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Governo anuncia que Juntas de Freguesia terão Multibanco ou dinheiro disponível para entregar a quem precise de fazer levantamentos

Ministro Castro Almeida fala em projeto com a Associação Portuguesa de Bancos (APB), o Banco de Portugal e a SIBS (gestora da rede Multibanco)

17 Jun 2026 - 13:38

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O ministro da Economia disse esta quarta-feira, no Parlamento, que, nas freguesias onde não forem instaladas caixas Multibanco, o objetivo é que sejam as Juntas de Freguesia a disponibilizar dinheiro às pessoas que necessitem de fazer levantamentos.

Numa audição na Comissão Parlamentar da Reforma do Estado e Poder Local, Castro Almeida falou do projeto que o Governo tem vindo a desenvolver com a Associação Portuguesa de Bancos (APB), o Banco de Portugal e a empresa SIBS (gestora da rede Multibanco), para a instalação de caixas Multibanco em freguesias onde estas não existem — uma situação que abrange mais de 1.000 freguesias.

O governante explicou que, nas maiores freguesias sem caixas automáticas, o objetivo é “instalar as normais máquinas Multibanco”.

Já nas freguesias mais pequenas, a intenção é “instalar não máquinas Multibanco, mas pequenas plataformas que permitam fazer aquilo que uma máquina Multibanco permite, exceto disponibilizar dinheiro”.

Ou seja, nestas freguesias, o objetivo é instalar equipamentos que permitam aos cidadãos realizar operações como pagamentos, mas sem a possibilidade de levantar dinheiro.

Nesse caso, explicou, o projeto passa por serem as Juntas de Freguesia a entregar dinheiro às pessoas que pretendam levantar numerário.

“Aí temos de criar um sistema com as freguesias para que as pessoas possam fazer movimentos com, digamos assim, a participação monetária das freguesias. Terão de ser as juntas a ter dinheiro disponível para poder entregar às pessoas”, afirmou Castro Almeida.

A falta de caixas Multibanco tem sido uma preocupação regularmente manifestada pela Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE), tendo inclusivamente sido debatida no congresso realizado no final de janeiro. Nessa ocasião, foi aprovada uma moção que pedia atenção para este problema.

Relativamente à possibilidade de serem as Juntas de Freguesia a entregar dinheiro, a ANAFRE já tinha anteriormente levantado dúvidas sobre a capacidade das autarquias locais para adiantarem valores em numerário.

Quando tomou posse como governador do Banco de Portugal, em outubro de 2025, Álvaro Santos Pereira afirmou que o sistema bancário deve manter um número suficiente de caixas automáticas em todo o país, garantindo que a população consiga aceder facilmente a dinheiro físico.

Em setembro de 2025, a Denária, associação que defende a utilização do numerário como meio de pagamento, criticou os chamados “desertos de numerário” em Portugal, devido à falta de caixas Multibanco, considerando que esta situação afeta sobretudo os grupos mais isolados e vulneráveis.

A associação citava dados do Banco de Portugal relativos a 2022, segundo os quais 1.276 freguesias (41%) não tinham qualquer ponto de acesso a dinheiro físico. Existem freguesias onde os habitantes têm de percorrer dezenas de quilómetros para aceder a uma caixa automática.

Para a associação, é essencial reforçar a cobertura da rede e garantir que todos os portugueses têm direito à utilização do numerário.

No final de 2025, existiam 13.700 caixas automáticas em Portugal, segundo dados do Banco de Portugal.

Agência Lusa
Editado por Jornal PT50

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