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Futuro da NZBA vai a votos este mês: bancos portugueses não revelam sentido de voto
A Net-Zero Banking Alliance enfrenta saídas de bancos, principalmente americanos, devido à pressão política. Bancos da UE permanecem e seguem compromissos de neutralidade.
09 Set 2025 - 07:23
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Foto: Unsolash/Jas Min
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Foto: Unsolash/Jas Min
A Net-Zero Banking Alliance (NZBA) tem tido várias baixas nos últimos meses, fruto da pressão política internacional sobre as questões relacionadas com sustentabilidade e inclusão, suscitadas pela chegada ao poder de Donald Trump nos EUA. Desde janeiro, houve um êxodo dos grandes bancos americanos, em primeiro lugar, seguidos pelos canadianos, japoneses e, mais recentemente, alguns europeus.
A aliança, que data de 2021, funciona numa base de adesão voluntária por parte das instituições bancárias e tinha como meta limitar o aquecimento do planeta a 1,5 graus celsius. Em 2025, a NZBA votou pelo abandono deste objetivo, relembra a Morningstar DBRS, ainda que tenha mantido o objetivo de manter o aquecimento “bem abaixo” de 2 graus celsius.
A organização anunciou, no final de agosto, que, após receber feedback de membros, decidiu levar a votos o futuro da estrutura. Em causa está a transformação da aliança de uma entidade de livre adesão para algo que serviria de enquadramento e padrão, de acordo com o comunicado divulgado na altura.
Há quatro bancos nacionais que são membros desta aliança: a Caixa Geral de Depósitos (CGD), o Millennium BCP, o BPI e o Crédito Agrícola. Questionados pelo Jornal PT50, nenhum deu indicações sobre como iria votar nesta situação.
O BPI esclareceu que quem vota é o seu acionista, o CaixaBank. Do lado do BCP, este indica apenas que “não comenta”.
O Crédito Agrícola avança que está em processo de análise interna, mas entende que, “por respeito ao processo confidencial em curso, não anteciparemos qualquer posição antes de a mesma ser comunicada no âmbito da própria aliança”. Contudo, o banco sublinha que “acompanha com atenção os desenvolvimentos no âmbito da Net-Zero Banking Alliance, reconhecendo o papel da mesma na mobilização de instituições financeiras para uma transição climática, responsável e justa”.
A CGD, por sua vez, destaca a “iniciativa pioneira que junta hoje mais de 120 membros em 40 países” e como estas instituições encontraram aqui um referencial para “assumirem os seus Planos de Transição para a Neutralidade Carbónica, e assumirem o seu papel de liderança na canalização de fundos para o financiamento sustentável”.
Mais ainda, “a adoção rigorosa deste compromisso permitiu à Caixa conhecer os verdadeiros riscos climáticos a que o banco estava exposto, quer através das suas atividades próprias quer da sua carteira de financiamento”, explica.
Sobre as alterações em vista para a aliança, fonte oficial da CGD esclarece que, “como qualquer referencial que evolui e se adapta a novas exigências e contextos, a evolução do ‘framework’ da NZBA irá necessariamente refletir as necessidades dos associados que mantenham como prioridade a transição para uma economia de baixo carbono e a mitigação do risco climático, acompanhando a expectativa do supervisor e das autoridades bancárias”.
Bancos da União Europeia não abandonam
Os bancos de países da União Europeia (UE) mantêm-se presentes na NZBA. Os três bancos europeus que abandonaram – HSBC, Barclays e UBS – não estão sujeitos aos objetivos da UE sobre a neutralidade carbónica. No entanto, recorde-se que todos os bancos que abandonaram a aliança asseguraram que mantêm a sua meta de ser neutros até 2050 e acreditam que já fortaleceram o suficiente as suas políticas de risco, nota a DBRS.
“Os bancos sediados na UE não abandonaram esta área, talvez porque a UE pretende ser neutra em termos climáticos até 2050, uma meta juridicamente vinculativa consagrada na Lei Europeia do Clima. Além disso, os grandes bancos sediados na UE estão sob a supervisão regulamentar do Banco Central Europeu (BCE), que tem pressionado continuamente os bancos sediados na UE a compreender as alterações climáticas e a avaliar os riscos climáticos associados, apoiando simultaneamente o financiamento sustentável”, recorda a agência de ‘ratings’.
A DBRS teme que uma organização que não funcione com base na adesão dos seus membros leve a “menos ação coletiva à escala global”. “Em geral, acreditamos que uma série de fatores externos e incertezas fazem parte da solução para mitigar as alterações climáticas. Isso inclui não apenas políticas governamentais, mas também desenvolvimentos tecnológicos e a resposta da sociedade às alterações climáticas. Neste contexto, acreditamos que a consciência dos bancos sobre os riscos climáticos melhorou”, conclui a DBRS.
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