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Património financeiro líquido das famílias portuguesas aumentou 133,7% entre 2005 e 2025
Em 2005, os ativos das famílias portuguesas correspondiam a 2,2 vezes os passivos. Em 2025, eram o triplo.
23 Jul 2026 - 17:33
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O património financeiro líquido das famílias portuguesas atingiu, em 2025, 402 mil milhões de euros, o que equivale a um aumento de 133,7% face aos 172 mil milhões registados 20 anos antes. O banco central não contabiliza imóveis e terrenos nestes cálculos. São apenas considerados numerário, depósitos, títulos de dívida, participações no capital de empresas, unidades de participação em fundos de investimento, seguros e direitos sobre fundos de pensões.
Em percentagem do PIB, o património financeiro líquido passou de 108% para 131%, de acordo com os dados do Banco de Portugal, revelados nesta quinta-feira. O valor máximo do rácio, 146%, foi atingido em 2021. O banco central explica que isto se deve tanto ao aumento da poupança em contexto de pandemia como à contração da atividade económica do país, pela mesmo motivo. “Nos anos seguintes, o património financeiro líquido em percentagem do PIB diminuiu, acompanhando a recuperação da economia”, indica o supervisor bancário.
O banco central sublinha ainda que “a evolução das últimas duas décadas resulta de dois movimentos: por um lado, os ativos financeiros mantiveram-se em níveis elevados, atingindo 194% do PIB em 2025. Por outro lado, os passivos diminuíram de 84% para 63% do PIB”.
Segundo explica o supervisor, esta alteração tornou a relação entre ativos e passivos “mais favorável”. Em 2005, os ativos correspondiam a 2,2 vezes o valor dos passivos. No final de 2025, os ativos eram o triplo.
Depósitos continuam a ser o principal ativo
Os depósitos têm agora um papel ainda mais preponderante do que há 20 anos. Em 2025, o numerário e os depósitos representavam 44% do total dos ativos financeiros das famílias, indica o Banco de Portugal, contra 39% em 2005.
Os depósitos passaram de 73% do PIB para 86% durante o período em questão.
Os bancos detinham 77% dos depósitos no final do ano passado, menos 4 pontos percentuais do que em 2005. Já as aplicações junto das administrações públicas, como os Certificados de Aforro, correspondiam a 18% e os depósitos no exterior a 4%. Estes valores eram 14% e 5%, respetivamente, há duas décadas.
Apesar dos depósitos dominarem como ativos financeiros preferenciais dos portugueses, “a composição dos seus ativos financeiros tornou-se mais diversificada” ao longo dos anos, nota o banco central.
As participações no capital de empresas e as unidades de participação em fundos de investimento passaram de cerca de 30% do total de ativos financeiros para 40% em 20 anos. Em percentagem do PIB, o valor evoluiu de 60% para 77%.
Por outro lado, nota o supervisor, “os seguros e os fundos de pensões perderam importância relativa”, passando de 20% a 11% dos ativos financeiros das famílias. O seu peso em percentagem do PIB caiu de 38% para 21%.
O Banco de Portugal explica ainda que “o seu valor se manteve significativo, mas cresceu menos do que o conjunto dos ativos financeiros das famílias e do que a própria economia. Para esta evolução contribuíram também as transferências pontuais de fundos de pensões para os sistemas públicos de pensões, realizadas no início das décadas de 2010 e de 2020”.
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