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António Henriques: “o euro digital tem de se conectar com todo o ecossistema digital”

O Bison Bank nasceu das cinzas do Banif - Banco de Investimento, S.A., foi adquirido em 2018 por capital privado chinês, proveniente de Hong Kong. O CEO, António Henriques, falou com o Jornal PT50 sobre o futuro do setor financeiro.

02 Nov 2025 - 10:50

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António Henriques/CEO do Bison Bank/direitos reservados

António Henriques/CEO do Bison Bank/direitos reservados

O Bison Bank realizou, na passada sexta-feira, o seu encontro anual em Lisboa. Nascido das cinzas do Banif – Banco de Investimento, S.A., foi adquirido em 2018 por capital privado chinês, proveniente de Hong Kong. Atualmente, opera nas áreas de Wealth Management, Banco Depositário e de Custódia, e Banca de Investimento. O CEO, António Henriques, falou com o Jornal PT50 sobre o futuro do setor financeiro.

Jornal PT50 – Para um banco que abdicou de conceder crédito, como é que vai dinamizar o negócio em Portugal?

António Henriques – Realizámos o nosso encontro anual, que contou com 400 participantes — o que mostra bem o interesse que existe por Portugal. O negócio do investimento estrangeiro tem dois atores fundamentais: as sociedades gestoras de fundos de investimento e os agentes que captam esse investimento, como é o caso dos escritórios de advogados — todos eles estiveram presentes no nosso encontro.

Em 2024 tivemos 2,5 milhões de euros de lucro e, até ao final de 2025, queremos duplicar o resultado líquido. Crescemos em número de clientes e em ativos sob gestão. Existem muitos bancos no mundo que abdicaram de conceder crédito; a nossa rentabilidade vem 50% das comissões e 50% das aplicações de capitais do banco.

Os clientes americanos representam cerca de 30% do total, mas os portugueses estão a crescer e já representam 20%. Depois, temos clientes de 130 países diferentes.

PT50 – O Bison Bank é dos poucos que têm uma oferta de ativos digitais através do Bison Digital Assets. Não partilha do ceticismo dos banqueiros “tradicionais” em relação a este tipo de ativos?

A.H.– Os ativos digitais são muito mais do que meros ativos de risco. Deixe-me dar-lhe um exemplo: o ETF da BlackRock com bitcoin é hoje o maior ativo da própria BlackRock. Os ativos digitais vão muito para além da simples compra e venda — é a tecnologia blockchain que vai mudar o mundo financeiro.

A internet permitiu que as pessoas comunicassem em tempo real, em qualquer parte do mundo. Mas, se eu quiser hoje enviar dinheiro para os Estados Unidos em tempo real, não consigo fazê-lo… A tecnologia blockchain vai mudar isso.

Se fizermos um exercício de valorização da bitcoin, por exemplo, vemos que estes ativos tiveram, desde o seu nascimento, performances incomparáveis com qualquer outro ativo financeiro.

A nossa estratégia baseia-se no princípio da diversificação. Se há mais um ativo financeiro no mercado, porque não havemos de oferecer aos nossos clientes a possibilidade de investir nele?

PT50 – Ainda no mundo digital, como vê a criação do euro digital?

A.H. – Qualquer iniciativa relacionada com o digital é uma boa iniciativa. Mas pergunto: que problema é que o euro digital se propõe resolver?

PT50 – …Christine Lagarde disse, na semana passada, que o problema era que, no futuro, existiriam pessoas que não querem usar notas…

A.H. – Não considero essa resposta suficiente. Tenho 54 anos e há muitos anos que não uso notas nem vou a uma agência bancária. O euro digital vai ter de se conectar com todo o ecossistema digital, e dentro desse ecossistema existem outros ativos, como as stablecoins.

Se a Europa quiser entrar na corrida dos ativos digitais, o euro digital tem de se posicionar na blockchain, tal como as stablecoins. O mundo híbrido vai conviver com a moeda fiduciária, e o Bison Bank vai ajudar a posicionar o euro nessa nova realidade.

PT50 – E como encara a atividade dos chamados neobancos?

A.H. -Temos, em primeiro lugar, de definir o que entendemos por “banco”. Os bancos têm de obedecer a uma série de critérios regulamentares; só assim podem ser classificados como tal. Os neobancos não são bancos — são fintechs e gestores de moeda eletrónica.

Acho muito bem que haja cada vez mais neobancos, na medida em que trazem novas experiências para os clientes. Pagar um café ou viajar utilizando a experiência de um neobanco é ótimo. No entanto, os clientes devem avaliar se querem entregar o seu dinheiro, desde o primeiro momento, a uma entidade que não é verdadeiramente um banco.

Se for um multimilionário, não é boa ideia entregar todo o seu dinheiro a um neobanco.

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