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Lagarde: «Vejo muitas vezes a verdade maltratada. Quero ter a liberdade de dizer o que penso»
Presidente do Banco Central Europeu explica por que motivo decidiu deixar a instituição a 7 de fevereiro
29 Out 2026 - 14:49
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Christine Lagarde presidente do Banco Central EuropeuFoto BCE
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Christine Lagarde presidente do Banco Central EuropeuFoto BCE
«Estou interessada na verdade. E vejo muitas vezes a verdade maltratada. Quero ter a liberdade de dizer o que penso sobre matérias que não são de política monetária.» Estas foram as palavras de Christine Lagarde para justificar a sua saída da presidência do Banco Central Europeu (BCE), prevista para 7 de fevereiro de 2027.
A presidente recordou que os estatutos do BCE impõem limitações aos seus membros no que respeita à participação cívica e política, uma área em que Lagarde poderá vir a intervir após deixar o cargo.
«O processo de substituição já começou. O BCE vai continuar a funcionar na perfeição. Existem muitos candidatos ao cargo de presidente, muito melhores do que eu», afirmou.
Para Lagarde, «o BCE é como uma rocha e vai continuar a sê-lo».
Relativamente à decisão de manter inalteradas as taxas de juro, Lagarde revelou que houve uma discussão aprofundada no Conselho de Governadores. «Analisámos detalhadamente a inflação e chegámos à conclusão unânime de que estávamos em boa posição para lidar com o aumento dos preços sem alterar as taxas de juro», afirmou.
Lagarde admitiu que já existem sinais de «efeitos secundários» da inflação provocada pela subida dos preços da energia, mas salientou que, até dezembro, o BCE irá receber muita informação sobre os verdadeiros efeitos que esse aumento está a produzir na economia.
«Se esses números apontarem para uma subida, todos sabemos qual será a decisão do BCE», afirmou Lagarde, antecipando uma possível subida das taxas de juro em dezembro.
Recorde-se que Christine Lagarde assumiu o cargo de presidente do BCE em 1 de novembro de 2019, sucedendo ao italiano Mario Draghi.
Durante os seus sete anos de mandato, Lagarde teve de lidar com a pandemia de covid-19, a guerra na Ucrânia e, mais recentemente, com o aumento da inflação provocado pelo conflito no Médio Oriente.
Antes de assumir o cargo de presidente do BCE, Christine Lagarde foi diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), entre 2011 e 2019, e ministra francesa da Economia e das Finanças, entre 2007 e 2011, durante a presidência de Nicolas Sarkozy.
Com 70 anos, Lagarde nunca indicou o que tencionava fazer quando deixasse o BCE, apesar de terem surgido rumores nos últimos tempos que indicam que poderá assumir a presidência do Fórum Económico Mundial.
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