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BCE adia subida dos juros para junho

Com a inflação impulsionada pelo conflito no Médio Oriente, Christine Lagarde não tem outra alternativa senão aumentar as taxas. A questão é saber se, no próximo dia 11 de junho, a subida será de 25 ou 50 pontos base

30 Abr 2026 - 13:18

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Christine Lagarde, presidente do BCE/Foto:BCE

Christine Lagarde, presidente do BCE/Foto:BCE

Em atualização

A inflação chegou e instalou-se na zona euro. Segundo dados revelados nesta quinta-feira pelo Eurostat (serviço de estatística da União Europeia), a inflação anual na zona euro deverá situar-se em 3% em abril de 2026, acima dos 2,6% registados em março.

Analisando os principais componentes da inflação na zona euro, espera-se que a energia apresente a taxa anual mais elevada em abril (10,9%, face a 5,1% em março), seguida dos serviços (3%, face a 3,2% em março), dos alimentos, álcool e tabaco (2,5%, face a 2,4% em março) e dos bens industriais não energéticos (0,8%, face a 0,5% em março).

Perante este cenário e com a decisão de manter as taxas de juro nos 2%, o Banco Central Europeu (BCE) não tem outra alternativa senão preparar uma estratégia de política monetária que deverá passar por três ou quatro aumentos das taxas até ao final do ano, começando já no próximo dia 11 de junho, data da próxima reunião do Conselho de Política Monetária.

A justificação para a manutenção das taxas foi explicada num comunicado divulgado esta quinta-feira pelo BCE, no qual se refere que “a guerra no Oriente Médio levou a um aumento acentuado nos preços da energia, elevando a inflação e afetando negativamente o sentimento econômico. As implicações da guerra para a inflação e a atividade econômica no médio prazo dependerão da intensidade e duração do choque nos preços da energia e da magnitude de seus efeitos indiretos e de segunda ordem. Quanto mais tempo a guerra se prolongar e quanto mais tempo os preços da energia permanecerem elevados, maior será o provável impacto sobre a inflação e a economia em geral”

“O Conselho de Governadores continua bem posicionado para lidar com a atual incerteza. A zona do euro entrou neste período de preços de energia em alta com a inflação em torno da meta de 2%, e a economia demonstrou resiliência nos últimos trimestres. As expectativas de inflação a longo prazo permanecem bem ancoradas, embora as expectativas de inflação a curto prazo tenham aumentado significativamente”, salienta o BCE.

O comunicado refere ainda que “o Conselho de Governadores acompanhará de perto a situação e adotará uma abordagem baseada em dados e realizada reunião por reunião para determinar a postura adequada da política monetária. Em particular, suas decisões sobre as taxas de juros serão baseadas em sua avaliação das perspectivas de inflação e dos riscos associados, à luz dos dados econômicos e financeiros disponíveis, bem como da dinâmica da inflação subjacente e da força da transmissão da política monetária”. 

Os investidores irão aproveitar para avaliar o discurso de Christine Lagarde, de forma a antecipar o montante da subida das taxas em junho. “As declarações da presidente Lagarde sobre o crescimento e a inflação, bem como a avaliação dos efeitos de segunda ordem, serão fundamentais. O mercado estará atento a perceber se Lagarde mantém o tom hawkish de março ou se sublinha a opção de esperar perante a elevada incerteza. Será um delicado exercício de equilíbrio por parte do BCE, embora acreditemos que prevalecerá o tom hawkish”, explica Roman Ziruk, analista de mercados da Ebury.

O BCE aumentou significativamente as suas previsões de inflação na última reunião de março, quando atualizou o seu quadro de estimativas macroeconómicas, tendo fixado a previsão para o final de 2026 em 2,6%, sete décimas acima do que antecipava antes do início das hostilidades no Irão.

Este nível será já ultrapassado em abril, como indicam as previsões do Eurostat divulgadas nesta quinta-feira.

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