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“Gastámos 8 mil milhões no Novo Banco e recuperámos 2. Tenho dificuldade em fazer disto uma festa”

O CEO do BPI, João Pedro Oliveira e Costa, critica a ideia de penalização fiscal dos bancos e realça o êxito da entrada do BFA na bolsa angolana. Os lucros dos primeiros nove meses caíram 12%, para 389 milhões de euros.

31 Out 2025 - 13:16

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João Pedro Oliveira e Costa, CEO do BPI

João Pedro Oliveira e Costa, CEO do BPI

“A evolução da rentabilidade dos bancos explica-se pela evolução das taxas de juro. O que houve foi uma transição de taxas de juro negativas para taxas de juro positivas”, afirmou João Pedro Oliveira e Costa, explicando assim a queda de 12% dos lucros do BPI nos primeiros nove meses do ano, para 389 milhões de euros, apesar do crescimento homólogo de 8% na concessão de crédito e de 10% na captação de recursos de clientes.

O CEO do BPI foi taxativo em relação à atividade do banco: “O BPI está sustentado na sua atividade ‘core’, que é em Portugal. Temos uma estratégia muito simples e clara: estamos a apostar em Portugal. Somos um banco português, para pessoas e empresas portuguesas, com um grande acionista espanhol. Estou concentrado em Portugal.”

Apesar de a atividade em Portugal ter contribuído com 362 milhões de euros para os resultados do banco, o grande destaque do BPI este ano foi Angola. A entrada do Banco de Fomento de Angola (BFA) na Bolsa de Luanda rendeu ao BPI — que alienou 14,75% do capital da instituição angolana — cerca de 100 milhões de euros. Embora este resultado já tenha sido registado contabilisticamente em setembro, o desafio agora é repatriar esse montante, que está em kwanzas e em Luanda, para Portugal. O processo será feito de forma gradual, à medida que o Banco Nacional de Angola disponibilize dólares ao BFA.

Relativamente aos restantes 33,35% que o BPI detém no BFA, João Pedro Oliveira e Costa esclareceu: “Se o acionista Unitel (que representa o Estado angolano) alienar a sua posição, temos uma cláusula de tag along (seguir a mesma estratégia) e iremos analisar com muita atenção qual será a nossa posição. Vamos acompanhar o que o Estado angolano decidir fazer.”

O responsável acrescentou: “Temos uma história de 30 anos em Angola. O BFA é o melhor banco de Angola. Sabemos que existem muitas notícias sobre este assunto que são plantadas. O BFA não é uma posição estratégica de médio prazo para o BPI; é uma posição financeira.”

Sobre a reestruturação tributária da banca, anunciada pelo ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, o CEO do BPI afirmou: “Não me preocupa um novo imposto; temos capacidade para o pagar. O BPI paga 37% de IRC e, juntando as contribuições para a Segurança Social, são mais de 300 milhões de euros pagos ao Estado.”

A preocupação de João Pedro Oliveira e Costa é outra: “Procuram-se sempre os mesmos. Os bancos que cá estão hoje estão a pagar por algo de que não tiveram culpa. O Estado decidiu fazer a resolução para apoiar três ou quatro bancos que faliram, e nós estamos cá para pagar a conta.” O responsável escusou-se a comentar as recentes buscas no Novo Banco, mas acrescentou: “Gastámos oito mil milhões no Novo Banco e recuperámos dois mil milhões… Tenho dificuldade em aceitar que se faça disto uma festa.” E recordou: “Houve um momento muito difícil no país, entre 2008 e 2014. Existiu uma decisão política que teve impacto. Não me peçam para meter debaixo do tapete quanto é que isto custou aos contribuintes e aos bancos.”

Em relação aos resultados dos primeiros nove meses do ano, o CEO destacou o crescimento do crédito à habitação, que aumentou 49% face ao período homólogo, e o crescimento do crédito às PME, que subiu 10%.

O BPI pediu — e foi-lhe concedido — um reforço da garantia do Estado no crédito hipotecário e, até ao momento, já contratou 128 milhões de euros dos 240 milhões que recebeu em garantias estatais.

Para João Pedro Oliveira e Costa, o euro digital “é inevitável” e os bancos têm de se adaptar. “Temos de fazer um caminho de adaptação. Nos casos de utilização, veremos o que nos mostram os resultados dos testes-piloto, mas será mais uma evolução dos meios de pagamento com que temos de viver.”

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