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BCE mantém-se inflexível em relação às reservas de capital dos bancos europeus
Presidente do Conselho de Supervisão revelou que os testes de stress previstos para este ano vão exigir às instituições que identifiquem riscos geopolíticos que possam levar a uma redução do capital CET1 de pelo menos 300 pontos-base.
18 Mar 2026 - 15:02
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Claudia Buch, presidente do Conselho de Supervisão do BCE | Foto: BCE/ Adrian Petty
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Claudia Buch, presidente do Conselho de Supervisão do BCE | Foto: BCE/ Adrian Petty
O Banco Central Europeu (BCE) mantém-se inflexível quanto ao abrandamento das exigências de capital das instituições financeiras e reforça a necessidade de uma supervisão bancária ainda mais baseada no risco. A presidente do Conselho de Supervisão do BCE defendeu que “os mercados financeiros estão a subestimar os riscos geopolíticos, o que aumenta o potencial para vendas repentinas”.
Claudia Buch apresentou, nesta quarta-feira, na Comissão dos Assuntos Económicos e Monetários do Parlamento Europeu, o Relatório Anual do BCE sobre as atividades de supervisão para 2025.
“Essas salvaguardas precisam ser mantidas à medida que as tensões geopolíticas aumentam”, disse Buch, citada pela agência Reuters, acrescentando que a “fragmentação ou qualquer enfraquecimento dos padrões pode prejudicar a capacidade dos bancos de resistir a desenvolvimentos adversos”.
Esta posição contrasta com as decisões recentemente anunciadas pelos Estados Unidos, que têm flexibilizado as regras bancárias ao longo do último ano, pressionando os reguladores de outros países. Muitos bancos europeus defendem que enfrentam concorrência desleal em relação aos congéneres americanos, uma vez que possuem menos músculo financeiro face às exigências regulatórias.
“Os credores estão devidamente capitalizados e possuem todas as reservas necessárias, mas os riscos continuam elevados”, argumentou Buch. “Essa incerteza não está adequadamente refletida nos indicadores de stress financeiro baseados no mercado, o que pode levar a uma reprecificação abrupta do risco.”
A responsável explicou que os choques poderiam materializar-se de forma inesperada e propagar-se rapidamente, devido às tensões geopolíticas, às avaliações alavancadas em alguns segmentos de mercado, às crescentes interconexões com os chamados ‘bancos sombra’ e ao risco de mudanças súbitas no sentimento do mercado.
O BCE definiu o reforço da resiliência dos bancos face aos riscos geopolíticos como uma prioridade fundamental para 2025 e irá submeter os maiores bancos a testes de stress nos próximos meses, com especial enfoque nestes riscos.
“O teste de stress à escala da UE para 2025 concluiu que o setor bancário da zona euro seria capaz de absorver perdas num cenário de recessão provocado por fricções geopolíticas e medidas protecionistas. O cenário era comum a todos os bancos; a consequente redução do capital, portanto, variava entre eles”, afirmou Claudia Buch, que acrescentou: “Este ano, estamos a inverter essa configuração. Estamos a solicitar aos bancos que identifiquem eventos de risco geopolítico que possam levar a uma redução do capital CET1 de pelo menos 300 pontos-base e que definam as medidas preventivas que podem adotar para reduzir esse impacto.”
Além disso, a responsável referiu que o BCE está a avaliar “se os padrões de concessão de crédito dos bancos permanecem compatíveis com os riscos subjacentes. À medida que os bancos saem de um período com perdas relativamente baixas e enfrentam uma concorrência cada vez maior, inclusive de instituições não bancárias, as condições de crédito podem tornar-se mais restritivas. Embora não haja evidências claras de uma deterioração generalizada dos padrões, os dados disponíveis são incompletos. Isso impede que os bancos comparem as suas próprias políticas com as do mercado. Analisaremos as práticas de concessão de crédito dos bancos de forma detalhada e proporcional, para melhor compreender as tendências emergentes em fase inicial.”
“É importante sublinhar que uma boa resiliência fortalece, em vez de prejudicar, a eficiência ou a competitividade dos bancos”, concluiu Claudia Buch.
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