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Christine Lagarde: “Sou a Senhora Crise”

A presidente do Banco Central Europeu deu uma entrevista à Bloomberg TV, na qual rejeita voltar à política e afirma que o sentido de humor é fundamental para colocar “os assuntos em perspectiva”.

09 Jan 2026 - 17:32

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Christine Lagarde/foto BCE

Christine Lagarde/foto BCE

A presidente do Banco Central Europeu (BCE) concedeu uma entrevista à jornalista Francine Lacqua, da Bloomberg TV, nesta sexta‑feira, na qual abordou vários temas importantes, desde a sua relação com a política às questões económicas e financeiras, passando pela independência dos bancos centrais.

“Sou aquela a quem chamam quando existe uma crise. Sou a Senhora Crise”, afirmou uma sorridente Lagarde, explicando a importância do bom humor: “Em tempos de crise podemos ir tão ao fundo das questões que acabamos por cavar um buraco onde nos enterramos. O sentido de humor e uma boa gargalhada colocam tudo em perspectiva.”

Com o fim do mandato previsto para outubro de 2027, a presidente do BCE — que já exerceu vários cargos ministeriais em França, tendo sido ministra da Agricultura em 2007, no primeiro governo de François Fillon (sob a presidência de Nicolas Sarkozy), e posteriormente ministra da Economia e das Finanças no segundo governo de Fillon, tornando‑se a primeira mulher em França a ocupar este cargo — garante não sentir vontade de regressar à política. “Vi presidentes chegarem e partirem, envelhecerem e mudarem. Já passou a minha hora”, afirmou.

A responsável, que aceitou liderar o BCE em 2019, substituindo o italiano Mário Draghi, revelou que, quando respondeu ao convite do Presidente Emmanuel Macron, lhe disse: “Daqui a cinco anos estou de volta”. Foi necessário que Macron lhe recordasse que o mandato tinha, afinal, a duração de oito anos.

Lagarde não desvenda o que fará após a sua saída do BCE. “Estou aqui e agora empenhada a 100%. Mas sempre gostei de correr riscos. Nunca fui uma pessoa conservadora, agarrada ao lugar por causa das mordomias. Às vezes temos mesmo de dar o salto”, afirmou.

Considerada pela revista Forbes, em 2019, a segunda mulher mais poderosa do mundo, apenas atrás da chanceler alemã Angela Merkel, Lagarde foi vista como uma ‘outsider’ quando foi escolhida para liderar o BCE. Formada em Direito, e apesar de ter sido diretora‑geral do Fundo Monetário Internacional, nunca exerceu funções num banco.

“Estou habituada ao estatuto de marginal. Temos sempre de trabalhar afincadamente, mas não podemos modificar quem somos. Precisamos de nos rodear de uma equipa de pessoas competentes e em quem temos a máxima confiança”, refere Lagarde, admitindo não ser sempre uma pessoa de consensos, mesmo quando preside ao Conselho de Governadores do Banco Central Europeu.

A presidente do BCE referiu ainda à Bloomberg que gosta de estar sempre “um passo à frente”. “Quando vou para as reuniões, gosto sempre de pensar: se tomarmos esta decisão, quais serão as consequências seguintes e, depois dessas, o que virá a seguir?”

Lagarde admite que a crise das dívidas soberanas reforçou a sua convicção na “cidadania europeia”. “A beleza da Europa está na sua diversidade, onde se respeitam as opiniões e se constroem consensos com base nos princípios democráticos. Essa é também a sua principal dificuldade”, afirmou.

Sobre a independência dos bancos centrais, Lagarde sublinha: “Temos de merecer essa independência e temos de ser responsáveis por ela. A independência é um fator crítico para podermos tomar as decisões certas de política económica.”

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