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BCE acredita que euro digital é uma forma de bancos tradicionais competirem com novos operadores do mercado
O BCE volta a reforçar que o euro digital não se adivinha uma ameaça para os bancos comerciais, podendo, pelo contrário, contribuir para aumentar a sua competitividade.
29 Mar 2026 - 10:13
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Foto: Freepik/Kate Mangostar
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Foto: Freepik/Kate Mangostar
O Banco Central Europeu (BCE) está a avançar com o projeto do euro digital e pretende concretizar os primeiros testes em 2027 para, em 2029, proceder ao lançamento oficial. Os bancos da Zona Euro têm mostrado algum ceticismo em relação a esta tecnologia e receio de que esta iniciativa pode colocar o supervisor em concorrência direta com os bancos comerciais.
Numa publicação no blog do BCE, assinada por Piero Cipollone, da Comissão Executiva, e Frank Elderson, vice-presidente do Conselho de Supervisão, os membros da direção da instituição voltaram a sublinhar que os receios das instituições bancárias não têm fundamento. O BCE defende até que a infraestrutura do euro digital pode ser uma forma de os bancos europeus conseguirem competir com os novos agentes não bancários do mercado.
O BCE recorda que, “no ano passado, alguns prestadores de serviços de pagamentos pioneiros, incluindo bancos, participaram na plataforma de inovação do euro digital para testar formas de o euro digital trazer inovação”.
“Isto importa porque, hoje, alguns serviços inovadores são oferecidos por não-bancos, e o euro digital vai ajudar os bancos a competir com estes operadores ao facultar uma infraestrutura europeia que lhes vai permitir desenvolver soluções inovadoras de pagamentos que podem oferecer à escala europeia”, consideram. Estes desenvolvimentos, acrescentam, “estão a fazer rápidos progressos e podem desafiar os modelos de negócio tradicionais caso os bancos não se consigam adaptar”.
Entre os benefícios enumerados pelo BCE estão a ausência de comissões cobradas pelo uso do euro digital aos bancos, ao contrário do que acontece atualmente com a utilização de infraestruturas de prestadores de serviços de pagamentos, e a concentração de esforços em desenvolver serviços de valor acrescentado para clientes da banca de retalho.
Mais ainda, Cipollone e Elderson realçam que foram identificadas duas vias “promissoras” para fortalecer os modelos de negócio dos bancos ao integrar o euro digital no ecossistema de pagamentos: uma espécie de coexistência com sistemas nacionais de pagamentos já em vigor e o estabelecimento de normas europeias comuns.
Estes avanços podem permitir o uso de cartões por toda a Zona Euro, por exemplo, e também o uso da infraestrutura do euro digital para soluções de pagamentos entre contas instantâneos entre os mercados da área do euro.
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