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BCE vende à China linhas de liquidez em euros
Membro do Conselho Executivo do BCE revela que mais de 30 bancos centrais já manifestaram interesse em aderir ao mecanismo
21 Out 2026 - 13:54
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Philip R Lane economista Chefe do BCE | Foto BCE
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Philip R Lane economista Chefe do BCE | Foto BCE
O Banco Central Europeu (BCE) quer reforçar o papel internacional do euro e alargar o alcance da sua política monetária, disponibilizando redes de segurança de liquidez a países estrangeiros, afirmou Philip Lane, membro do Conselho Executivo do BCE, nesta quarta-feira, num evento à porta fechada realizado em Xangai, intitulado «Sistema Monetário Além do Dólar».
O responsável adiantou também que a procura pelas linhas de liquidez em euros recentemente alargadas pelo BCE, destinadas a bancos centrais de países que não pertencem à área do euro, tem sido forte, com mais de 30 bancos centrais a manifestarem interesse em aderir a este instrumento financeiro.
«As linhas de liquidez reforçam a confiança na moeda e reduzem os riscos associados, apoiando uma utilização mais ampla», afirmou Lane, citado pela agência Reuters.
Os comentários surgem num momento em que os responsáveis políticos a nível mundial questionam o domínio do dólar a longo prazo, tendo em conta a imprevisibilidade da política económica do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Lane argumentou que uma maior utilização internacional do euro reforçaria a capacidade do BCE para cumprir o seu mandato de estabilidade de preços, ao alargar o alcance global da política monetária da área do euro.
O responsável afirmou que o mecanismo EUREP, uma facilidade de cedência temporária de liquidez em euros criada pelo BCE para permitir que bancos centrais de países que não pertencem à área do euro obtenham financiamento na moeda única em situações de tensão nos mercados financeiros, poderá impulsionar os mercados de títulos da área do euro, nomeadamente através do aumento das compras por parte dos gestores de reservas oficiais.
«Os bancos centrais que aderirem ao EUREP receberão liquidez em euros sob a forma de empréstimos garantidos por ativos de elevada qualidade denominados em euros, a taxas correspondentes à taxa das operações principais de refinanciamento (MRO), acrescida de um diferencial definido pelo Conselho do BCE para preservar o caráter de garantia do mecanismo», adiantou Lane.
O responsável referiu ainda que «o prazo de cada operação varia entre um dia e uma semana, podendo ser prorrogado. O limite máximo de crédito por banco central é de 50 mil milhões de euros. Os bancos centrais que aderirem ao EUREP podem utilizar os fundos de forma flexível, sem restrições prévias».
«Após a conclusão do processo de adesão, os bancos centrais poderão recorrer ao mecanismo a partir do quarto trimestre de 2026. Estão em vigor medidas adequadas de mitigação de riscos para proteger o Eurosistema», concluiu.
A presidente do BCE, Christine Lagarde, afirmou recentemente que a instituição também estava a rever a sua rede de linhas de swap cambial, que permitem aos principais bancos centrais, incluindo a Reserva Federal dos Estados Unidos e o Banco Popular da China, trocar as respetivas moedas por euros.
Lane afirmou que estes acordos podem incentivar a concessão de crédito em euros, mas devem ser reservados aos bancos centrais de economias com fortes laços financeiros com a área do euro e uma capacidade clara para cumprir as suas obrigações em euros.
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