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Associados do Crédito Agrícola de Bombarral chumbam estatutos que previam membros investidores
Os membros investidores podiam vir a ter, no total, 30% do capital social da Caixa Agrícola de Bombarral, segundo a proposta.
29 Out 2026 - 13:30
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A assembleia geral da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo (CCAM) de Bombarral chumbou na semana passada uma alteração de estatutos que previa a entrada de membros investidores para reforço de capital, segundo a informação prestada por associados à Lusa. Segundo associados que participaram na reunião magna, contactados pela Lusa, foi chumbado o principal ponto da assembleia geral, a “proposta de reformulação integral dos estatutos da CCAM de Bombarral”.
Chumbado este ponto, foi retirado o segundo por se tratar do “regulamento sobre a admissão de membros investidores”, o que deixou de fazer sentido após o chumbo. Na nova proposta de estatutos chumbada, entre as principais alterações, estava prevista a figura de membros investidores, somando-se à tradicional figura do associado/membro cooperador.
Segundo o documento a que a Lusa teve acesso, “membros investidores são pessoas singulares ou entidades coletivas que não pretendam tornar-se membros cooperadores, mas que colaboram na consecução do fim social por intermédio de contribuições financeiras, nomeadamente através de subscrição de títulos de capital ou de títulos de investimento”. Os membros investidores podiam vir a ter, no total, 30% do capital social da Caixa, segundo a proposta.
A Lusa contactou a Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Bombarral questionando se o objetivo dessa alteração seria a entrada de investidores para reforço de capitais próprios, mas não obteve resposta.
A Lusa tinha questionado a Caixa sobre uma denúncia feita ao Banco de Portugal, a que a agência teve acesso, que referia irregularidades na realização da assembleia geral considerando que deveria ser extraordinária e não ordinária, que a alteração de estatutos deveria ter tido parecer prévio do banco central e que os associados não tinham tido acesso à documentação. Em resposta à Lusa, o presidente do Conselho de Administração da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Bombarral, Rui Santos (que sucedeu a Filipe Costa em 2025), disse que “a CCAMB desconhece as denúncias a que se refere”. Já o Banco de Portugal, questionado pela Lusa, não fez comentários sobre o tema.
Segundo informações recolhidas pela Lusa, a Caixa de Crédito Agrícola de Bombarral cumpre os requisitos de liquidez e capital e são os prejuízos acumulados nos últimos anos – exceção de 2022 – que vêm causando preocupação entre os associados (cerca de 1700 em final de 2025) e os trabalhadores (26 no fim de 2025), segundo adiantaram associados e fontes sindicais.
Em 2025, segundo o relatório e contas, a Caixa de Bombarral teve prejuízos de 13 597 euros, abaixo dos prejuízos de quase 324 mil euros de 2024. Já até junho deste ano, as demonstrações financeiras indicam prejuízos de 427,2 mil euros, o que compara com as perdas de 11 832 do primeiro semestre de 2025.
Na assembleia geral, mais participada do que as anteriores, foi debatido o futuro desta Caixa fundada em 1911 e houve associados que levantaram a possibilidade de vir a ser integrada na Caixa Central de Crédito Agrícola, segundo participantes contaram à Lusa.
A Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Bombarral é uma instituição bancária autónoma e independente, sendo supervisionada diretamente pelo Banco de Portugal. Apesar de partilhar o nome e ter o mesmo o modelo de negócio, a Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Bombarral (que tem também balcões no Pó e Olho Marinho) é uma entidade bancária autónoma, o que significa que não integra o Grupo Crédito Agrícola liderado pela Caixa Central. Há atualmente cinco caixas independentes que não integram o Grupo Crédito Agrícola (Leiria, Torres Vedras, Bombarral, Chamusca e Mafra).
Agência Lusa
Editado por Jornal PT50
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