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Como rentabilizar o dinheiro se ganhar a Lotaria de Natal
O Jornal PT50 elaborou três cenários de aplicação do valor de uma fração premiada. A rentabilidade dependerá da vontade do titular de correr mais ou menos risco.
24 Dez 2025 - 07:15
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Sorteio da Lotaria Clássica do Natal/Fonte: Santa Casa
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Sorteio da Lotaria Clássica do Natal/Fonte: Santa Casa
No próximo dia 26 realiza-se a lotaria clássica de Natal do Departamento de Jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. O primeiro prémio tem um valor total, por série, de 12,5 milhões de euros e cada fração premiada valerá 250 mil euros. Tal como o Banco Central Europeu (BCE) demonstrou na sua investigação “Resposta da oferta de trabalho a ganhos inesperados”, da autoria dos economistas Dimitris Georgarakos, Tullio Jappelli, Geoff Kenny e Luigi Pistaferri, os ganhos inesperados reduzem efetivamente a vontade de trabalhar, mas apenas quando os montantes são substanciais.
Segundo aquele trabalho, “para valores iguais ou inferiores a 25 mil euros, os efeitos são estatisticamente nulos. Em contraste, ganhos maiores (entre os cinquenta e os cem mil euros) reduzem a probabilidade de estar empregado entre 1,5 e 3,5 pontos percentuais (numa taxa de emprego de referência de 84%).”
O exercício do Jornal PT50 parte da premissa de que alguém comprou uma fração do primeiro prémio e que terá direito a 250 mil euros. O primeiro revés para o feliz contemplado está na fiscalidade que recai sobre os jogos em Portugal.
No nosso país, os prémios da Lotaria Clássica (incluindo a Lotaria de Natal) estão sujeitos a Imposto do Selo à taxa de 20%, quando o valor do prémio é superior a 5.000 euros. Atenção: a taxa de imposto é aplicada a todo o prémio e não apenas ao montante que excede os 5.000 euros.
Assim, a um prémio bruto de 250 mil euros (menos 20%) corresponderá um prémio líquido de 200 mil euros. O imposto é retido na fonte pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, pelo que o valor recebido já é líquido e não necessita de ser declarado em IRS.
Com 200 mil euros de ganhos inesperados, é então preciso rentabilizar este montante, de forma a encontrar uma combinação equilibrada entre estabilidade e risco. E é nesta dicotomia que se definem os ganhos. Mais risco corresponderá (teoricamente) a maior rentabilidade; menos risco terá como contrapartida menores ganhos. As hipóteses escolhidas eliminam a volatilidade dos mercados — algo que está sempre presente — e pressupõem juros inalterados ao longo das maturidades.
Escolhemos dois instrumentos financeiros considerados de baixo risco (depósitos a prazo e Certificados de Aforro) e uma aplicação de risco elevado, que será uma carteira de investimento composta por dívida pública soberana, obrigações e ações.
No caso dos depósitos a prazo, segundo os últimos dados do Banco de Portugal, a média dos juros pagos pelos bancos ronda os 1,37%, mas, com a ajuda do site HelpMyCash, é fácil encontrar instituições europeias que remuneram os depósitos a uma taxa de 2,8%.
Uma outra aplicação conservadora são os Certificados de Aforro, instrumentos de dívida pública com garantia do Estado, muito apreciados pelas famílias portuguesas como instrumentos de poupança sem risco. Ainda de acordo com os últimos números do Banco de Portugal, os portugueses têm investidos em Certificados de Aforro cerca de 39,4 mil milhões de euros.
O segredo desta adesão reside não só na segurança dada pelo Estado (embora Portugal tenha sido intervencionado pela Troika em 2011), mas também no chamado “prémio de permanência”, uma espécie de bónus que vai aumentando e capitalizando à medida que a maturidade avança.
Uma questão fundamental é que a remuneração deste instrumento financeiro tem a taxa Euribor como base, o que o torna exposto à volatilidade das taxas de juro.
A Série F, a única atualmente ativa, tem a sua rentabilidade calculada através de uma taxa base determinada mensalmente no antepenúltimo dia útil do mês, para vigorar durante o mês seguinte. Essa taxa é calculada com base na média dos valores da Euribor a três meses observados nos últimos dez dias úteis antes do cálculo, sendo o resultado arredondado à terceira casa decimal. A taxa não pode ser superior a 2,5% nem inferior a 0%.
Além dessa taxa base, existe um prémio de permanência, pago do início do segundo ano de subscrição até ao fim do quinto ano, de 0,25%.
No início do sexto ano e até ao fim do nono ano, o prémio de permanência sobe para 0,50%, sendo somado à taxa base.
Nos décimo e décimo primeiro anos acrescenta-se mais 1% à taxa base. Nos décimo segundo e décimo terceiro anos soma-se 1,50% e, nos décimo quarto e décimo quinto anos, 1,75% à taxa base.
Todos os juros têm capitalização automática a cada três meses. No final de cada trimestre, os juros a que o investidor tiver direito são automaticamente somados ao capital aplicado, permitindo que a poupança renda mais no trimestre seguinte.
A carteira “arriscada” escolhida pelo Jornal PT50 é composta por 30% de obrigações alemãs a 10 anos, 20% de obrigações de empresas (investment grade), 10% de obrigações europeias (high yield), 25% de ações de empresas globais, 10% de investimentos alternativos (ouro, prata e matérias-primas) e 15% em depósitos a prazo.
Tomámos como referência a maturidade máxima dos Certificados de Aforro (15 anos) e fizemos contas ao final de um, cinco, dez e quinze anos. O investimento de risco na carteira descrita acima é sempre mais rentável, enquanto os depósitos a prazo conseguem superar os Certificados de Aforro até uma maturidade de dez anos, ficando equivalentes em termos de rentabilidade no final de quinze anos. Recordamos que está eliminada a volatilidade dos mercados financeiros.
Assim, quem optar por aplicar os 200 mil euros num depósito a prazo com uma taxa de 2,8% terá, ao fim do primeiro ano, mais 5.500 euros. Ao fim de cinco anos terá mais 29.054 euros. No final de uma década acumula 62.330 euros e, no final dos quinze anos, mais 100.439 euros, com uma rentabilidade anualizada de 2,8%.
Quem optar por aplicar os 200 mil euros em Certificados de Aforro terá, ao fim do primeiro ano, mais 4.300 euros; no final de cinco anos (já com o bónus) consegue mais 23.150 euros; no final de uma década, 53.895 euros; e, no final dos quinze anos, ao investimento inicial de 200 mil euros acrescentará mais 101.761 euros.
Esta evolução significa que, se não existir nenhuma alteração, o investimento em Certificados de Aforro só é mais rentável do que um depósito a prazo pelo tempo que o investidor deixa o seu dinheiro aplicado, beneficiando dos bónus acumulados.
No terceiro cenário, de investimento arriscado com uma carteira diversificada de instrumentos financeiros, no final do primeiro ano existe um ganho de 8.439 euros; ao fim de cinco anos, o ganho sobe para 45.909 euros; ao final de uma década, para 102.356 euros; e, no final de quinze anos, os 200 mil euros investidos inicialmente registam um ganho de 171.761 euros, com uma rentabilidade anualizada de 4,2%.
São estes os três cenários que o Jornal PT50 deixa à consideração de todos os que compraram a Lotaria Clássica de Natal.
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