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BCE avisa o Eurogrupo: “o risco de crédito pode aumentar”

Na troca de pontos de vista entre a presidente do Conselho de Supervisão e os ministros das Finanças da zona euro, o cenário de um crescimento mais fraco e de uma inflação mais elevada foi colocado em cima da mesa.

04 Mai 2026 - 18:09

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BCE sede | Foto: ecb multimedia

BCE sede | Foto: ecb multimedia

A presidente do Conselho de Supervisão do Banco Central Europeu (BCE), Claudia Buch, avisou os ministros das Finanças da zona euro de que o conflito no Médio Oriente está a agravar o contexto geopolítico e de que o risco de crédito pode aumentar. Na troca de pontos de vista entre o supervisor e o Eurogrupo, que reuniu nesta segunda-feira em Bruxelas, a instituição liderada por Christine Lagarde foi clara ao afirmar que “as condições financeiras tornaram-se mais restritivas, refletindo a descida dos preços das ações e o aumento dos prémios de risco”.

Essa situação poderá pesar sobre o investimento e “pressionar a capacidade dos mutuários para reembolsar empréstimos e, em última análise, afetar os bancos através de três principais canais”, refere o BCE.

“Os bancos da área do euro têm exposições diretas relativamente modestas a países na região do conflito. No entanto, os efeitos indiretos da guerra podem ser mais significativos, e a sua gravidade dependerá em grande medida da sua duração. A qualidade do crédito poderá deteriorar-se em setores intensivos em energia, como a indústria transformadora e os transportes. Num cenário adverso, um crescimento mais fraco e uma inflação mais elevada poderão comprometer a capacidade dos mutuários para cumprir o serviço da dívida, levando a um aumento dos créditos não produtivos nos balanços dos bancos”, indica a nota enviada ao Eurogrupo.

Em segundo lugar, “o agravamento das tensões geopolíticas poderá desencadear movimentos acentuados de preços entre diferentes classes de ativos e provocar episódios de iliquidez nos mercados. Para os bancos que dependem fortemente de financiamento por grosso, a volatilidade dos mercados poderá tornar-se uma fonte de vulnerabilidade”. Além disso, “de forma mais ampla, a incerteza elevada poderá aumentar o risco de crédito de contraparte, perturbar o funcionamento dos mercados e restringir as condições de financiamento dos bancos. As vulnerabilidades nas instituições financeiras não bancárias e nos mercados de crédito privado, que estão interligados com os bancos, poderão amplificar ainda mais estes riscos”.

Por último, o BCE considera que “os conflitos modernos têm uma dimensão cibernética, transformando infraestruturas financeiras críticas e instituições individuais em potenciais alvos. A resiliência operacional é, por conseguinte, crucial para a solidez dos bancos da área do euro”.

“Para que os bancos consigam gerir eficazmente estes desafios, necessitam de uma forte resiliência financeira e operacional, sustentada por uma gestão eficaz da liquidez. Isto reflete-se nas nossas prioridades de supervisão, que se centram, entre outros aspetos, em assegurar uma assunção prudente de riscos e uma capitalização adequada, bem como em quadros robustos de gestão do risco operacional e fortes capacidades de mitigação do risco cibernético”, adianta o supervisor.

O setor bancário da área do euro mantém-se bem capitalizado para o BCE, “com os bancos significativos a reportarem um rácio agregado de fundos próprios principais de nível 1 (Common Equity Tier 1) em torno de 16% e um rácio de alavancagem ligeiramente inferior a 6% em 2025. Os bancos cumprem confortavelmente as novas regras de capital ao abrigo do Regulamento dos Requisitos de Capital revisto (CRR III), que implementa Basileia III e entrou em vigor em 2025: graças a regimes transitórios, disposições temporárias e ajustamentos nos balanços dos bancos, a transição para as novas regras deixou os requisitos de capital praticamente inalterados. Além disso, as posições de liquidez permanecem sólidas, excedendo os requisitos mínimos regulamentares”.

O exercício de testes de esforço à escala da UE de 2025, que avaliou a preparação dos bancos da área do euro para lidar com riscos geopolíticos, demonstrou que o setor bancário da área do euro está suficientemente capitalizado para absorver perdas num cenário adverso comum desencadeado por acontecimentos geopolíticos. “Este ano, estamos a pedir aos bancos que identifiquem um cenário que possa conduzir a uma redução pré-determinada de capital. Pedir-lhes-emos também que descrevam de que forma atuariam para mitigar o impacto de choques adversos, recorrendo às suas capacidades de gestão de risco e aos seus planos de contingência”, acrescenta o BCE.

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