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Intesa Sanpaolo lança OPA de 30,6 mil milhões sobre MPS e quer ser 2.º maior grupo financeiro da Europa

O Intesa Sanpaolo quer atingir um lucro anual de 16 mil milhões em 2029 e estima sinergias de 2,9 mil milhões com o MPS.

08 Jun 2026 - 10:56

4 min leitura

foto: Intesa Sanpaolo

foto: Intesa Sanpaolo

O maior banco de Itália, o Intesa Sanpaolo, juntou-se à onda de consolidação do mercado bancário italiano. Aproveitando a distração do rival UniCredit com as suas ambições internacionais, o Intesa Sanpaolo (ISP) decidiu olhar para dentro e lançar, nesta segunda-feira, uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) de 30,6 mil milhões de euros sobre o Banca Montei dei Paschi di Siena (MPS). Trata-se da maior OPA de sempre do setor bancário italiano, segundo aponta a Reuters.

De acordo com o comunicado do banco, este destaca a possível criação de um grande ‘player’ europeu no setor, tornando-se o segundo maior grupo financeira listado na Europa, com uma capitalização bolsista de 126 mil milhões, apenas atrás do Santander.

Através de sinergias no valor de cerca de 2,9 mil milhões, aponta o banco italiano, este espera atingir um lucro de 16 mil milhões em 2029. Mais ainda, estima que, caso a transação se concretize, consiga atingir ou superar ainda em 2026 as metas que tem definidas para 2029.

A oferta consiste numa troca de 1,6 ações do ISP por cada ação do MPS, acrescida de 1 euro em dinheiro. O valor por ação fica, assim, em 10,091 euros, tendo em conta o valor das ações do Intesa Sanpaolo no fecho de mercado de sexta-feira, dia 5 de junho, segundo o mesmo. O proponente indica que esta oferta constitui um prémio de 12,5% sobre o valor do MPS no final de dia 5 de junho e de 17,4% sobre o valor médio de dos três meses anteriores.

O Intesa Sanpaolo convocou uma assembleia extraordinária de acionistas para 10 de setembro, com o objetivo de aprovar a emissão de 5,7 mil milhões de ações e aumentar o capital social do banco, de forma a financiar esta operação.

A transação deve ser finalizada até dezembro de 2026 e está sujeita às aprovações regulatórias. Recorde-se que o UniCredit deu como falhada a sua tentativa de aquisição do rival doméstico BPM devido às imposições do ‘golden power’ do Governo de Itália – e contestado pela Comissão Europeia. O Intesa Sanpaolo terá agora de passar pelo mesmo crivo.

O ISP tornou-se o maior banco do país em 2020 ao adquirir uma outra instituição mais pequena, o UBI. O banco tem-se distanciado da consolidação, apontando a concorrência como impedimento.

Neste sentido, o Intesa Sanpaolo revelou que chegou a acordo com a seguradora Unipol – principal acionista do BPER Banca, que, por sua vez, comprou o BP Sondrio no ano passado – para, caso a OPA seja bem-sucedida, lhe vender 635 balcões do MPS e os escritórios centrais em Siena, por entre 3 a 3,5 mil milhões. Segundo recorda a Reuters, a aquisição do UBI implicou um acordo semelhante com a mesma seguradora.

O Intesa Sanpaolo esclarece que a sua oferta se estende ao Mediobanca, que foi adquirido pelo MPS em 2025, caso a sua integração seja entretanto concluída.

O CEO do banco, Carlo Messina, citado pela Reuters, explicou, numa conferência com analistas, que a posição que o MPS detém na Generali é para manter, tal como o Mediobanca e a sua marca. O ISP vai manter uma posição de 3% na Generali, informa ainda.

O líder do ISP mostrou-se confiante de que vai alcançar o objetivo de 66,67% do capital do banco na OPA, realçando que o Intesa Sanpaolo tem uma boa relação com a Delfin e Caltagirone, os dois principais acionistas do MPS que recentemente discordaram sobre a liderança da empresa.

Este avanço do ISP surge após o Banco BPM ter convidado, neste domingo, o MPS para conversações sobre uma possível fusão, segundo a Reuters, algo que já vinha a ser conjeturado desde que o UniCredit largou a sua tentativa de aquisição. Uma fusão entre estas duas instituições criaria um banco com ativos a rondar os 50 mil milhões. O BPM tinha a unanimidade da sua administração para iniciar as negociações, mas acabou ultrapassado pelo rival maior.

O MPS, indica a Reuters, não comenta nenhum avanço sobre si até discutir internamente. A administração do banco tem reunião agendada para esta segunda-feira.

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