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Capital de risco discute condições de sucesso na criação de valor

Alinhamento de interesses, capacidade de sucessão empresarial e uma crescente integração da Inteligência Artificial no modelo de negócio são fundamentais

23 Jun 2026 - 16:11

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Participantes no encontro da APCRI sobre o capital de risco e a criação de valor/Foto: Cristina Dias Neves

Participantes no encontro da APCRI sobre o capital de risco e a criação de valor/Foto: Cristina Dias Neves

A Associação Portuguesa de Capital de Risco e Desenvolvimento (APCRI), em parceria com a CFA Society Portugal, organizou nesta terça-feira um pequeno-almoço de trabalho subordinado ao tema “Criar Valor – Accountability, Alinhamento de Interesses e Desenvolvimento de Talento”.

Nesta sessão, vários representantes de fundos de capital de risco (venture capital e search funds) discutiram as condições necessárias para que este tipo de financiamento tenha sucesso, quer para os gestores dos fundos, quer para as empresas selecionadas para investimento.

Uma das questões fundamentais é que as equipas que identificam oportunidades de investimento tenham os seus objetivos alinhados com os da empresa onde vão investir. No caso dos search funds (modelo de investimento em que uma pessoa — o searcher — angaria capital para procurar, adquirir e depois gerir uma empresa existente), esse alinhamento tem de estar claramente definido não só entre o searcher e os investidores, mas também na identificação da qualidade da PME que se pretende adquirir.

Outro fator importante para atrair capital de risco é a capacidade de sucessão dentro da empresa que recorre a este tipo de financiamento. De acordo com os especialistas, ninguém sente verdadeiramente os efeitos do capital de risco na organização antes de, pelo menos, 15 anos. E os primeiros anos podem ser muito difíceis. Para levantar fundos de forma recorrente é necessário garantir uma equipa que dê confiança de continuidade do investimento.

Para que isso seja possível, é preciso construir uma relação de confiança entre os investidores (LP) e os gestores do fundo (GP). Para que esta relação se desenvolva ao longo do tempo, é fundamental a comunicação — em particular a forma como se transmitem as boas e, sobretudo, as más notícias.

A necessidade de um retorno do investimento implica ter a “casa arrumada”.

Existem sempre pontos de tensão, especialmente quando há desalinhamento de incentivos. A forma como são geridos estes períodos de stress e os conflitos de interesse é crucial para o sucesso das operações de capital de risco. As sociedades gestoras não conseguem trabalhar com êxito quando as suas decisões são constantemente questionadas pelos investidores.

Para os profissionais do setor, as sociedades gestoras só criam verdadeiramente valor para si se garantirem que os investidores também obtêm o devido retorno do seu capital. Para que este objetivo se concretize, é necessário ter em conta mecanismos de incentivos adequados às equipas de gestão.

A relação entre a sociedade gestora e o investidor deve também esclarecer o tipo e a dimensão da participação deste no fundo que está a ser gerido.

O retorno está intimamente ligado à qualidade das equipas de gestão e ao recrutamento dos seus elementos. A captação de novos talentos para esta área tem de ser feita junto daqueles que sentem uma especial vocação para o negócio do capital de risco, referiram os especialistas durante o encontro da APCRI.

A vocação, o talento e a competência técnica para esta atividade devem ser enquadrados pela experiência dos gestores séniores, que trazem para o negócio os êxitos e os fracassos das negociações.

A par da formação das novas equipas de gestão, surge o desafio da retenção de talento. Uma das formas de estimular essa permanência é a atribuição de pequenas participações nos fundos sob gestão, o que reforça o incentivo para decisões cada vez mais acertadas e arrojadas.

Depois de um período em que o recrutamento privilegiava o setor financeiro, as sociedades gestoras de capital de risco estão agora a alargar o seu leque de recrutamento à área da matemática, embora existam investidores que privilegiam a experiência industrial em detrimento dos conhecimentos financeiros.

Marcos Soares Ribeiro, presidente da CFA Society Portugal, referiu a propósito a formação certificada de 125 horas de estudo lançada pelo CFA Society Portugal em Private equity, anunciando novas iniciativas neste domínio para 2027.

Por último, foi abordado o inevitável tema da Inteligência Artificial (IA), com unanimidade de posições: “a IA é para abraçar e não para resistir”. Os especialistas admitem que os métodos e estruturas existentes no capital de risco não estavam preparados para a revolução da IA.

A adoção da IA permitirá às sociedades gestoras de capital de risco analisar mais oportunidades de investimento e poupar tempo às equipas de gestão, permitindo-lhes focarem-se nos assuntos que realmente importam e geram valor.

Foi também revelado durante o evento que a APCRI realizará a sua conferência anual no dia 3 de novembro.

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