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A “pesada herança” do Banco Português de Fomento
Com mil milhões de euros em imparidades, ações judiciais no valor de 263 milhões e 790 recomendações dos supervisores, Gonçalo Regalado enfrenta um desafio exigente para colocar o banco entre os cinco maiores bancos soberanos da Europa
30 Out 2025 - 11:38
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O CEO do BPF, Gonçalo Regalado | Foto: Banco Português de Fomento
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O CEO do BPF, Gonçalo Regalado | Foto: Banco Português de Fomento
Em atualização
O Banco Português de Fomento (BPF) apresentou nesta quinta-feira o impacto da instituição na economia. A atividade do BPF contribuiu para 1,8% do Produto Interno Bruto (PIB), face a 0,2% em 2024. O número de empresas apoiadas aumentou de 1.400 para 12.500, com um volume de financiamento de 5,1 mil milhões de euros.
Contudo, os números mais recentes escondem uma “pesada herança”. Existem mil milhões de euros em empréstimos em incumprimento e sem uma estratégia de recuperação definida. Mais de 85% das imparidades já foram registadas nos montantes executados, e o rácio de NPE (créditos problemáticos) situava-se nos 24%, o mais elevado entre os bancos soberanos.
A litigância judicial também é significativa. Estavam em curso 87 processos relacionados com candidaturas a verbas do PRR, sem clarificação dos critérios de decisão. A maioria dos processos teve origem em concursos realizados em 2023 e 2024. Segundo Gonçalo Regalado, a maioria destes conflitos já se encontra resolvida. “Passámos de um banco de conflitos, com processos em tribunal, para um banco que é parceiro das empresas”, afirmou o CEO do BPF.
No que respeita à recuperação das imparidades, o cenário é menos animador. Dos mil milhões de euros em imparidades, 450 milhões já acionaram o aval do Estado e são considerados irrecuperáveis. Os restantes valores foram segmentados em quatro grupos principais, consoante a probabilidade de recuperação dos créditos.
O CEO do banco soberano anunciou a definição de uma estratégia diferenciada e personalizada para cada grupo de devedores, de forma a maximizar os resultados na redução da carteira de crédito em incumprimento.
O primeiro grupo envolve 810 empresas com créditos em incumprimento no valor de 355 milhões de euros, constituindo o principal foco de recuperação. O segundo grupo integra 3.459 empresas com dívidas de 72 milhões de euros, atualmente em gestão. O terceiro grupo, com 5.107 empresas e créditos de 263 milhões de euros, encontra-se em litigância judicial. Por fim, o quarto grupo, composto por 6.930 empresas com créditos em incumprimento no montante de 323 milhões de euros, será objeto de write-off (perda total).
O BPF vai destacar uma equipa de 60 pessoas dedicadas exclusivamente à renegociação e recuperação destes créditos, assegurando um acompanhamento permanente da evolução das dívidas.
Relativamente às recomendações dos supervisores, das 790 herdadas, 327 foram encerradas ou implementadas pelo banco nos últimos dez meses, permanecendo pendentes 176 — das quais 27 são consideradas de impacto elevado ou muito elevado.
Apesar desta “pesada herança”, a equipa de gestão do banco soberano apresentou dez métricas desafiadoras para o futuro. Até ao final do ano, o BPF pretende posicionar-se entre os cinco maiores bancos soberanos da Europa em termos de atividade financeira.
Até ao final de 2025, a instituição ambiciona realizar mais de seis mil milhões de euros em financiamento com garantia, aumentar o impacto no PIB de 1,8% para 2%, apoiar mais de 14 mil empresas e financiar projetos estruturantes no valor de quatro mil milhões de euros.
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