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BCE revê em alta crescimento da economia europeia
A procura será o motor do desenvolvimento económico e deverá impulsionar as exportações. A inflação descerá mais lentamente e começa a subir nos EUA como consequência das tarifas.
15 Jan 2026 - 10:55
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BCE sede | Foto: ecb multimedia
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BCE sede | Foto: ecb multimedia
O Banco Central Europeu (BCE) reviu em alta o crescimento da economia da zona euro até 2028, face às últimas projeções de setembro. Segundo o Boletim Económico divulgado esta quinta-feira, a previsão de crescimento é agora de 1,4% em 2025, 1,2% em 2026 e 1,4% em 2027, esperando-se que se mantenha em 1,4% em 2028.
De acordo com as projeções macroeconómicas da equipa do Eurosistema para a zona euro, de dezembro de 2025, a inflação global deverá atingir uma média de 2,1% em 2025, 1,9% em 2026, 1,8% em 2027 e 2,0% em 2028.
No que respeita à inflação excluindo energia e alimentos, a equipa projeta uma média de 2,4% em 2025, 2,2% em 2026, 1,9% em 2027 e 2,0% em 2028. A inflação foi revista em alta para 2026, sobretudo porque se espera agora que a inflação dos serviços diminua de forma mais gradual.
Segundo o BCE, a economia tem demonstrado resiliência e cresceu 0,3% no terceiro trimestre de 2025, refletindo principalmente o aumento do consumo e do investimento. As exportações também registaram crescimento, com uma contribuição significativa do setor químico. A composição setorial do crescimento foi dominada pelos serviços, em especial nos setores da informação e da comunicação, enquanto a atividade na indústria e na construção permaneceu estável. É provável que este padrão de crescimento impulsionado pelos serviços continue no curto prazo.
O mercado de trabalho continua robusto. A taxa de desemprego situou-se em 6,4% em outubro de 2025, próxima do seu mínimo histórico, com o emprego a crescer 0,2% no terceiro trimestre. Ao mesmo tempo, a procura por mão de obra arrefeceu ainda mais, com a taxa de vagas de emprego no nível mais baixo desde o início da pandemia de COVID-19.
Espera-se que as exportações recuperem em 2026. Esta melhoria é atribuída pelo BCE à retoma da procura externa, face à diminuição da incerteza em relação à política comercial, apesar do impacto gradual do aumento das tarifas.
Relativamente às tarifas impostas pelos Estados Unidos, começa agora a verificar-se um aumento dos preços no mercado norte-americano. Esta realidade foi também corroborada pela Reserva Federal (FED) que, segundo o Livro Bege, igualmente divulgado esta quinta-feira, indica que as empresas nos EUA estão a começar a repercutir nos consumidores os custos resultantes das tarifas aplicadas pela administração Trump, com os preços a crescerem de forma moderada.
Regressando à zona euro, o investimento em habitação diminuiu ligeiramente no terceiro trimestre de 2025, mas espera-se que retome um crescimento moderado no quarto trimestre. Após dois trimestres consecutivos de expansão no início do ano, o investimento em habitação caiu 0,3% no terceiro trimestre face ao trimestre anterior, indicando que uma recuperação sustentada ainda não se consolidou.
As condições de financiamento permanecem estáveis. “As taxas de juro dos empréstimos bancários a empresas e famílias estabilizaram desde setembro, num contexto de taxas de juro de referência inalteradas e de movimentos limitados nas taxas de longo prazo”, refere o BCE, acrescentando que “o custo dos empréstimos bancários a empresas não financeiras manteve-se inalterado em 3,5% em outubro de 2025, cerca de 1,8 pontos percentuais abaixo do pico registado em outubro de 2023, com pequenas variações entre os principais países da zona euro”. O spread entre as taxas de juro dos empréstimos a pequenas e grandes empresas manteve-se, em geral, estável em outubro, com evoluções diferenciadas nas maiores economias da zona euro.
O custo dos empréstimos às famílias para a aquisição de habitação manteve-se inalterado em 3,3% em outubro, cerca de 70 pontos base abaixo do pico de novembro de 2023. A diferença entre as taxas de juro dos empréstimos às famílias e às empresas, que tinha atingido um pico de 140 pontos base em março de 2024, manteve-se estável em 20 pontos base. A dimensão desta diferença reflete sobretudo o facto de os empréstimos às famílias terem, em muitos países da zona euro, períodos de fixação de taxa mais longos, tornando-os menos sensíveis às flutuações das taxas de mercado de curto prazo.
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