Subscrever Newsletter - Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa no sistema financeiro.

Subscrever Newsletter

Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa no sistema financeiro.

Submeter

Ao subscrever aceito a Política de Privacidade

4 min leitura

Bancos europeus preparam cenários de guerra nas contas

Banco Central Europeu revela os resultados do teste de stress inverso a que submeteu 110 instituições financeiras europeias, entre as quais cinco portuguesas

31 Jul 2026 - 18:16

4 min leitura

Foto: Adobe Stock/Angelov

Foto: Adobe Stock/Angelov

O Banco Central Europeu (BCE) publicou nesta sexta-feira os resultados do teste de stress inverso de 2026 sobre riscos geopolíticos, no qual participaram 110 bancos da área do euro sujeitos à sua supervisão direta, entre eles cinco instituições portuguesas: Caixa Geral de Depósitos, Millennium bcp, Novo Banco, Santander Portugal e BPI.

No âmbito deste exercício, foi pedido aos bancos que realizassem um teste de stress inverso, cabendo-lhes definir cenários geopolíticos plausíveis com gravidade suficiente para provocar um impacto significativo nas suas posições de capital.

Esses cenários deveriam conduzir a uma redução de 300 pontos base do rácio de fundos próprios principais de nível 1 (Common Equity Tier 1 – CET1).

Segundo as conclusões do supervisor europeu, “os bancos desenvolveram um vasto conjunto de narrativas geopolíticas, incluindo conflitos militares, perturbações no comércio internacional, no abastecimento energético e nas cadeias de abastecimento, sanções, choques macroeconómicos e incidentes cibernéticos”.

Esta diversidade demonstrou a capacidade das instituições para adaptarem os testes de stress aos respetivos modelos de negócio e perfis de risco.

O BCE definiu, contudo, algumas condicionantes. “Uma vez que o risco geopolítico constitui um fator de risco transversal, suscetível de afetar direta ou indiretamente tanto os riscos financeiros como os não financeiros, foi solicitado aos bancos que distinguissem três canais de transmissão dos seus efeitos: os mercados financeiros, a economia real e a segurança e proteção.”

“A maioria dos bancos identificou a economia real como o principal canal de transmissão dos riscos, seguida do impacto nos mercados financeiros. Nos cenários marcados por conflitos militares e ciberataques, o canal da segurança e proteção — que inclui riscos físicos, bem como ameaças cibernéticas e híbridas — assumiu igualmente um papel relevante na transmissão dos riscos”, acrescenta a instituição liderada por Christine Lagarde.

Nos cenários adversos desenvolvidos pelos bancos, o risco de crédito e a pressão sobre a rentabilidade foram os principais canais através dos quais o stress geopolítico se traduziu em impactos no capital.

As imparidades sobre empréstimos foram frequentemente identificadas como um importante mecanismo de transmissão, sobretudo nos setores mais vulneráveis à evolução do contexto geopolítico, como a indústria transformadora, a energia e os transportes.

Além disso, nas instituições com carteiras de negociação de maior dimensão, a redução das comissões e dos resultados da atividade de negociação contribuiu igualmente para a erosão do capital.

No que respeita às consequências para a liquidez e o financiamento, “as posições de liquidez dos bancos mantiveram-se, de um modo geral, acima dos requisitos mínimos regulamentares. Muitas instituições conseguiram modelizar de forma plausível a transmissão dos eventos geopolíticos para as suas posições de liquidez e financiamento”.

Ainda assim, vários bancos registaram impactos considerados “modestos” ao nível da liquidez, apesar da deterioração significativa do capital assumida nos cenários. O BCE identificou esta inconsistência e irá abordá-la diretamente com as instituições em causa, lembrando que as pressões sobre a solvabilidade e a liquidez estão frequentemente estreitamente interligadas durante uma crise.

Ao nível dos riscos não financeiros, “os incidentes cibernéticos e a interrupção dos serviços prestados por terceiros surgiram como as ameaças mais relevantes” para os bancos.

Uma das características distintivas do teste de stress inverso foi a exigência de os bancos identificarem as medidas de gestão que adotariam perante um cenário de risco geopolítico. “Entre essas medidas incluíam-se o reforço de capital, a alienação de linhas de negócio, a redução de custos e o ajustamento das políticas de distribuição de dividendos.”

No conjunto, as medidas propostas pelas instituições revelaram-se, em geral, plausíveis e adequadas aos cenários considerados. Ainda assim, o BCE “identificou pressupostos excessivamente otimistas, nomeadamente quando algumas instituições admitiam a possibilidade de vender carteiras de crédito ou captar capital em condições de preço ambiciosas num contexto de mercado adverso”.

O BCE irá discutir estas questões com os bancos envolvidos no âmbito do diálogo regular de supervisão sobre os respetivos planos de capital e de recuperação.

O banco central sublinha igualmente “o papel fundamental dos órgãos de administração das instituições, garantindo que a análise de cenários e os planos de contingência sejam devidamente considerados nos processos de decisão”.

Subscrever Newsletter

Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa no sistema financeiro.

Ao subscrever aceito a Política de Privacidade