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DBRS prevê mais um bom ano para a banca portuguesa

A sustentabilidade da política de remuneração dos acionistas dependerá do volume de negócios que as instituições consigam desenvolver.

19 Jan 2026 - 16:18

3 min leitura

A agência de notação financeira Morningstar DBRS prevê que 2026 seja mais um ano “dourado” para a banca portuguesa e espanhola. Numa conferência realizada nesta segunda-feira, os especialistas da DBRS consideraram que ambas as economias ibéricas irão crescer acima da média da União Europeia (UE) até 2028, embora antecipem um ligeiro arrefecimento da economia portuguesa após 2026. Segundo as previsões da instituição, Portugal terá crescido 1,9% em 2025, deverá crescer 2,1% em 2026, 1,5% em 2027 e 1,7% em 2028.

Esta dinâmica de crescimento irá estimular a procura interna e, consequentemente, a procura de crédito. Uma das vantagens dos bancos portugueses face aos seus homólogos espanhóis está relacionada com o repricing dos empréstimos à habitação. Segundo a DBRS, em Portugal a maioria dos empréstimos está indexada a taxas variáveis a três e seis meses, tendo a maior parte do repricing das carteiras sido realizada em 2025, pelo que não deverá afetar significativamente os balanços bancários. Já em Espanha, a maioria das carteiras de crédito à habitação será renegociada em 2026, a taxas de juro mais baixas, sendo expectável algum impacto nas contas das instituições financeiras.

No que respeita à política de remuneração dos acionistas, os especialistas da DBRS consideram que a sustentabilidade dessas políticas estará associada à capacidade de cada banco aumentar o seu volume de negócios. No caso português, referem que existem algumas instituições financeiras, como o Banco Montepio (detido pela Associação Mutualista Montepio Geral) e a Caixa Geral de Depósitos (detida pelo Estado), cujos acionistas serão significativamente menos exigentes em termos de remuneração do capital quando comparados, por exemplo, com os acionistas do Millennium bcp ou do Santander Totta.

Em termos de eficiência e rentabilidade dos capitais próprios, a DBRS antecipa uma melhoria em 2026 face a 2025, num contexto em que a taxa Euribor a seis meses deverá apresentar algum sinal de subida.

O crescimento das comissões deverá continuar em 2026, nomeadamente nas áreas relacionadas com o crédito ao consumo. Em paralelo, prevê-se também um aumento das despesas de investimento, em particular nas áreas do digital e da Inteligência Artificial (IA).

Relativamente à qualidade dos ativos, a DBRS considera que as instituições financeiras portuguesas realizaram um “trabalho extraordinário” na redução do crédito não produtivo (non-performing loans – NPL), o que, aliado ao crescimento económico, deverá contribuir para uma nova redução do custo do risco em 2026.

Os principais riscos identificados para 2026 decorrem de um eventual abrandamento inesperado da economia, motivado por ameaças externas que possam afetar a qualidade dos ativos e o crescimento do crédito. Outro risco relevante prende-se com possíveis correções no valor dos ativos em carteira.

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