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Centeno defende continuação de flexibilização da política monetária
O governador do Banco de Portugal considera que atuais taxas nos 3,25% “ainda estão acima do nível natural” e, por isso, o processo tem de continuar.
22 Out 2024 - 15:56
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O governador do Banco de Portugal defendeu hoje que é importante que a política monetária “continue a flexibilização” até ao limite da capacidade, de forma gradual e estável, deixando também um alerta para o baixo crescimento económico na Europa.
“É importante para a política monetária continuar o processo de flexibilização até ao limite da capacidade”, reiterou Mário Centeno, na Macro Week 2024, organizada pelo Instituto Peterson de Economia Internacional.
Para o responsável, deve-se continuar o caminho gradual “para níveis mais neutros para as taxas de juro”, sendo que ainda é necessário avaliar e determinar qual é o valor onde as taxas se devem situar.
O que é certo, para o governador, é que as taxas nos 3,25%, como estão agora, “ainda estão acima do nível natural e por isso o processo tem de continuar”, refere a agência Lusa.
Apesar desta necessidade de atingir níveis mais neutros, Centeno assegurou que o Banco Central Europeu vai continuar a ser dependente dos dados e mover-se de uma forma estável e previsível. Salientou também que considera que o Conselho de Governadores pode “considerar uma trajetória mais rápida se os dados disserem que tal é possível”.
Numa apresentação sobre os riscos de a inflação ficar aquém do seu objetivo se a política monetária se mantiver restritiva durante demasiado tempo, segundo a Lusa, o governador do Banco de Portugal destacou que foi possível a inflação convergir, o que também se deveu à coordenação entre a política monetária e orçamental.
Na Zona euro, o “apoio orçamental conteve pressões de preços e os programas da União Europeia revitalizaram a economia”, destacou, o que possibilitou aos mercados das dívidas soberanas “evitar stress”.
No entanto, Centeno alertou que a economia europeia está numa fase com baixo investimento e crescimento, assumindo que “os sacrifícios feitos por agentes económicos para reduzir inflação são evidentes”.
O governador sublinhou assim a necessidade de avançar para reformas estruturais, como é sugerido no relatório de Mário Draghi, bem como de “continuar a tradição europeia para gerar espaço orçamental e não ser pró-cíclica”.
É uma “situação difícil porque temos um mercado laboral muito forte, com o nível de emprego e salários, mas não temos crescimento”, assumiu.
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