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Menos crédito, mais risco: as consequências do declínio demográfico para os bancos europeus
Uma população envelhecida vai procurar menos crédito e mais serviços de gestão das poupanças, avisa a DBRS. Bancos europeus vão depender mais de comissões para aumentar as receitas.
04 Jun 2026 - 09:30
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Foto: Adobe Stock/InfiniteFlow
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A população da União Europeia ainda cresce, mas pouco. Com a taxa de fertilidade em queda e o envelhecimento da população a aumentar, o espaço europeu enfrenta várias transformações e o mercado do setor bancário não é exceção. Os produtos procurados mudam, a estrutura de custos e a origem das receitas também. Novos riscos emergem.
Uma análise da Morningstar DBRS mostra que as instituições bancárias europeias terão de se adaptar a um mercado cada vez mais envelhecido e que procura serviços e produtos financeiros diferentes. A diminuição da procura de crédito é a evolução mais evidente. “O número cada vez menor de famílias jovens irá reduzir a procura por empréstimos hipotecários e crédito ao consumo, enquanto o envelhecimento da população irá impulsionar a procura por produtos de poupança e relacionados com a reforma”, descreve a agência de ‘rating’.
Naturalmente, esta redução do crédito vai levar a uma quebra na margem financeira, o que, por sua vez, vai resultar num maior peso das comissões nas receitas dos bancos, com destaque para serviços de gestão de ativos e de património e distribuição de seguros.
Nas regiões onde este problema se agrava, vai haver ainda uma erosão da base de clientes e da quota de mercado, que se vai acentuar ainda mais em bancos locais e concentrados, como é o caso das instituições cooperativas, aponta a DBRS. O resultado? “Racionalização de balcões, maior concorrência em mercados em contração, diversificação geográfica e ainda maior consolidação dentro do setor tornam-se mais prováveis”, estima.
Digitalização acelera, mas risco sobe
No que toca aos custos, a maior digitalização no futuro traz consigo maior eficiência, mas, ao mesmo tempo, o investimento e as pressões salariais podem elevar o total das despesas. A digitalização também vai acelerar devido a um mercado laboral com escassez de recursos humanos, prevê a DBRS. Esta mesma escassez vai afetar igualmente as PME.
Ainda que o recurso a novas tecnologias seja cada vez mais recorrente e a agência de notação financeira estime que este aumente, também alerta para o risco de dependência de sistemas informáticos.
Mas os riscos que estão na calha não ficam por aqui. A deterioração a longo prazo do valor de mercado dos imóveis representa um problema para os créditos hipotecários, no caso das regiões mais afetadas pelo declínio demográfico. Contudo, uma menor procura por crédito pode limitar o risco de crédito total, salienta a DBRS.
De uma perspectiva mais abrangente, “o declínio demográfico tem implicações de risco macroeconómicas e soberanas, com um crescimento potencialmente mais baixo a prejudicar a sustentabilidade fiscal e, por consequência, a afetar indiretamente a exposição dos bancos à dívida soberana”, explica a agência.
Do lado do financiamento, uma população envelhecida “pode sustentar uma base de depósitos estável”. Contudo, os volumes absolutos de depósitos em mercados em queda podem ficar sob pressão, especialmente para bancos com alcance limitado.
De acordo com a DBRS, as tendências demográficas também podem pesar na geração interna de capital devido às receitas mais fracas e à menor expansão de ativos ponderados por risco, impulsionada pelo reduzido aumento de crédito. “Os ‘buffers’ de capital mantêm-se adequados a médio prazo, mas a capacidade de pagamento e a sustentabilidade dos dividendos pode enfrentar desafios a longo prazo”, avisa.
No curto prazo, conclui a DBRS, não há implicações para o ‘rating’ dos bancos europeus, que gozam de forte capitalização, liquidez e fundamentos de crédito subjacentes sólidos. “No entanto, esperamos que as pressões demográficas tenham um maior impacto em bancos mais pequenos de âmbito regional, que podem enfrentar mais vulnerabilidades quando comparados com instituições maiores e mais diversificadas”, remata.
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