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Dono do brasileiro Banco Master detido
Foram encontradas mensagens de Vorcaro para quem coordenava a vigilância de jornalistas e outros alvos do empresário. "Parte-lhe os dentes todos, num assalto", ordenou.
04 Mar 2026 - 15:48
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Foto: Banco Master
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Foto: Banco Master
O acionista principal do brasileiro Banco Master, Daniel Vorcaro, foi detido nesta quarta-feira, anunciou o Supremo Tribunal do Brasil, que informou sobre a execução de “quatro mandados de prisão preventiva, quatro medidas cautelares diversas da prisão, entre as quais duas suspensões do exercício da função pública, bem como 14 mandados de busca e apreensão”.
O nome de Vorcaro não é mencionado diretamente pelo tribunal, sendo que os seus advogados não responderam de imediato a pedidos de esclarecimento da agência Reuters. O empresário já havia sido detido no âmbito da liquidação do banco e mais tarde libertado, com obrigação de uso de pulseira eletrónica.
A 3.ª fase da Operação Compliance Zero, de acordo com um comunicado da Polícia Federal, determinou “ordens de afastamento de cargos públicos e de sequestro e bloqueio de bens, no montante de até 22 mil milhões de reais (3,62 mil milhões), com o objetivo de interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado”.
Recorde-se que o Banco Master entrou em liquidação no passado mês de novembro, por ordem do Banco Central do Brasil, devido a falhas graves de liquidez do banco.
O Supremo Tribunal Federal acrescentou ainda, em comunicado, que “foi determinada a suspensão de atividade de natureza económica ou financeira de cinco pessoas jurídicas supostamente utilizadas para a realização de atividades ilícitas e de lavagem de dinheiro, além do bloqueio de bens, direitos e valores das pessoas físicas e jurídicas supostamente envolvidas nos ilícitos investigados”.
De acordo com a informação divulgada, “o esquema investigado apresenta quatro núcleos principais de atuação”. São eles o “núcleo financeiro, responsável pela estruturação das fraudes contra o sistema financeiro”; o “núcleo de corrupção institucional, voltado à cooptação de servidores públicos do banco central”; o “núcleo de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro, com utilização de empresas interpostas” e o “núcleo de intimidação e obstrução de justiça, responsável pela monitorização ilegal de pessoas, entre as quais adversários concorrenciais, jornalistas, ex-funcionários e autoridades”.
Neste último núcleo, reforça o tribunal, “identificaram-se indícios de realização de acessos indevidos a sistemas sigilosos de instituições públicas com competência investigativa, inclusive no âmbito internacional. Entre tais entidades elencam-se a própria Polícia Federal, o Ministério Público Federal, o FBI e a Interpol”.
Entre os documentos citados pela Reuters, foram encontradas mensagens de Vorcaro para um homem, cuja alcunha aparece como “sicario”, e que coordenava a vigilância de jornalistas e outros alvos do empresário. Mais ainda, uma mensagem em particular para esta pessoa dá ordens para espancar um jornalista. “Parte-lhe os dentes todos, num assalto”, ordenou. Ainda que no nome do jornalista estivesse ocultado nos documentos, a Globo já comunicou que estas mensagens visavam o seu jornalista Lauro Jardim.
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