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Mais de 20% dos portugueses querem planos de poupança e reforma no pacote de compensação
O estudo da Coverflex revela que perto de dois terços dos colaboradores recebe benefícios extra-salariais. Em média, os pacotes de situam-se entre 101 e 200 euros.
18 Mar 2026 - 12:30
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Os trabalhadores portugueses olham para o seu pacote salarial além do vencimento base. Perto de dois terços da população (64,1%) já conta com benefícios extra-salariais, de acordo com um estudo revelado pela Coverflex nesta quarta-feira. Entre os benefícios mais procurados pelos colaboradores está a inclusão de planos de poupança e reforma, que 21,8% dos inquiridos afirma querer.
Por outro lado, o estudo “O Estado da Compensação em Portugal 2026”, apresenta nesta quarta-feira em Lisboa, demonstra que apenas 13,8% dos portugueses tem acesso a este benefício em particular. De acordo com a Coverflex, este é o ponto de maior discrepância entre a oferta das empresas e a procura dos trabalhadores, com os planos de poupança e reforma a serem desejados por 29,2% das pessoas que não os têm incluídos na sua compensação.
O estudo da Coverflex contou com 804 inquiridos, dos quais 52,1% são mulheres. A recolha de dados decorreu em outubro.
O benefício mais comum entre os trabalhadores é o subsídio de refeição. Dos perto de dois terços que têm compensação extra-salarial, 89% recebe o apoio para refeição, com 48,9% destes a serem pagos em cartão refeição. No que diz respeito a valores, a maioria dos trabalhadores (41,4%) recebe entre 6 e 10,19 euros e 11,2% auferem 10,2 euros especificamente.
Entre os restantes benefícios mais comuns estão despesas de saúde e seguro de saúde, seguros de acidentes pessoais, descontos, apoio em combustível e pacote de telecomunicações. Todos estes benefícios foram reportados por mais de 20% dos inquiridos.
O valor total dos benefícios é, em média, entre 101 e 200 euros. 35,8% dos inquiridos revela receber um valor neste intervalo, 23,3% recebe entre 1 e 100 euros e 15,3% entre 201 e 300 euros. Menos de 8% está na faixa entre 301 e 400 euros e mais de 500 euros. Já o meio termo, entre 401 e 500 euros, diz respeito a 2,5%. 8,7%, por outro lado, não sabe quanto recebe.
Sobre o que os portugueses querem mais no que diz respeito aos seus benefícios, destaca-se a influência que têm sobre os mesmos. 27,1% está insatisfeito com a sua influência e 26,3% com o envolvimento dos colaboradores no planeamento dos benefícios. Note-se que o nível de insatisfação com o pacote de benefícios em si é menor do que com a influência sobre o mesmo.
Mais de 40% sente stress diário devido às condições financeiras
O estudo apresentado pela Coverflex aponta ainda para uma ligação evidente entre a satisfação com a compensação e o bem-estar financeiro. Segundo os dados divulgados, 43,4% dos inquiridos sente stress diário devido à sua condição financeira. Ao mesmo tempo, apenas um terço (33,4%) afirma ter dinheiro para tudo o que precisa.
Colocando isto numa escala de 0 a 100, o nível de bem-estar financeiro de quem se diz insatisfeito com a compensação fica em 43,9, enquanto os trabalhadores que se consideram satisfeitos ascendem a 68,9. Quem se aponta como neutro está em 59,5.
O estudo permite ainda concluir que a satisfação cai quanto maior é a empresa. “Quando trabalham em empresas maiores, [as pessoas] têm a expectativa de que lhes seja oferecido um pacote de compensação mais robusto e flexível”, explica a Coverflex. “À medida que a empresa cresce, cresce também a exigência em relação ao pacote de compensação. Escalar sem rever a compensação aumenta a frustração; é necessária transparência, estrutura, e flexibilidade”, alerta a empresa focada em benefícios.
De uma forma geral, 52,6% dos colaboradores afirma estar insatisfeito com o pacote de compensação total, desde o salário aos benefícios. Olhando apenas para o salário líquido, apenas 25,4% está satisfeito com o mesmo, contra 48% insatisfeitos.
Um outro dado indica que a satisfação dos homens é maior do que a das mulheres. “Em média, as pessoas do género feminino reportam receber menos, e isto não é apenas uma impressão visual: as análises estatísticas confirmam que esta diferença é consistente”, nota a Coverflex. Os dados demonstram que há uma concentração do género feminino nas faixas salariais mais baixas, com presença mais forte nos salários abaixo dos 1499 euros e ficando abaixo dos homens acima dos 1500 euros.
As recomendações da Coverflex para as empresas
Na apresentação do estudo, o diretor de ‘Costumer Success’ da Coverflex, Miguel Franco, apontou três prioridades que as empresas devem ter no que diz respeito à compensação: construir pacotes completos, dar mais flexibilidade e comunicar melhor o valor total da compensação.
“A evolução das práticas de compensação passa por complementar o salário com abordagens mais transparentes, justas e personalizáveis. Estruturar políticas claras e comunicar melhor o pacote de compensação total pode reforçar o seu papel na atração e retenção de talento”, conclui a empresa no seu estudo.
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