, transparência, respeito pela privacidade e compromisso com os interesses dos Clientes.
Inovação com responsabilidade
A IA está a transformar a comunicação bancária, mas não alterará as expectativas dos Clientes. Pelo contrário, eleva o nível de exigência. À medida que a tecnologia se torna mais poderosa, a confiança ganha ainda maior valor. As instituições bem-sucedidas serão as que souberem combinar inovação com responsabilidade e tecnologia com valores.
As pessoas permanecem no centro de tudo o que fazemos: são, e sempre serão, a razão pela qual comunicamos. A IA não altera isso. O que muda é a forma como interagem com a informação e, cada vez mais, como preparam e tomam decisões.
Os novos canais de acesso à informação financeira
A IA está a tornar-se um novo intermediário entre as marcas e os clientes, criando tanto oportunidades como responsabilidades. Já não basta comunicar com credibilidade através dos múltiplos canais que utilizamos para interagir com os Clientes.
À medida que a IA se torna uma porta de acesso cada vez mais importante à informação, o desafio é garantir que os sistemas de IA reconheçam, priorizem e apresentem conteúdos fiáveis, ajudando as pessoas a tomar decisões mais informadas. É por isso que a Otimização para Motores Generativos está cada vez mais presente na nossa estratégia de marketing.
Não se trata de otimizar para melhorar algoritmos e agentes, mas de garantir que informação financeira fiável e precisa chegue às pessoas onde quer que procurem respostas. No Millennium bcp, já estamos a integrar as melhores práticas na nossa estratégia de conteúdos, incluindo iniciativas como o “Afinal de Contas”, a qual exemplifica o nosso compromisso com a literacia financeira a longo prazo. Acreditamos que cada oportunidade de capacitar, esclarecer e simplificar temas financeiros é também uma oportunidade para reforçar a confiança.
Em cada atuação e no final de cada dia, no Millennium bcp tudo depende e vai continuar a depender das Pessoas. A IA é uma poderosa ferramenta que utilizamos de forma rigorosa e ética para servir ainda melhor os Clientes.
P.S. Este ensaio integra os “Ensaios Reunidos” sobre governação de IA desenvolvidos pela Zango, cujo estudo completo pode ser consultado em: https://www.zango.ai/the-new-era-of-marketing-in-financial-services
Mais recentes
- Universidade de Coimbra atribui Honoris Causa a Artur Santos Silva
- Presidente da República recebeu governador do Banco de Portugal em Belém
- Mário Centeno no ABANCA
- A confiança como alicerce do marketing na era da IA
- Abel Ferreira: “A Conta-Poupança deve ajudar realmente a poupança a converter-se em investimento de longo prazo”
- Millennium BCP faz provisões de 40,6 milhões para créditos na Polónia