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Commerzbank quer aumentar lucros para beneficiar todos os acionistas
Declarações surgem na sequência do lançamento da OPA do UniCredit sobre o Commerzbank. O banco fez uma oferta de 35 mil milhões, que Bettina Orlopp considera "um preço muito baixo".
17 Mar 2026 - 12:13
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Bettina Orlopp, CEO do Commerzbank, e Andrea Orcel, CEO do UniCredit | Foto: Commerzbank e UniCredit, editada por Rigby Ciprião, Jornal PT50
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Bettina Orlopp, CEO do Commerzbank, e Andrea Orcel, CEO do UniCredit | Foto: Commerzbank e UniCredit, editada por Rigby Ciprião, Jornal PT50
A CEO do Commerzbank afirmou nesta terça-feira que o banco quer aumentar os lucros para beneficiar os acionistas, depois de na segunda-feira o italiano UniCredit ter lançado uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) para poder ultrapassar o limite de 30% de capital. Em entrevista à Bloomberg TV, divulgada pela Europa Press, Bettina Orlopp indicou que a OPA voluntária do UniCredit foi “uma surpresa” e considerou que se trata de uma proposta “a um preço muito baixo”.
A presidente do Commerzbank disse ainda que não seria necessária uma oferta de aquisição para “negociar” com o UniCredit. Orlopp garante que o banco alemão irá agir no melhor interesse dos seus ‘stakeholders’, a começar pelos acionistas, e que está focado em “acelerar a rentabilidade, o que beneficia todos os acionistas, incluindo o UniCredit”.
O banco italiano anunciou na segunda-feira o lançamento de uma OPA voluntária de aquisição de ações do Commerzbank, avaliando o segundo maior banco comercial da Alemanha em aproximadamente 35 mil milhões de euros. O objetivo do UniCredit é ultrapassar o limite de 30% do capital que detém no Commerzbank, embora tenha dito que não quer obter o controlo da instituição alemã.
“Não há planos para uma aquisição”, declarou o UniCredit em comunicado, especificando que, atualmente, detém uma participação direta de aproximadamente 26% no Commerzbank e uma participação adicional de aproximadamente 4% através de outros instrumentos financeiros. “A nossa expectativa não é ultrapassar significativamente o limite dos 30%. Não procuramos o controlo, mas sim um diálogo construtivo com o Commerzbank e outras partes interessadas”, disse o CEO do UniCredit, Andrea Orcel.
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Nos últimos meses, o apetite de Orcel pela instituição alemã tem aumentado, com o banqueiro a reiterar várias vezes o seu interesse no Commerzbank. Por outro lado, tanto a CEO do banco como o executivo alemão, um dos maiores acionistas, já demonstraram o seu desagrado com estes avanços.
Embora a relação de troca da oferta seja determinada nos próximos dias pela BaFin, a reguladora financeira alemã, o banco italiano estima que será equivalente a 0,485 ações do UniCredit para cada ação do Commerzbank, o que implica um preço de 30,8 euros por ação, ou um prémio de 4% no fecho da transação.
O UniCredit tem protagonizado várias movimentações que estão a agitar o setor bancário europeu. Nos últimos meses, a aquisição de uma posição importante no alemão Commerzbank pelo UniCredit relançou o tema das fusões transfronteiriças na banca europeia e abriu uma brecha nacionalista entre Itália e Alemanha.
Recorde-se que o segundo maior banco italiano protagonizou o início de uma onda de consolidação na banca italiana no ano passado, quando, no final de 2024, lançou uma OPA sobre o rival Banco BPM, que acabou por cair. O UniCredit culpou a interferência do Governo italiano – através dos ‘golden powers’, que entretanto estão a ser questionados por Bruxelas e levaram à abertura de um processo.
A perda de controlo do Commerzbank tem feito recrudescer os receios de perda de empregos e de problemas económicos na Alemanha, desde logo por poder dificultar o financiamento às pequenas e médias empresas.
A liderar o UniCredit está o italiano Andrea Orcel (61 anos), uma estrela do setor bancário, conhecido como o ‘Cristiano Ronaldo dos banqueiros’ pela experiência em fusões e aquisições na banca. Em 2018, foi anunciado para ser presidente executivo do Santander, mas desentendimentos sobre o seu salário com a mulher forte do grupo espanhol, Ana Botín, levaram o Santander a recuar na contratação. Orcel foi para a Justiça e o banco foi condenado a pagar-lhe 43 milhões de euros.
Em 2025, o UniCredit teve lucros de 10,6 mil milhões de euros e o Commerzbank 2,6 mil milhões de euros.
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