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Banco de Portugal vê margem para bancos aumentarem remuneração dos depósitos
Portugal registava, em julho, uma taxa média de 1,59%, sublinha o governador, enquanto a média europeia se situa em 2,14%.
08 Out 2026 - 13:45
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Álvaro Santos Pereira governador do Banco de PortugalFoto Banco de Portugal
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Álvaro Santos Pereira governador do Banco de PortugalFoto Banco de Portugal
O governador do Banco de Portugal (BdP) defendeu nesta quinta-feira que os bancos têm margem para aumentar a remuneração dos depósitos e melhorar os incentivos à poupança, lembrando que as taxas pagas em Portugal permanecem entre as mais baixas. “As taxas de juro dadas aos depositantes ainda permanecem muito mais baixas do que nos outros países europeus”, apontou Álvaro Santos Pereira na “Money Conference”, organizada pelo Diário de Notícias, sublinhando que a diferença também se verifica nos depósitos à ordem.
Segundo os dados apresentados pelo governador, em julho, Portugal apresentava uma taxa média de 1,59% nos novos depósitos a prazo de particulares, colocando o país entre os Estados-membros da Zona Euro com menor remuneração. A média da área do euro situava-se em 2,14%. Finlândia, Países Baixos e Itália apresentavam as taxas médias mais elevadas, de 2,58%, 2,55% e 2,47%, respetivamente.
Deste modo, Álvaro Santos Pereira considerou que “há margem para subir as taxas dos depósitos e há margem para melhorar os incentivos à poupança”, acrescentando que, “se queremos que as empresas invistam mais e que as famílias poupem mais, é fundamental melhorar as condições de poupança do país”.
A remuneração dos depósitos ganha particular relevância num contexto em que a inflação tem superado as taxas de juro. “A inflação nos últimos anos tem estado sistematicamente acima das taxas de juro e, obviamente, há perda de poder de compra para quem utiliza estes instrumentos financeiros”, alertou Santos Pereira.
A questão da remuneração dos depósitos surge num momento em que o sistema bancário português apresenta, segundo o BdP, uma posição financeira mais robusta. Os rácios de capital têm aumentado, com o rácio CET1 a atingir 18,2% em junho, enquanto o rácio de fundos próprios totais situava-se em 20,9%.
Também os indicadores de rendibilidade do setor permanecem elevados e estáveis, com um ROE de 13,5% em junho, segundo os dados apresentados pelo governador.
A qualidade do crédito tem igualmente melhorado, com o rácio de NPL a situar-se em 2,1% em junho. Ao mesmo tempo, os empréstimos bancários têm registado um aumento expressivo, com a evolução dos empréstimos à habitação a atingir os 10,6% em junho.
Na apresentação da “Money Conference”, Santos Pereira salientou ainda que o setor bancário enfrenta desafios marcados pela transformação tecnológica e pela Inteligência Artificial (IA), pela evolução do perfil do cliente bancário, pelo combate à fraude, pela concorrência, cibersegurança e regulação.
Agência Lusa
Editado por Jornal PT50
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