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Banco de Portugal atento à concentração de crédito à habitação e de dívida soberana nos ativos dos bancos

Clara Raposo refere que o sistema financeiro está sólido, mas que é preciso vigiar a evolução daqueles dois indicadores num período de risco geopolítico agravado.

13 Mar 2026 - 13:38

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Clara Raposo, vice-governadora do Banco de Portugal | Foto: Banco de Portugal

Clara Raposo, vice-governadora do Banco de Portugal | Foto: Banco de Portugal

A excessiva concentração de crédito à habitação e de títulos de dívida soberana nos ativos dos bancos portugueses é, atualmente, a principal preocupação do Banco de Portugal. Esta radiografia foi feita por Clara Raposo, vice-governadora, durante o V Encontro sobre Finanças Sustentáveis organizado pelo ABanca, que se realizou nesta sexta-feira em Lisboa.

A responsável participou no painel subordinado ao tema “Os bancos perante os desafios da geopolítica e da inteligência artificial. Um novo paradigma para a sustentabilidade?”, que foi moderado pela presidente da Associação Espanhola de Banca, Alexandra Kindelán.

A imagem de um elevador que cai abruptamente e depois estabiliza — uma das atrações de vários parques de diversões, em que os ocupantes não sabem o que vai acontecer a seguir — foi usada pela responsável do Banco de Portugal para ilustrar o estado atual das economias: “onde existem choques sucessivos; depois temos um pequeno período de estabilidade, mas não sabemos o que vem a seguir”, referiu Clara Raposo.

Para a responsável, “termos um sistema bancário que tenha uma base robusta para amparar estas subidas e estas quedas é essencial, porque a banca deverá ser sempre o elemento mais estável do setor financeiro, já que está sujeita a mais regulação, a mais supervisão e porque dispõe de instrumentos fundamentais, como as garantias de depósitos”.

“Os bancos portugueses, depois de um período muito turbulento há cerca de 15 anos, são hoje best in class (os melhores da turma). Temos ótimos níveis de capitalização e de rendibilidade, os NPL (non-performing loans, ou crédito malparado) estão muito baixos e o desempenho tem sido particularmente sólido”, destacou a vice-governadora.

Clara Raposo adiantou que “quando o Banco de Portugal faz testes de stress ao sistema bancário, com simulações e cenários mais severos do que os próprios testes de stress europeus, temos encontrado capacidade de absorção para determinados choques. Estamos, à partida, bem posicionados para enfrentar situações mais difíceis que possam surgir no futuro”.

No entanto, para a responsável, “isto não significa que não tenhamos algumas vulnerabilidades e preocupações às quais devemos estar atentos”. É aqui que entram os dois pontos que, ultimamente, mais têm chamado a atenção do Banco de Portugal.

“Temos muita concentração de crédito à habitação nos ativos dos bancos. Sabemos que o mercado imobiliário tem vivido uma grande dinâmica, com subidas de preços muito acentuadas. Não estamos à espera que haja um choque que provoque uma queda substancial, mas, num mundo tão complexo como aquele em que vivemos, é preciso ter atenção à forma como os bancos olham para este tipo de ativos nos seus balanços e à forma como as famílias estão a ser financiadas”, afirmou Clara Raposo.

A vice-governadora acrescentou que “temos tido um conjunto de medidas macroprudenciais que recomendam uma série de critérios para a concessão de crédito de forma responsável; tudo isso tem ajudado”. Acrescentou ainda: “quando olhamos para o stock de crédito dos bancos em Portugal, estamos relativamente tranquilos, porque sabemos que é crédito de boa qualidade e, mesmo em períodos turbulentos, ultimamente não temos encontrado sinais de stress na qualidade do crédito que está a ser concedido”.

“Outro elemento de que não falamos tanto, mas que também é um ponto de concentração de investimento dos nossos bancos e que pode ter alguma relação com o risco geopolítico, tem que ver com a concentração em dívida soberana”, referiu a responsável, salientando que “num contexto de riscos geopolíticos muito turbulento, que esperamos que continue circunscrito às zonas onde o conflito existe, se tivermos um processo de correção mais forte nos títulos de dívida soberana podemos ter aqui algumas situações mais problemáticas para a banca europeia”.

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