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Entre a captação de clientes e a procura de talento: a relação da banca nacional com as universidades

Em plena época de regresso às aulas, o Jornal PT50 procurou saber que campanhas correm nos bancos para universitários e como estes colaboram com as instituições de ensino superior.

31 Ago 2026 - 07:06

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Cerca de 42,3% da população universitária manifesta alguma aversão ao risco financeiro/Foto: Magnific

Cerca de 42,3% da população universitária manifesta alguma aversão ao risco financeiro/Foto: Magnific

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As instituições de ensino superior portuguesas começam nesta semana a bulir, com dezenas de milhares de novos estudantes a entrarem neste novo ciclo de estudos pela primeira vez e outros tantos a retomarem a rotina estudantil.

O meio académico – onde estão matriculados mais de 450 mil alunos, de acordo com os dados da PORDATA de janeiro deste ano – é também terreno fértil para os bancos nacionais procurarem novos clientes ou, numa perspetiva de longo prazo, os seus próximos colaboradores. O Jornal PT50 procurou saber que parcerias mantêm as instituições bancárias com as universidades e politécnicos do país e como estas se traduzem em benefícios para os estudantes.

A isenção de comissões (condicional)

De momento, o Santander Portugal e o Millennium BCP contam com campanhas de abertura de conta para estudantes universitários que oferecem um prémio monetário, de 60 euros e 50 euros, respetivamente, mediante o cumprimento de certas condições. Ambas as contas têm isenção de comissões.

No caso do Santander Portugal, a campanha aplica-se aos alunos que abrirem uma Conta Jovem até 15 de outubro. Além disto, devem aderir à aplicação Santander, realizar quatro compras com o cartão de débito e manter a conta ativa por 12 meses, no mínimo, de acordo com o comunicado do banco sobre a campanha.

Já o BCP tem a campanha a decorrer até 30 de setembro, para pessoas dos 18 aos 25 anos e que não sejam já primeiros titulares de outra conta à ordem no banco. O Millennium BCP requer uma fidelização mínima de dois anos e 150 euros na abertura da conta, segundo a informação disponibilizada no site.

O BCP realça ainda que, após os estudos, caso o cliente domicilie o ordenado, de valor igual ou superior a 750 euros, pode manter a isenção de comissões até aos 30 anos.

Em resposta ao Jornal PT50, o BCP informa ainda que dispõe de um Cartão Travel, “isento de comissão de disponibilização”, que permite que um estudante em Erasmus ou intercâmbio internacional fique “isento de todas as taxas e comissões” em compras, “em qualquer moeda e em qualquer parte do mundo” e também possa fazer “levantamentos sem comissão desde que efetuados dentro do EEE e se em euros, coroa sueca ou leu romeno”. Fora do EEE ou dentro, mas noutras moedas, existe uma taxa de 5 euros por levantamento.

Para estudantes Erasmus, existem ainda “seguros com proteção adicional através da extensão académica”.

Por fim, o banco reforça que dispõe de crédito Pessoal Educação para universitários com montantes a partir de 1000 euros e com condições preferenciais. Estes têm uma TAEG de 6,9% e TAN de 6%, com prazo total até dez anos.

Estágios, bolsas e prémios

O outro lado da moeda, não tão comercial, prende-se com uma ligação mais institucional entre a banca e o mundo académico. Esta toma várias formas, desde bolsas de mérito a feiras de emprego e estágios.

Este último formato aparenta ser o mais comum entre os bancos portugueses. A presença em feiras de emprego também é habitual, bem como a aproximação dos estudantes às empresas, de forma a promover a empregabilidade e a transição para o mercado de trabalho.

Ao Jornal PT50, o Crédito Agrícola, o BPI e o Banco Montepio destacam os estágios como uma forma de aproximação das empresas ao meio universitário. Não só estas entidades, mas várias outras do setor financeiro promovem programas de estágios ao longo do ano, seja através de estágios profissionais IEFP, estágios curriculares no verão ou estágios para integração profissional na instituição.

O Banco Montepio refere que não mantém parcerias exclusivas ou formais com instituições de ensino superior e explica que a sua “abordagem assenta na criação de oportunidades acessíveis a estudantes e recém-graduados de diferentes origens académicas, privilegiando uma relação aberta e inclusiva com o universo do ensino superior”. Entram nesta dinâmica feiras de emprego, ações de ‘networking’ e sessões de esclarecimento sobre oportunidades de carreira e estágio.

No caso do Banco Montepio, este reforça o seu programa peliCAN, “concebido para proporcionar uma entrada estruturada e diferenciadora no mercado de trabalho” e que “constitui uma oportunidade para jovens talentos desenvolverem competências, conhecerem em maior profundidade uma área alinhada com os seus interesses e iniciarem o seu percurso profissional num contexto de aprendizagem contínua e contacto direto com a realidade do setor financeiro”.

Por sua vez, o Crédito Agrícola promove o programa de estágios CA Educa, que “reforça anualmente a sua aproximação à comunidade académica”, “permitindo contacto direto com diferentes áreas de atividade do Grupo Crédito Agrícola e contribuindo para o desenvolvimento de competências técnicas e comportamentais”.

O BPI segue a mesma linha de pensamento, argumentando que “os estudantes beneficiam do acesso a experiências profissionais estruturadas, contacto direto com equipas especializadas e participação em programas desenhados para acelerar a aprendizagem e a integração no contexto empresarial e num setor diferenciado e competitivo”.

O banco, que revela ter parcerias com pelo menos uma dúzia de entidades académicas, entre faculdades e universidades, “colabora ainda com organizações especializadas na ligação entre empresas e comunidade académica, promovendo uma aproximação contínua aos estudantes e recém-graduados”. Sublinha a ligação com a Magma Studio, “parceiro especializado em ‘employer branding’, que permite reforçar a visibilidade enquanto marca empregadora de referência”. O BPI trabalha também com a Business Roundtable Portugal, no âmbito de programas de requalificação profissional.

No que diz respeito a bolsas e prémios, o Crédito Agrícola adianta ter parcerias com a Faculdade de Economia do Porto, “centrada na promoção da sustentabilidade e concretizada, entre outras iniciativas, através do Prémio Crédito Agrícola & FEP Geração Impacto”. Com a Nova SBE mantém uma colaboração no âmbito da iniciativa House of Leaders, que inclui a atribuição de bolsas de mérito.

“A nível regional, as Caixas de Crédito Agrícola desenvolvem igualmente projetos de proximidade com diversas instituições de ensino superior”, reforça o banco. Exemplifica com o Prémio Mérito Científico da Universidade dos Açores e ainda os Prémios Crédito Agrícola, através da parceria com a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. Existe ainda, a nível nacional, o Prémio ECOTROPHELIA, “dedicado à promoção da ecoinovação no setor agroalimentar”, acrescenta.

Também o Santander Portugal, através da sua fundação, se destaca neste campo. De acordo com a informação prestada ao Jornal PT50, desde que foi criada em 2022 até ao final deste ano, “a Fundação Santander Portugal terá investido um total acumulado de 35 milhões de euros na promoção da educação em Portugal”.

A instituição revela que desenvolve atualmente programas estratégicos com 31 entidades do ensino superior. Segundo explica, “as parcerias materializam-se em três grandes dimensões: acesso ao ensino superior, desenvolvimento de competências e abertura das instituições à comunidade”.

A fundação já garantiu perto de 5 milhões em bolsas de acesso ao ensino superior desde 2024. Neste sentido, esclarece que existem ainda bolsas sociais, de mérito, de mobilidade internacional, ide investigação e ainda apoios para futuros professores.

Há ainda uma aposta no desenvolvimento de competências, através da Santander Open Academy, uma plataforma com mais de 1000 cursos gratuitos que abrangem várias áreas. A fundação promove ainda programas que “procuram preparar os estudantes para o futuro do trabalho, promovendo competências como pensamento crítico, resolução de problemas, liderança, flexibilidade, inteligência emocional, inovação e empreendedorismo”.

A Fundação Santander Portugal tem ainda parcerias no domínio da empregabilidade, que “promovem contacto com empresas e recrutadores, feiras de emprego, programas de carreira, mentoria, estágios e oportunidades de ‘networking’”.

“Na área do empreendedorismo, os estudantes podem participar em concursos de ideias, desafios de inovação, programas de aceleração de ‘startups’ e iniciativas de contacto com investidores, especialistas e parceiros, incluindo através da plataforma global Santander X”, acrescenta.

Até à publicação desta notícia não foi possível obter respostas da Caixa Geral de Depósitos, Novo Banco e Bankinter.

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