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França, Itália e Espanha representam 45% da exposição das carteiras dos bancos portugueses à dívida soberana estrangeira
Secretário do Tesouro norte-americano não espera contágio aos mercados devido à pressão sobre a dívida francesa
21 Out 2026 - 07:30
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Nas carteiras de dívida soberana dos bancos portugueses, destaca-se a exposição a Espanha, Itália e França, que representa, no conjunto, 45%. Os dados constam dos Relatórios de Estabilidade Financeira do Banco de Portugal relativos a 2025 e 2024. Neste último documento, com base em dados de 2023, o peso da dívida soberana francesa nas carteiras dos bancos portugueses era de 8,8%.
Esta exposição ganha relevância numa altura em que a crise política e orçamental de França continua a agravar-se, com os mercados a penalizarem a dívida francesa. A rendibilidade das obrigações francesas a dez anos chegou a atingir esta semana os 4,94%, aproximando-se da barreira dos 5%, num contexto de crescente desconfiança quanto à sustentabilidade das finanças públicas do país.
Com uma dívida próxima de 120% do Produto Interno Bruto (PIB) e um défice superior a 5%, França enfrenta um círculo vicioso em que o aumento dos custos de financiamento ameaça deteriorar ainda mais as contas públicas.
No entanto, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, não espera que as pressões no mercado da dívida francesa provoquem um efeito de contágio, embora tenha admitido que os investidores poderão estar à procura da segurança da dívida norte-americana, em detrimento da dívida de outros países que suscitam maiores preocupações.
Numa entrevista concedida na terça-feira à plataforma digital de comunicação social 2Way, do jornalista Mark Halperin, o responsável afirmou que «desde que o Presidente Trump assumiu o cargo, o mercado de obrigações dos Estados Unidos tem tido o melhor desempenho do mundo».
«Embora não fosse algo planeado, estamos perante uma fuga de capitais para a segurança do território americano, abandonando outros países que geram mais preocupações», afirmou Bessent.
«A França enfrenta uma situação difícil», referiu o responsável norte-americano, salientando que a equipa económica do Presidente Emmanuel Macron «é de primeiro nível», pelo que «não prevejo um efeito de contágio pelo que está a acontecer em França».
Segundo o Banco de Portugal, «o sistema bancário português apresenta uma elevada exposição a títulos de dívida soberana, ativos imobiliários e, em menor grau, ativos emitidos por outros subsetores do setor financeiro nacional».
«Em 2024, o peso dos títulos de dívida soberana no ativo aumentou para 19% (+3,3 pontos percentuais face ao final de 2023), dando continuidade à tendência de redução do peso da dívida soberana portuguesa. Esta evolução ocorreu num contexto de crescimento moderado do crédito e de redução do rácio entre crédito e depósitos, levando os bancos a aumentar as suas carteiras de títulos de dívida soberana», refere o Banco de Portugal no Relatório de Estabilidade Financeira.
Esta expansão foi acompanhada por uma maior diversificação geográfica. «Com base na informação relativa à atividade doméstica, que não inclui a atividade desenvolvida pelas filiais no estrangeiro, o peso da dívida soberana portuguesa diminuiu 49 pontos percentuais nos últimos dez anos, para 30%. Em contrapartida, a exposição aos países da área do euro aumentou gradualmente, atingindo 57%», refere o Banco de Portugal.
Nas carteiras de dívida soberana, destaca-se a exposição a Espanha, Itália e França, que representa, no conjunto, 45%. Seguem-se, com um peso menor, a Bélgica, a Alemanha, a Irlanda e os Países Baixos, que representam, no total, 11%, e os Estados Unidos, com 3%.
Em 2024, registou-se um aumento significativo da exposição a instituições supranacionais, refletindo a emissão de obrigações pela Comissão Europeia, que representaram 9% das carteiras de dívida soberana.
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