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Autoridade de Supervisão alemã alerta para aumento das “condições de correção repentinas nos mercados”
BaFin elenca os principais riscos para o setor financeiro em 2026 e destaca o sobreendividamento, o aumento do crédito malparado e os criptoativos
29 Jan 2026 - 15:09
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Mercados de capitais/Foto: Freepick
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Mercados de capitais/Foto: Freepick
No seu relatório de riscos para 2026, a Autoridade Federal de Supervisão Financeira da Alemanha (BaFin) prevê um elevado potencial para correções repentinas nos mercados. Segundo a entidade, “o clima otimista nos mercados está a ignorar fatores que ameaçam a estabilidade: conflitos comerciais e militares, altos níveis de dívida soberana em importantes economias avançadas e a questão não resolvida de saber se as previsões de crescimento eufóricas e as avaliações extremamente elevadas em torno da inteligência artificial se confirmarão a médio prazo. Soma-se a isto a pressão política sem precedentes sobre as instituições, que pode comprometer a cooperação internacional em caso de crise”.
O presidente da BaFin, Mark Branson, considerou este conjunto de fatores “uma combinação perigosa”. Ao apresentar o relatório, alertou: “O risco de a estabilidade financeira ser posta à prova está a aumentar. O potencial para correções repentinas de mercado e de preços é alto.”
Na sua avaliação de riscos para o sistema financeiro alemão, os supervisores da BaFin examinam detalhadamente seis riscos do mercado financeiro para 2026 e, pela primeira vez, abordam riscos importantes para os consumidores, nomeadamente: a ameaça do sobreendividamento, especialmente resultante de compras efetuadas com planos “compre agora, pague depois” (buy now, pay later); investidores de retalho que podem ser influenciados por decisões de investimento motivadas pelas redes sociais, particularmente em criptoativos; e apólices de seguro de vida com custos excessivos.
Em termos de riscos significativos para este ano, a BaFin alerta para um possível aumento do crédito malparado. “Diante da persistente fragilidade da economia alemã, o número de falências de empresas está a crescer — e, com ele, a proporção de crédito malparado nos balanços dos bancos alemães.”
Outro fator a acompanhar de perto são os fundos de dívida privada e os “bancos-sombra”. “Os supervisores financeiros na Europa devem monitorizar cuidadosamente a crescente interconexão entre bancos e seguradoras com intermediários financeiros não bancários por meio de fundos de dívida privada.”
Segundo Mark Branson, os empréstimos de bancos a fundos de dívida privada aumentam o risco de contágio e, consequentemente, colocam em causa a estabilidade do sistema financeiro alemão: “As instituições financeiras na Alemanha estão interligadas com veículos de dívida privada estrangeiros. Elas fornecem capital a esses fundos, que é então usado para alavancar investimentos. Isso representa riscos que extrapolam o setor bancário tradicionalmente regulamentado.”
Relativamente aos riscos para os consumidores, a BaFin revela que “de acordo com a Creditreform, o número de consumidores sobreendividados na Alemanha aumentou pela primeira vez desde 2018, atingindo 5,7 milhões em novembro de 2025 — o equivalente a 8% da população com mais de 18 anos. Uma das razões para este aumento é o crédito ao consumo.”
“Uma proporção crescente de famílias está a comprar bens e serviços a crédito. Pequenos empréstimos de menos de 200 euros, concedidos sem análise de crédito, são particularmente populares, muitas vezes na forma de transações ‘compre agora, pague depois’ ou empréstimos com cartão de crédito”, refere o documento, acrescentando: “Uma pesquisa realizada pela BaFin em 2025 mostra que a facilidade de utilização e os baixos valores das compras, combinados com a opção de pagamento posterior, incentivam compras por impulso a crédito. Como resultado, alguns consumidores perdem o controlo das suas finanças.”
A BaFin pretende combater esta situação acompanhando rigorosamente o cumprimento das exigências regulatórias para crédito ao consumidor e ampliando as informações disponíveis para os consumidores.
Em relação aos criptoativos, o supervisor alemão “reconhece novos riscos, como os que surgem no mercado de stablecoins. Se estas se desvincularem dos seus valores de referência — e os investidores retirarem os fundos em massa — existe o risco de um cenário semelhante a uma corrida bancária clássica. Nesse caso, as vendas forçadas afetariam não apenas o mercado de criptomoedas, mas também o mercado financeiro tradicional. A velocidade e o anonimato do mercado de criptoativos também o tornam uma porta de entrada para crimes financeiros, lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo.”
Acresce que os criptoativos estão a tornar-se cada vez mais populares entre os investidores de retalho. “No entanto, as fortes flutuações de valor tornam-nos um investimento altamente especulativo para este público. Na visão da BaFin, as redes sociais e os influenciadores financeiros desempenham um papel significativo nesta tendência. Uma pesquisa da BaFin mostra que os consumidores tendem a assumir riscos de investimento muito maiores quando obtêm informações financeiras através das redes sociais ou de influenciadores.”
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