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Bancos exigem medidas do lado da oferta para a habitação
Apelos ao governo para planificar e às autarquias para desburocratizar e tornar mais fácil o licenciamento é o desafio que a banca faz para resolver um dos principais problemas do País: a falta de casas para viver
28 Out 2025 - 11:50
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“Como é que nós – setor bancário – financiamos 157 mil transações, quando construímos 25 mil casas?” Este repto lançado por João Pedro Oliveira e Costa, CEO do BPI, ilustra bem a preocupação que o setor financeiro tem com o tema da habitação, aquele que é responsável pela maior parte do negócio e dos lucros dos bancos em Portugal. Cinco banqueiros estiveram reunidos nesta terça-feira em Lisboa no evento Money Summit organizado pela E&Y e pela Impresa, para discutir habitação, inovação e desafios geopolíticos.
Todos os principais bancos estão de acordo que o principal problema é a falta de oferta. Mas nem todos estão de acordo sobre como se ultrapassa este desafio.
Para o CEO do Millennium/BCP, Miguel Maya, é tudo uma questão de “planeamento”. “Não podemos andar a reboque dos acontecimentos, temos que perspetivar o futuro. Quem tem responsabilidade de governar tem obrigação de fazer um planeamento”.
Para aquele responsável “é preciso começar a discutir a criação de novas centralidades. Nem todas as pessoas vão viver em Lisboa ou no Porto. A criação de novas centralidades é fundamental para manter o preço das casas acessíveis às pessoas e isso não é uma coisa que se faça em três ou quatro anos”.
Para o CEO do BPI “o assunto da habitação não é minimamente fácil de resolver. Não podemos apontar o dedo ao governo nem a nenhum partido. Obviamente que o grande tema é a oferta De 2003 a 2013 fazíamos 57 mil casa novas por ano. Na última década fizemos 13 mil. A construção caiu 74%, nos últimos sete anos desapareceram 13 grandes empresas de construção civil”.
Luis Pereira Coutinho salientou o efeito virtuoso das isenções fiscais e referiu que 50% do crédito à habitação que a Caixa Geral de Depósitos (CGD) está a fazer é para os jovens e com taxas de esforço relativamente baixas.
“Existem muitos jovens que começaram a trabalhar, que têm rendimentos bastante razoáveis mas que não têm nenhuma poupança para dar como entrada na compra de uma casa”, afirmou o administrador do banco público, salientando a importância da garantia do Estado para colmatar esta falha.
Já o CEO do Santander considerou que “há sempres desencontros entre a procura e a oferta. Tivémos uma explosão do turismoe das pessoas que escolheram Portugal para trabalhar e do lado da oferta não se conseguiu acompanhar. Era muito difícil prever que nos espaço de 10 anos haveria uma mudança tão radical”.
Para Pedro Castro e Almeida “se o governo resolver a questão da habitação e do aeroporto não precisam de fazer mais nada”. O CEO do Santander reconheceu que “o desencontro entre a oferta e a procura tem o seu tempo, mas que está a demorar demasiado tempo”, apelando para a identificação das “vias verdes” da desburocratização e fazendo um apelo “esperemos que daqui a dois anos as coisas sejam diferentes”.
O CEO do Montepio considera que “diagnósticos existem com fartura. Somos bons na concessão de crédito, somos rápidos, não somos tão bons nas componentes necessárias para resolver os problemas”. Para Pedro Leitão “existem tempos enormes na concessão de licenciamentos, se não fizermos coisas diferentes o problema não desaparece”, concluindo que “temos liquidez, temos vontade de crescer assim haja oportunidade para o fazer”.
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