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Adeus Jerome Powell!

Presidente da Reserva Federal mantém juros na sua última reunião. Mandato termina no dia 15 de maio

29 Abr 2026 - 19:14

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Jerome Powell, presidente da Reserva Federal/Foto;:FED

Jerome Powell, presidente da Reserva Federal/Foto;:FED

A reunião desta quarta-feira do Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC), a última presidida por Jerome Powell, que termina o seu mandato à frente da Reserva Federal norte-americana (Fed) no próximo dia 15 de maio, manteve as taxas de juro entre os 3,5% e os 3,74%.

Em comunicado, o Comité afirma que “avaliará cuidadosamente os dados recebidos, a evolução das perspectivas e o equilíbrio de riscos. O Comité está firmemente comprometido em apoiar o pleno emprego e em regressar a inflação à sua meta de 2%”.

“O Comité estará preparado para ajustar a postura da política monetária conforme apropriado, caso surjam riscos que possam impedir o alcance dos seus objetivos. As avaliações do Comité levarão em consideração uma ampla gama de informações, incluindo dados sobre as condições do mercado de trabalho, pressões inflacionistas e expectativas de inflação, bem como desenvolvimentos financeiros e internacionais”, refere o comunicado.

Votaram a favor desta decisão: Jerome H. Powell, presidente; John C. Williams, vice-presidente; Michael S. Barr; Michelle W. Bowman; Lisa D. Cook; Philip N. Jefferson; Anna Paulson; e Christopher J. Waller.

Votaram contra esta decisão Stephen I. Miran, que preferiu reduzir a meta da taxa de juro dos fundos federais em 0,25 pontos percentuais nesta reunião; e Beth M. Hammack, Neel Kashkari e Lorie K. Logan, que apoiaram a manutenção da meta para a taxa de juro dos fundos federais, mas não apoiaram a inclusão de uma tendência de flexibilização monetária na declaração neste momento.

Esta decisão foi tomada no dia em que se soube que Kevin Warsh será o próximo presidente da Fed. Com a Casa Branca a ceder às exigências do senador Thom Tillis para pôr fim à investigação sobre Jerome Powell relativamente às despesas da nova sede da Fed, o senador cumpriu a sua palavra e votou favoravelmente a nomeação de Warsh. A votação foi aprovada por 13 votos contra 11, com 10 dos 11 democratas a abandonarem a sala após votarem em protesto. O próximo passo será levar a nomeação ao plenário do Senado na semana de 11 de maio, uma vez que na próxima semana não haverá sessão. Dada a maioria absoluta dos republicanos, a confirmação final está praticamente assegurada.

O que parece certo é que, salvo uma grande surpresa, a reunião desta quarta-feira foi a última de Jerome Powell como presidente do banco central, bem como a última de Stephen Miran como governador. O mais recente membro da instituição, nomeado por Donald Trump no ano passado para completar os últimos meses do mandato de uma governadora demissionária, terá de ceder o seu lugar a Kevin Warsh.

A questão agora é o que acontecerá a Jerome Powell. A sua saída da presidência da Reserva Federal não implica necessariamente uma saída completa. Powell, além de exercer o cargo de presidente — que expira a 15 de maio —, tem um lugar no Conselho de Governadores até 2028.

O habitual tem sido que ambas as funções terminem em simultâneo: o presidente cessante abandona também o Conselho de Governadores. Janet Yellen, por exemplo, tinha mandato como governadora até 2024, mas apresentou a sua demissão efetiva quando o seu sucessor tomou posse como presidente.

Alan Greenspan também encerrou praticamente ambas as funções ao mesmo tempo: o Comité escolheu Ben Bernanke como sucessor após a saída de Greenspan em 2006.

No entanto, não existe qualquer obrigação legal de o fazer, e a eventual permanência de Jerome Powell no Conselho de Governadores constitui um problema para Donald Trump e para a sua expectativa de controlar o banco central.

O Conselho de Governadores da Reserva Federal é composto por sete membros nomeados pelo presidente e confirmados pelo Senado. O FOMC (Comité Federal de Mercado Aberto), que decide as taxas de juro, é formado por esses sete governadores, pelo presidente da Fed de Nova Iorque e por outros quatro presidentes regionais em regime de rotação.

Por isso, um presidente da Fed que deixe a presidência mas mantenha o cargo de governador não fica relegado a um papel simbólico, continuando a participar no órgão que define a política monetária.

Neste contexto, a sua permanência ocuparia um dos lugares no conselho, impedindo Donald Trump de nomear um candidato mais alinhado consigo, como foi o caso de Stephen Miran.

O antigo diretor económico da Casa Branca tem-se destacado por defender, de forma consistente, as exigências de Trump de descida das taxas de juro.

Se Jerome Powell se recusar a demitir-se, estará a impedir Donald Trump de nomear outro “Miran” (ou até de promover o próprio Miran de governador interino a governador de pleno direito, com um mandato completo de 14 anos) até 2028 — altura em que o controlo do Senado poderá já ter mudado significativamente face à atual confortável maioria republicana.

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